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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Alan Barbieri Responde: Incorporar em Casa, Tem Problema?

Utilizando uma linguagem de fácil entendimento e recheada de fundamento, Alan Barbieri explica sobre os perigos de se "Incorporar Guias" dentro de casa, bem como aborda as consequências dessa prática que envolve o equilíbrio de frequências vibratórias.
"O grande problema está nas consultas dadas a familiares e pessoas próximas", afirma Alan. "Incorporar não é brincadeira, pois é um processo complexo. Por isso nós temos o terreiro de Umbanda, com uma hierarquia, com uma estrutura espiritual, com assentamentos, com toda uma organização material e espiritual para que tudo corra da melhor forma possível."
Veja o vídeo e entenda melhor sobre o assunto:


sexta-feira, 30 de junho de 2017

Alan Barbieri Comenta Sobre as Guias e Brajás na Umbanda

A guia utilizada pelos médiuns se trata de um círculo formado de miçangas ou outros elementos materiais; um portal que envolve o médium com a energia de uma Divindade ou Entidade.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Linha da Geração - Omulu

É o orixá que rege a morte, ou no instante da passagem do plano material para o plano espiritual (desencarne)
É com tristeza que temos visto o temor dos irmãos umbandistas quando é mencionado o nome do nosso amado Pai Omulu. E no entanto descobrimos que este medo é um dos frutos amargos que nos foram legados pelos ancestrais semeadores dos orixás em solo brasileiro, pois difundiram só os dois extremos do mais caridoso dos orixás, já que Omulu é o guardião divino dos espíritos caídos. O orixá Omulu guarda para Olorum todos os espíritos que fraquejaram durante sua jornada carnal e entregaram-se à vivenciação de seus vícios emocionais. Mas ele não pune ou castiga ninguém, pois estas ações são atributos da Lei Divina, que também não pune ou castiga. Ela apenas conduz cada um ao seu devido lugar após o desencarne. E se alguém semeou ventos, que colha sua tempestade pessoal, mas amparado pela própria Lei, que o recolhe a um dos sete domínios negativos, todos regidos pelos orixás cósmicos, que são magneticamente negativos. E Tatá Omulu é um desses guardiões divinos que consagrou a si e à sua existência, enquanto divindade, ao amparo dos espíritos caídos perante as leis que dão sustentação a todas as manifestações da vida.
Esta qualidade divina do nosso amado pai foi interpretada de forma incorreta ou incompleta, e o que definiram no decorrer dos séculos foi que Tatá Omulu é um dos orixás mais “perigosos” de se lidar, ou um dos mais intolerantes, e isto quando não o descrevem como implacável nas suas punições.
Ele, na linha da Geração, que é a sétima linha de Umbanda, forma um par energético, magnético e vibratório com nossa amada mãe Yemanjá, onde ela gera a vida e ele paralisa os seres que atentam contra os princípios que dão sustentação às manifestações da vida. Em Tatá Omulu descobri o amor de Olorum, pois é por puro amor que uma divindade consagra-se por inteiro ao amparo dos espíritos caídos. E foi por amor a nós que ele assumiu a incumbência de nos paralisar em seus domínios, sempre que começássemos a atentar contra os princípios da vida. Enquanto a nossa mãe Yemanjá estimula em nós a geração, o nosso pai Omulu nos paralisa sempre que desvirtuamos os atos geradores.
