Após os acontecimentos ocorridos na sessão espírita para onde tinha sido levado, uma grande quantidade de pessoas foi até à casa do jovem Zélio de Moraes, na rua Floriano Peixoto, em São Gonçalo – RJ, próximo das 20:00 horas. Compareceram membros da federação espírita, parentes, amigos, vizinhos e uma multidão de desconhecidos e curiosos a fim de confirmar se de fato a profecia haveria de se cumprir tal como tinha sido proferida: "Amanhã na casa deste meu aparelho será inaugurado uma tenda espírita com o nome de Nossa Senhora da Piedade". Pontualmente as 20:00 horas o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorporou e com as palavras abaixo iniciou seu culto:“Vim para fundar a Umbanda no Brasil. Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos africanos e os índios nativos de nossa terra, poderão trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A pratica da caridade no sentido do amor fraterno, será a característica principal deste culto”.
A casa de trabalhos espirituais inaugurada em 1908 recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolhe o Filho nos braços, também seriam acolhidos, como filhos, todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto.
Alguns anos mais tarde, já na década de 70, Zélio de Moraes concedeu uma entrevista a Jota Alves de Oliveira, consagrado autor Umbandista e Kardecista, colunista do jornal "O DIA" e autor do livro O Evangelho na Umbanda, cujas palavras ficaram registradas em fitas cassetes. As
fitas postadas inicialmente por Alex de Oxossi no blog Registros de Umbanda, foram cedidas pela Tenda Espírita
Nossa Senhora da Piedade à Mãe Maria, da Casa Branca de Oxalá. Algumas revelações trazidas à luz pelo próprio Zélio devem ser levadas em consideração:
Zélio revelou que o nome
original da religião foi Alabanda, onde Alá é uma palavra árabe que significa
Deus e Banda, do lado de. Logo, Alabanda significaria Do lado de Deus. De acordo com Zélio, o nome foi dado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, como uma homenagem
ao Orixá Mallet, que era malaio e muçulmano. Um ano depois, em
1909, o Caboclo das Sete Encruzilhadas mudou o nome da religião de Alabanda para
Aumbanda, substituindo a palavra árabe Alá (Deus) para a palavra grega que possui o mesmo significado (Aum).
Embora
o nome dado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas tenha sido Aumbanda, o que se
firmou e acabou sendo divulgado foi Umbanda. Segundo a explicação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, não há
nenhuma ligação do nome da religião com o sânscrito ou com o quimbundo, mas apenas
com o árabe e com o grego.
Após trabalhar fazendo previsões, passe e doutrina, o Caboclo das Sete Encruzilhadas informou que devia se retirar, pois outra entidade precisava se manifestar. Após a “subida” do Caboclo incorporou uma entidade que, saindo da mesa, se dirigiu a um canto da sala onde permaneceu agachado. Sendo questionado o porquê de não ficar na mesa respondeu:
- Nego num senta não meu sinhô, nego fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nego deve arespeitá.
Após insistência, ainda completou:
- Num carece preocupá não. Nego fica no toco que é lugar de nego.
E assim continuou dizendo outras coisas mostrando a simplicidade, humildade e mansidão daquele que trazendo o estereótipo do preto-velho se fez identificar como Pai Antônio. Logo cativou a todos com seu jeito.
Ainda lhe perguntaram se ele não aceitava nenhum agrado, ao que respondeu:
- Minha cachimba. Nego qué o pito que deixou no toco. Manda moleque buscá.
Todos ficaram perplexos, estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento material de trabalho dentro da Umbanda.
Na semana
seguinte (provavelmente no dia 23 de novembro – segunda-feira), todos trouxeram
cachimbos que sobraram diante da necessidade de apenas um para Pai Antônio. Assim
o cachimbo foi instituído na linha de pretos-velhos, sendo também ele a
primeira entidade a pedir uma guia (colar) de trabalho.
Nos dias
seguintes, verdadeira romaria se formou na Rua Floriano Peixoto, n.º 30, em
Neves. Enfermos, cegos, paralíticos, vinham em busca de cura e ali encontravam,
em nome de Jesus. Médiuns (cujas manifestações haviam sido consideradas
loucuras) deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades
excepcionais.
O pai de Zélio freqüentemente era abordado por pessoas
que queriam saber como ele aceitava tudo isso que vinha acontecendo em sua
residência, sua resposta era sempre a mesma em tom de brincadeira. Respondia que
preferia um filho médium ao lugar de um filho louco.
Foi um trabalho árduo e
incessante para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda.
Fontes: blog
Povo de Aruanda e Registros de Umbanda
Nenhum comentário:
Postar um comentário