sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dança das Cabaças - Exu no Brasil



Dança das Cabaças - Exu no Brasil from Elegbara on Vimeo.



Dança das Cabaças - Exu no Brasil é uma investigação poética sobre a divindade africana Exu no imaginário brasileiro. Trazido pelos escravos com outros Deuses do panteão Yoruba, Exu foi colocado à margem e passou por um processo de demonização que se inicia na missão católica na África e se estende no período colonial brasileiro, onde seus atributos originais foram ocultados.
Exu que na África era caracterizado como o princípio da vida, a força que move os corpos, a dinâmica, o senhor dos caminhos e das encruzilhadas, a principal ponte entre os mortais e as divindades que habitam o além, passa a ser visto como a personificação do mal perante o modelo cristão, devido ao seu seu símbolo fálico e seu comportamento astucioso.
Dirigido por Kiko Dinucci, o filme passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda. Dança das Cabaças-Exu no Brasil conta com participações de Sacerdotes e estudiosos.

dancadascabacas.blogspot.com

DANCE OF CALABASH - EXU IN BRAZIL - (2006) - Time: 54 min.Format: Mini DVDirected by: Kiko DinucciDance of Calabash - Exu in Brazil is an poetic investigation on the African divinity Exu in the brazilian imaginary. Alongside other Yoruba Gods, Exu was brought to Brazil by the slaves and became demonized during the colonial period, when catholic missions in Africa and in Brazil concealed its original attributes. In Africa, Exu was viewed as the beginning of life, the force that moved bodies, the lord of the paths and cross-roads. It was the main link between the dead and the gods. For the Christians, it became the personification of evil, due to its falic symbol and astute behaviour. Directed by Kiko Dinucci, the movie investigates the different African-brazilian religions, such as candomblé (Nagô, Gege and Bantu traditions), Tambor de Mina, Umbanda and Quimbanda. Special appearances of priests, clergyman and scholars.

Publicado em Vimeo >>> http://www.vimeo.com/1436330?pg=embed&sec=1436330

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Umbandista, "Vem e Segue-me!"


A prática da Caridade e a vida de entrega contínua dos que se propõem a servir na Religião de Umbanda estão intimamente ligadas ao apelo do Mestre Jesus, considerado por milhares de umbandistas como o Filho de Deus e sincretizado com o Pai Oxalá, Orixá da Fé. O apelo de Jesus, ou o chamado do Mestre, encontra eco nas palavras de milhares de Pretos Velhos e Vovós de Umbanda que, insistentemente, incutem nos filhos de fé e nos seus consulentes as exortações à caridade, à paciência, ao perdão e o amor ao próximo.

O Mestre da Galiléia, apontado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas como modelo a ser seguido pelos umbandistas, por vezes convocava os seus discípulos a entrarem numa demanda missionária cujo propósito era o de mostrar-lhes pelo exemplo a maneira correta de se posicionarem perante a multidão. Tais atitudes de Jesus levavam os discípulos a repensarem suas tacanhas e preconceituosas maneiras de ver o semelhante, já que todos haviam sido educados na radical tradição judaica.

Jesus trouxe uma mensagem que traduziu-se como "A Verdade". Não era a "sua" verdade, porém resumia o pensamento ancestral e milenar da Espiritualidade Maior e apontava a direção certa a todos.

Simples, Jesus fazia declarações arrebatadoras aos humildes e rudes homens do campo; falava com impressionante veracidade a doutores e autoridades sacerdotais de sua época e distinguia-se dos poderosos governantes pela sua maneira horizontal de chefiar os seguidores.

Sem ostentação e desprovido da insuportável vaidade humana, Jesus convidava os seus discípulos e seguidores a tomarem para si os exemplos das figuras e símbolos que recheavam suas mensagens compreensíveis até mesmo pelas criancinhas.

A Umbanda tem nas mensagens de Jesus o convite ao exercício da Caridade, do amor fraternal e do trabalho constante em favor dos aflitos. Foi assim que o Mestre convocou os rudes pescadores, cobradores de impostos e preconceituosos seguidores do judaísmo.

Grandes prodígios Jesus fez na Galiléia, terra considerada pelos judeus como sendo o local de homens pouco inteligentes e insubordinados. Jesus, apesar disso, levava os discípulos a verdadeiras excursões pelas terras da Galiléia com o propósito de ensinar-lhes algo que culminaria com a reflexão interior e com a mudança de postura deles mesmos, como na vez em que chamou Filipe a seguí-lo: “No outro dia, Jesus quis partir para a Galileia. Encontrou Felipe e lhe disse: Segue-me” (Jo 1, 43).

Jesus passou grande parte de sua vida na Galiléia, apesar de ter nascido na Judéia, terra vizinha. Lá, ele cresceu e entrou na adolescência, por isso era chamado em tom jocoso de "O Galileu". Geograficamente, a Galiléia é uma região de montanhas e mostra-se como uma "encruzilhada" de caminhos entre o Mediterrâneo e os desertos do rio Jordão. Foi também palco de grandes prodígios que nos remetem à reflexão.

O umbandista depara-se com muitas encruzilhadas! Vez por outra precisa decidir seu destino na escolha de caminhos que o levam ao perdão ou ao orgulho; ao amor ou ao ódio; à temperança ou à ira; às planícies fecundas da caridade ou aos desertos da indiferença e do egoísmo.