Mas esta “geração” não se restringe só à hereditariedade, já que temos muitas faculdades além desta, de fundo sexual. Afinal, geramos idéias, projetos, empresas, conhecimentos, inventos, doutrinas, religiosidades, anseios, desejos, angústias, depressões, fobias, leis, preceitos, princípios, templos, etc. Temos a capacidade de gerar muitas coisas, e se elas estiverem em acordo com os princípios sustentados pela irradiação divina, que na Umbanda recebe o nome de “linha da Geração” ou “sétima linha de Umbanda”, então estamos sob a irradiação da divina mãe Yemanjá, que nos estimula.
Mas, se em nossas “gerações”, atentarmos contra os princípios da vida codificados como os únicos responsáveis pela sua multiplicação, então já estaremos sob a irradiação do divino pai Omulu, que nos paralisará e começará a atuar em nossas vidas, pois deseja preservar-nos e nos defender de nós mesmos, já que sempre que uma ação nossa for prejudicar alguém, antes ela já nos atingiu, feriu e nos escureceu, colocando-nos em um de seus sombrios domínios. Ele é o excelso curador divino pois acolhe em seus domínios todos os espíritos que se feriram quando, por egoísmo, pensaram que estavam atingindo seus semelhantes. E, por amor, ele nos dá seu amparo divino até que, sob sua irradiação, nós mesmos tenhamos nos curado para retomarmos ao caminho reto trilhado por todos os espíritos amantes da vida e multiplicadores de suas benesses.
Todos somos dotados dessa faculdade, já que todos somos multiplicadores da vida, seja em nós mesmos, através de nossa sexualidade seja nas idéias, através de nosso raciocínio, assim como geramos muitas coisas que tornam a vida uma verdadeira dádiva divina. Tatá Omulu, em seu pólo positivo, é o curador divino e tanto cura alma ferida quanto nosso corpo doente. Se orarmos a ele quando estivermos enfermos ele atuará em nosso corpo energético, nosso magnetismo, campo vibratório e sobre nosso corpo carnal, e tanto poderá curar-nos quanto nos conduzir a um médico que detectará de imediato a doença e receitaria medicação correta.
O orixá Omulu atua em todos os seres humanos, independente de qual,. seja a sua religião. Mas esta atuação geral e planetária processa-se através de, uma faixa vibratória especifica e exclusiva, pois é através dela que fluem as irradiações divinas de um dos mistérios de Deus, que nominamos de “Mistério da Morte”. Tatá Omulu, enquanto força cósmica e mistério divino, é a energia que se condensa em torno do fio de prata que une o espírito e seu corpo físico, e o dissolve no momento do desencarne ou passagem de um plano para o outro.
Neste caso ele não se apresenta como o espectro da morte coberto com manto e capuz negro, empunhando o alfanje da morte que corta o fio da vida. Esta descrição é apenas uma forma simbólica ou estilizada de se descrever a força divina que ceifa a vida na carne. Na verdade, a energia que rompe o fio da vida na carne é de cor escura, e tanto pode parti-lo num piscar de olhos quando a morte é natural e fulminante, como pode ir se condensando em torno dele, envolvendo-o todo até alcançar o espírito, que já entrou em desarmonia vibratória porque a passagem deve ser lenta, induzindo o ser a aceitar seu desencarne de forma passiva.
O orixá Omulu atua em todas as religiões e em algumas é nominado de “Anjo da Morte” e em outras de divindade ou “Senhor dos Mortos”. No antigo Egito ele foi muito cultuado e difundido e foi dali que partiram sacerdotes que o divulgaram em muitas culturas de então. Mas com o advento do Cristianismo seu culto foi desestimulado já que a religião cristã recorre aos termos “anjo” e “arcanjo” para designar as divindades. Logo, nada mais lógico do que recorrer ao arquétipo tão temido do “Anjo da Morte”, todo coberto de preto e portando o alfanje da morte, para preencher a lacuna surgida com o ostracismo do orixá ou divindade responsável por este momento tão delicado na vida dos seres.

Mitologia Africana

O culto a Tatá Omulu surgiu entre os negros levados como escravos ao antigo Egito, que o identificaram como um orixá e o adaptaram às suas culturas e religiões. Com o tempo, ele foi, a partir desse sincretismo, assumindo sua forma definitiva, até que alcançou o grau de divindade ligada à morte, à medicina e às doenças. Já em outras regiões da África, este mistério foi assumindo outras feições e outros orixás semelhantes surgiram, foram cultuados e se humanizaram. “Humanizar-se” significa que o orixá ou a divindade assumiu feições humanas, compreensíveis por nós e de mais fácil assimilação e interpretação.

De origem Jeje, é o deus da varíola, da peste e das doenças da pele. Omolu e Obaluaê, são as manifestações velho e jovem de um mesmo Orixá, chamado Xapanã. Suas cores são o vermelho, o amarelo e o preto, que veste sob capuz de palha-da-costa enfeitado com búzios. Seus colares são também de búzios e contas de louça branca intercaladas com pretas ou, então, brancas intercaladas com pretas e vermelhas. Dança portando um instrumento denominado Xaxará, espécie de cetro. Homenageado às segundas feiras. Sua saudação é Atotô!


Lenda: Houve uma festa e todos os Orixás estavam presentes. Menos Omolu que ficara do lado de fora. Ogum pergunta por que o irmão não vem e Nanã responde que é por vergonha de suas feridas causadas pelas doenças. Ogum resolve ajudá-lo e o leva até a floresta onde tece para ele uma roupa de palha que lhe cobre o corpo todo. O filá! Mas a ajuda não dá muito certo, pois muitos viram o que Ogum fizera e continuavam a ter nojo de dançar com o jovem Orixá, menos Iansã, altiva e corajosa, dança com ele e com eles o vento de Iansã que levanta a palha e para espanto de todos, revela um homem lindo, sem defeito algum.
Todos os Orixás presentes, ficam estupefatos com aquela beleza, principalmente Oxum,que se enche de inveja, mas agora é tarde, Omolu, não quer mais dançar com ninguém.
Em recompensa pelo gesto de Iansã, Omolu dá a ela o poder de também reinar sobre os mortos. Mas daquele dia em diante, Omolu declarou que somente dançaria sozinho!

Tatá Omulu não vibra menos amor por nós do que qualquer um dos outros orixás e está assentado na Coroa Divina, pois é um dos Tronos de Olorum, o Divino Criador.

Atotô, meu pai!


Fontes:
Colégio de Umbanda Pai Benedito de Aruanda
Luna e Amigos

terça-feira, 19 de junho de 2012

Projeto de Lei Proíbe Sacrifício de Animais em Rituais Religiosos

Foi publicado no Diário Oficial, no dia 15/10/2011, o Projeto de Lei 992/2011, de autoria do deputado Feliciano Filho, que proíbe a utilização e o sacrifício de animais em rituais religiosos no estado de São Paulo.
O projeto atende à solicitação de muitos defensores e protetores dos direitos dos animais que vêm lutando em todo o Brasil pelo fim dessa prática. Afinal, a constituição estabelece que é papel do Poder Público vedar, na forma da lei, práticas que submetam os animais a crueldades (Art. 225º).
A ideia é também fazer valer o artigo 32 da Lei Federal de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), que pune quem praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais – com agravante se o animal morrer. Em São Paulo, a prática seria ainda passível de multa no valor de R$ 5.235,00 por animal.
“Somos favoráveis à preservação e ao incentivo às tradições e manifestações culturais, bem como ao exercício dos cultos e liturgias das religiões de matriz africana,” afirmou o deputado. “Contudo, não podemos permitir que animais indefesos sofram esta crueldade.”
O projeto começa a tramitar esta semana e deve ir a votação no início do ano que vem.
Com base nessa notícia participe da nossa enquete: "O sacrifício de animais é necessário na Religião de Umbanda?"

Leia o Projeto na íntegra:




PROJETO DE LEI Nº 992, DE 2011

Proíbe o uso e o sacrifício de animais em práticas
de rituais religiosos no Estado de São Paulo
e dá outras providências.



A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:


Artigo 1º - Fica proibido a utilização e/ou sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Estado de São Paulo.


Artigo 2º – O descumprimento do disposto na presente Lei ensejará ao infrator, a multa de 300 UFESP’s (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo) por animal, dobrando o valor para cada reincidência.


Artigo 3º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.




JUSTIFICATIVA


A Constituição da República Federativa do Brasil estabelece que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (art. 225º, VI). Para assegurar a efetividade desse direito, incube ao Poder Público: Proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. (§ 1º, VII).


Somos favoráveis à preservação e ao incentivo às tradições e manifestações culturais, bem como ao exercício dos cultos e liturgias das religiões de matriz africana, contudo, não podemos permitir que animais indefesos sofram esta crueldade.


Por todo o exposto, contamos com a colaboração desses Nobres Pares para aprovação do Projeto de Lei em tela.


Sala das Sessões, em 11/10/2011


a) Feliciano Filho – PV


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Banho de Ervas na Umbanda

Para os médiuns umbandistas, banhos de ervas são fundamentais.
Eles servem principalmente para limpar as energias negativas que estão impregnadas no corpo áurico, consequentemente, expelem influências de espíritos negativos. Ainda reequilibram e aumentam a capacidade mediúnica facilitando a incorporação e desobstruem os chacras ajudando a equilibrar o corpo físico e emocional. Obviamente que esses benefícios não são restritos a médiuns, mas a QUALQUER PESSOA.