A Galiléia pode ser vista como o mundo em que vivem os Espíritos humanos que correm aos terreiros em busca de socorro. Espíritos que normalmente são considerados de pouca inteligência. Espíritos que, devido ao estágio em que se encontram estão revoltosos e avessos aos mandamentos celestiais de amor e perdão.

Foi na Galiléia que Jesus transformou a água em vinho! Fato que diz muito mais do que uma simples demonstração mágica. Jesus mostra, através do tão famoso milagre das bodas que o homem deve buscar incessantemente a mudança interior para que seja agradável a todos os convidados da última hora.

O umbandista de verdade deve realizar essa mudança constantemente, caso contrário os sábios conselhos dos Pretos Velhos soarão como palavras vazias e sem vida. Sem mudança interior, o umbandista permanecerá estagnado nos vasos de pedra da ignorância.

Na Galiléia Jesus transfigurou-se perante os discípulos, o que nos remete novamente à mudança constante. Desta vez, a mudança do umbandista é externa. Todos precisam enxergar no filho de Umbanda, o novo homem, a nova criatura, o que nasceu de novo. O rosto do umbandista deve resplandecer a luz dos Guias e Mentores de Aruanda, como nos diz o lindo hino. O umbandista deve refletir a "luz Divina em todo o seu esplendor".

Foi no lago de Genesaré, o Mar da Galiléia, que Jesus exortou Pedro a viver uma vida de Fé, quando o pescador começou a afundar nas águas revoltas. Assim, deve ser todo o umbandista! O umbandista enfrenta muitas ondas que põem sua fé em jogo, contudo ele deve abandonar a incredulidade, a ignorância e a falta de confiança nos Guias para andar pela fé sobre as águas escuras da vida cotidiana.

Foi na Galiléia também, ainda no Grande Mar, que Jesus ensinou os discípulos a serem grandes pescadores.

Como seguidores do Mestre Jesus, os umbandistas precisam aprender a ser também pescadores de almas. Não para encher os templos e terreiros com cegos dizimistas ou fanáticos mandingueiros, mas para levar as criaturas humanas aos campos luminosos de Aruanda. As almas perdidas serão tiradas do grande mar que é a vida sem Deus, e serão depositadas nos braços dos sagrados Orixás para servirem de alimento aos outros que ainda não encontraram o caminho da Luz.

Todos esses ensinamentos, e muito mais ainda, o Mestre Jesus deu aos discípulos.

Jesus não quis transformar os discípulos em apenas imitadores ou repetidores de fórmulas mágicas. O Mestre não quis que eles somente fizessem os mesmos milagres - como o mundo classificou - apenas porque aprenderam a fazer igual. Jesus quis exemplificar, assim como muitos outros grandes mestres da Luz, que os filhos de fé, e aqui podemos chamar de "umbandistas", precisam servir aos irmãos numa atividade servil e caridosa de amor ao próximo.

Portanto, umbandistas, ouçam o que diz o Mestre da Galiléia: "Vem, e Segue-me!".

Julio Cezar Gomes Pinto

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Oitava Lágrima do Caboclo de Aruanda

Mensagem transmitida na Casa de Caridade Santo Antônio de Pádua durante a Gira de Desenvolvimento Mediúnico em complemento ao já famoso texto "As Sete Lágrimas de Pai Preto"

  Ah... A Oitava Lágrima...
A oitava lágrima eu vi rolar dos olhos do Caboclo de Aruanda. E então, perguntei: "E essa lágrima, meu pai, o que significa?"
Ele então me respondeu com a voz embargada e cheia de pesar: "Essa lágrima, meu filho, é a mesma que desceu dos olhos do Cristo quando encontrou o querido Lázaro no túmulo... Ela desce queimando minha face, como o sangue que desceu lá no Calvário, da cabeça divina coroada de espinhos.
Essa lágrima representa a dor e a tristeza que invade os corações de todos os Caboclos de Aruanda. A dor em ver tantos filhos de fé retribuindo com ingratidões todos os favores a eles dispensados. Em receber em troca do amor que lhes dou, muitas flechadas embebidas no fel da discórdia e da descrença.
Representa o sofrimento em receber nas mãos os cravos da injúria daqueles que, negando a mensagem de Jesus, levantam falsas palavras contra o meu carinho e afago.
É a lágrima que ofereço aos filhos que me abandonam na jornada e na difícil tarefa de apascentar as ovelhas perdidas do Senhor.
É a lágrima que jorra todos os dias em favor dos médiuns que não aplicam seus corações nos ensinamentos que o Pai determina que eu lhes dê. Entrego em favor dos filhos que vêm para esse Pequeno Paraíso, a Tenda de Umbanda, com os corações e as mentes cheios de espinhos e abrolhos que a terra seca produz.
Aos que, cegos, não conseguem ver a beleza e a pureza que, dia após dia, permito que vejam dentro do Congá o qual purifico e perfumo com as essências da caridade e do perdão.
Desce, porque sinto o peso da cruz do Nazareno e não encontro nenhum Simão para me ajudar a levantar da terra e a continuar firme em direção ao alvo que Deus, nosso Pai, quer levar a todos.
Enxuga-me os olhos, filho... E me presenteie com o seu amor.