Na Umbanda, especificamente, utilizamos ervas e flores em quase todos os rituais, inclusive nas giras e nas oferendas ritualísticas. Já os banhos de ervas são, de maneira geral, utilizados para que haja uma troca energética, é uma importante “ferramenta” natural que nos auxilia e nos proporciona enorme bem.
Certamente que o melhor banho é aquele que o Guia ou o Pai/Mãe Espiritual aconselha ou orienta, afinal, é importante ir de acordo com nossas reais necessidades, aquelas que muitas vezes não conhecemos ou entendemos. Sei que algumas vezes essas informações não chegam até nós e aí, precisamos buscar um pouco de conhecimento, alguns punhados de bom senso e uma pitada de intuição misturados com muita coerência e fé.
Lidar com erva e planta (ou mesmo com banho de erva) é extremamente complexo. Elas, penso eu, são como gente, cada uma tem uma preferência, uma forma específica de melhor viver, florescer, doar, ceder ou se defender. Elas possuem um jeito especial e particular de “falar” conosco e que, dependendo de nossa energia, também “respondem” de forma especial e particular; isso quer dizer que um banho de ervas, dependendo da energia pessoal de cada um, pode causar reações diferentes entre nós. Portanto, é importante ter boas orientações, ok?
Mas vale saber, existem algumas ervas e flores que são harmonizadoras e que não causam malefício algum, portanto, podem ser jogadas da cabeça (coroa) para baixo, inclusive nas crianças. Essas ervas/flores são: camomila, alfazema, rosa branca e sálvia.
E para aqueles que conhecem um pouco mais sobre ervas e Orixás, vale muito a pena unir a energia do dia da semana e do Orixá com as ervas, ou seja, aproveitar, por exemplo, terça-feira – dia da semana que é relacionado a Ogum - para tomar banho com ervas de Ogum. Um AXÉ todo especial no banho que se potencializa com nossa louvação e fé.
Vejam abaixo algumas ervas específicas aos dias da semana e aos Orixás, mas esclareço que dependendo da doutrina ou da tradição religiosa outras relações entre os dias da semana e os Orixás acontecem, por exemplo, existem terreiros que relacionam domingo com Nanã Buruque e outros ainda, com Oxalá, portanto, não esqueçam do bom senso, da coerência e da boa orientação.

Segunda-feira – Exu, Almas, Obaluaye – levante, folha de fumo, arruda, folha de figo. Importante tomar cuidado com essas ervas, elas são fortes e servem para descarrego, dessa forma, podem causar reações energéticas.

Terça-feira – Ogum – espada de Ogum, losna, aroeira, abre-caminho, jurubeba, São Gonçalinho, folha de manga, folhas de romã, samambaia, salgueiro.

Quarta-feira – Xangô – barba de velho, hortelã, erva de São João, lírio, urucum.

Quinta-feira – Oxóssi – acácia-jurema, samambaia, capim limão, guiné, alecrim, erva doce, eucalipto, manjericão.

Sexta-feira – Oxalá – boldo (tapete de Oxalá), narciso, hortelã, erva cidreira, eucalipto, alecrim, levante, alfavaca, girassol, avenca e manjerona.

Sábado – Iemanjá/Oxum – hortelã, lágrima de nossa senhora, rosa branca, boldo, avenca, folha de laranjeira, jasmim, alfazema, açucena, ipê amarelo, alfavaca, poejo.

Domingo - Linha das Crianças ou Ibejadas – levante, verbena, rosas, erva doce, guaraná, alecrim, trevo, folhas de anil.

E seguem mais algumas dicas legais que podem facilitar ou inspirar mais um pouco a prática do Banho de Ervas tão transformadora e benéfica para todos nós.
Os banhos de ervas secas devem ser preparados por infusão – ativar as ervas, colocá-las em um recipiente e derramar água fervente sobre elas. Tampar e deixar por 15 min. Coar e tomar o banho após o banho de higiene. Caules, raízes mais grossas e talos duros, como as espadas, devem ser fervidos por um período médio de 30 min.
Os banhos de ervas frescas devem ser preparados por maceração – colocar em um recipiente com água as ervas e macerá-las por alguns minutos, podendo aquecer levemente, coar e tomar o banho após o banho de higiene.
Os banhos normalmente devem ser preparados com números ímpares – com uma, três, cinco, sete ervas.
Potencializamos o Poder energético e natural do banho quando usamos águas naturais – como água de rio, chuva, cachoeira, poço, mar, etc.

BANHO NATURAL – são banhos que realizamos em sítios energéticos onde as energias estão em abundância. Neste caso, não precisamos nos preocupar em não molhar os chacras superiores (coronário e frontal) localizados na cabeça. Aliás é uma ótima chance de naturalmente tratar da “coroa”, claro que se realizados em locais livres da poluição.
Dentre eles podemos destacar:

Banho de mar: Ótimo para descarrego e para energização – importante ser realizado em mar com ondas. A energia salina do mar “queima” as larvas e miasmas astrais.

Banho de cachoeira: com a mesma função do banho de mar, só que executado em águas doces. A queda d’água provoca um excelente “choque” em nosso corpo, restituindo as energias ao mesmo tempo em que limpamos toda a nossa aura.

Banho solar: é todo banho tomado durante o dia, mesmo que esteja nublado (sem sol). A energia solar vitaliza e energiza, pois o sol fornece o “Prana” que alimenta nossa alma.

Banho lunar: é todo banho tomado à noite, desde que a Lua esteja descoberta (não pode haver nuvens). São os banhos que apresentam um aspecto magnético, frio, úmido e calmante.

Sei que parece estranho falar em ‘banho solar’ e ‘banho lunar’, mas a ideia aqui é se colocar sob o sol ou a lua com serenidade, consciente da intensa energia natural direcionando-a para o chacra coronário. É imaginar uma espécie de funil sobre a cabeça e permitir a entrada do forte magnetismo do sol ou da lua deixando-o percorrer o corpo com naturalidade e espírito de agradecimento. São apenas alguns minutos (15) de concentração leve, de respiração pausada e serenidade interna para se beneficiar dessa imensa energia, para sentir as melhoras internas e externas em todos os sentidos

Posted on junho 12, 2012 by Mãe Mônica Caraccio


Texto publicado originalmente no Site Minha Umbanda sob o título: "A Diferença é Certeira".

domingo, 10 de junho de 2012

A Corrupção na Umbanda

A falta de Caridade instalada na Terra está acabando com a raça humana e a corrupção de milhares de espiritualistas está manchando a bandeira da Umbanda através da venda indiscriminada da Caridade!
Quantas pessoas estão transformando a Umbanda num "Balcão de Negócios"!
Impotentes, muitos outros se perguntam como deveríam combater essa agressão aos Espíritos de Luz da Umbanda. Como acabar com a Corrupção na Umbanda?
Há pessoas, entretanto, que não são isentas de uma parcela de culpa nessa relação abominável na Umbanda chamada caridade-dinheiro-caridade.
Ora, se a pessoa vai exatamente a um desses locais para fazer uma "amarraçãozinha", fatalmente irá cair no Conto do Vigário (ou melhor), do Pai de Santo. Contudo, não podemos admitir o mesmo fim para os que de boa-intenção, querendo realmente um socorro espiritual, aflitos ou desesperados por um motivo justo, acabam sendo levados a uma tenda dessas por sua própria desesperança.
Certa vez, um homem comparou as pessoas a ovelhas que precisam de um pastor para lhes guiar e falou sobre detalhes delas até então desconhecidos. As ovelhas são quase cegas, não sabem distinguir as sombras à frente, se dispersam normalmente, caem nos buracos com facilidade e se perdem do rebanho... Elas são assim pela sua natureza. São exemplos perfeitos da natureza humana!
Os homens também são assim: quase cegos! Conseguem distinguir a voz do pastor, mas nunca a sua semelhança. Entretanto, até mesmo os falsos pastores têm voz suave e meiga. Esses falsários existem e se aproveitam da cegueira das pessoas. Esses que usam o nome da Religião de Umbanda para continuar com suas mesquinharias e ganância.
Infelizmente surgiu um espertalhão e descobriu que explorar a crença e a boa-fé de alguns desavisados dava muito dinheiro e lançou a semente nos corações podres de alguns charlatães que fizeram com que essa defamada árvore da caridade remunerada crescesse.
Os enganadores continuarão enganando porque sempre vai existir alguém que busca o engano.
Os corruptos continuarão existindo. Também aqueles que se deixam levar pela corrupção.
Mas, não é por isso que devemos permitir que a Corrupção, ande livremente entre as gentes com o nome de Caridade Umbandista.
Não queremos tratar do corrupto em si, pois continuarão levantando barraquinhas e consultórios para si. Que tenham seus consultórios, livre opção de quem vai lá, mas não com o nome de Umbanda!
Que tenham suas tendinhas, com atabaques ou não, mas nunca com o nome de Umbanda!
Que levantem seus espectros sobre os desavisados, mas não com o título de Espíritos de Luz da Umbanda.
"Eis que o machado está posto à raiz!" , é chegada a hora da ceifa, quando o joio será separado do trigo. Há muito joio espalhado na Seara de Jesus! Algo precisa ser feito.
Os médiuns são os trabalhadores, os ceifeiros, os operários. Têm a Machada de Xangô e a Espada de Ogum, sem falar na Foice de Omulu, para começar o trabalho de separação e colheita do trigo.
Se não há lei material que ajude a Umbanda no combate à mistificação e ao engodo, os umbandistas podem se valer da Lei Divina para isso! Terão Ogum ao seu lado! Terão Xangô para decretar a Justiça!
Cabe aos umbandistas a tarefa de, de posse dessas ferramentas espirituais, começarem o trabalho. Não se pode permitir que o mal alcance o bem.
O Bem está sempre à frente do Mal, que o persegue e tenta aniquilar as coisas boas que ele, o Bem, produz.
Através da Rede Brasileira de Umbanda,  os leitores indicaram a melhor forma de se acabar com a corrupção na Umbanda e, imaginem só, a "educação mediúnica através dos estudos" foi apontada como a arma perfeita para isso. Observe o gráfico abaixo e as opiniões de todos:

Sugestões Apresentadas por participantes da RBU através do Forum:

Educação através dos Estudos - 5 Votos.
Perseverança na Caridade - 2 Votos.
Vigilância pessoal - 1 Voto.
Punição conforme as Leis Humanas - 1 Voto.
Exemplo bom individualmente transmitido - 1 Voto.
Punição Divina, a seu tempo - 3 Votos.
Responsabilidade no trato com as coisas espirituais - 1 Voto.
Intervenção a partir das Federações - 3 Votos.
Campanha de reforma da Umbanda - 1 Voto.
Humildade, por parte dos Dirigentes - 1 Voto.
Criação de uma Comissão, para exigir atitudes das Federações - 1 Voto.
Reforma Íntima - 1 Voto.
Conscientização dos próprios irmãos de terreiro - 1 Voto.
Codificação da Umbanda - 1 Voto.

Julio Cezar Gomes Pinto

A Umbanda e o Vil Metal

É impressionante como surgiram entre os umbandistas tantas pessoas que conseguiram torcer as palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas! !! É triste ver espalhados pelo Brasil os mesmos vendilhões da época de Jesus.
Ficamos mais tristes ainda quando vemos tentativas humanas para anularem o papel missionário que Jesus exerceu na Terra. "Jesus foi apenas um revolucionário", dizem esses. "Jesus não falava do mundo espiritual, era material mesmo", afirmam outros.
Independente do que fazem em torno do nome de Jesus, ficamos tristes e decepcionados com o desrespeito ao Caboclo das Sete Encruzilhadas e suas palavras de ordem para a Umbanda.
Ora, foi esse Caboclo, valente e humilde, quem determinou as bases da Umbanda! Foi Ele quem disse: "NÃO HAVERÁ COBRANÇAS PELA CARIDADE"! Na Umbanda os Espíritos irão baixar nos terreiros para a prática da caridade pura e desprovida de interesses (monetários ou não).
Porém, exatamente como ele previu quando disse que o "vil metal" (dinheiro, para quem não sabe) iria macular a Umbanda, manchar sua bandeira de caridade, rasgar o testamento dos Caboclos e Pretos Velhos e queimar o Amor entre os irmãos, está acontecendo de forma escancarada e NINGUÉM faz nada para impedir isso!
Estão comercializando os dons divinos, NÃO HUMANOS, como se fossem propriedade particular!
Vende-se as palavras de um Preto Velho, como se fossem tirinhas de um jornal!
Cobra-se hoje para socorrer os desesperançados e os que nada têm para dar!
Em nome de uma suposta entrega abnegada ao "serviço espiritual", estipulam preços e valores por um trabalho que nem os próprios "trabalhadores" dão garantia. Quando o dão, não deixam nada assinado para posterior cobrança judicial! Já que é espiritual, não se pode assinar papéis de garantia de devolução do dinheiro cobrado, não é mesmo?
Ora, se realizam cobranças e recebem DINHEIRO por serviços prestados em nome de Deus, então por quê não dão recibos e notas fiscais? Por quê não recolhem os impostos como todo bom comerciante? Por quê não fazem declaração de renda para o Leão, como todo correto contribuinte faz?
Se querem cobrar, que assim o façam! Mas NÃO em nome da Umbanda!!! Criem outra religião! Inventem outro nome pro seus credos! Não copiem o nome sagrado da religião que veio à Terra para revelar de GRAÇA os Espíritos de Luz! Dêem outra denominação para suas Casas: URUBANDA! DINHEIBANDA! MOEBANDA! DOISBANDA! Ou outro nome que possa desvincular qualquer mácula das Casas genuinamente umbandistas.
Não somos contra as ofertas voluntárias!
Não somos quem deseja contribuir para o bem comum das Casas!
Mas daí, aproveitar para estipular um valor para atendimento. .. Vai uma distância muito grande. Quilométrica.

Deus Salve a Umbanda!
Deus Salve a Caridade!
Deus Salve o Caboclo das Sete Encruzilhadas!

Julio Cezar Gomes Pinto

O Papel do Médium de Umbanda

O indivíduo que trabalha nas fileiras umbandistas, exercitando suas faculdades mediúnicas nas reuniões chamadas Giras, ou Engiras, desempenha ações importantíssimas na evolução coletiva e na solução de problemas de diversas ordens que acometem a todos os que freqüentam as Tendas de Umbanda. O médium de Umbanda tem o papel único e maravilhoso de servo! É servindo ao próximo, numa entrega incondicional e desinteressada, de coração jubilado, que o médium de roupas brancas da Umbanda realiza a maior e mais perfeita das ordenanças cristãs: “amar ao próximo, como a si mesmo”!
Sem a consciência de que tudo o que faz numa Tenda ou num Terreiro é em benefício alheio, o médium carece de orientação e estudo mais profundo das verdades espirituais.
Dentro de um Terreiro o papel do filho de Umbanda começa logo assim que cruza os portões da entrada onde está assentado o Guardião da casa. Mas, não se trata apenas de alguns toques costumeiros no chão, ou saudações decoradas de palavras vazias e repetitivas. O “trabalho” do médium tem início através dos bons pensamentos que deve considerar assim que chega ao Templo munido dos utensílios e materiais litúrgicos que serão utilizados na sessão. O médium irá participar de uma reunião aonde centenas de outros Espíritos, dos mais diferentes níveis conscienciais e padrões vibratórios, também irão a fim de encontrarem alívio e soluções para suas dores e seus problemas. Aquele que servirá de instrumento aos Guias de Lei deve responsabilizar-se em ser mais útil ainda. Ao saudar o Guardião deve tomar, desde esse momento, uma postura vigilante e consciente de que Espíritos que descerão à Terra para fazer a caridade dependerão de sua boa vontade e de seu desprendimento. Mesmo estando numa posição dentro do Terreiro em que inevitavelmente será alvo dos olhares curiosos dos visitantes e freqüentadores, o médium precisa entender que o mais importante será o bem que as Entidades farão na Gira.
Todos os médiuns são importantes numa Gira. Desde o menor ao maior, se é verdade que exista essa classificação entre os umbandistas.
É comum as pessoas darem importância maior à Incorporação. Também é fato corriqueiro que a grande maioria dos que iniciam numa Corrente de Umbanda, almeja logo “receber Caboclo”. Entretanto, há funções tão ou mais importantes num Terreiro quanto a dos médiuns que servem de “aparelhos” aos Guias.
Os “Cambones”, ou Médiuns Auxiliares, exercitam sua mediunidade através da servil e humilde tarefa de atender aos pedidos de uma Entidade, seja Caboclo, Preto Velho, ou até mesmo Exu.
Os “Ogãs de Toque e de Canto”, ou Médiuns Instrumentistas e Cantadores de Ponto, são importantíssimos no trabalho de manter o equilíbrio vibratório das Giras e o de preservar a pura sintonia dos pensamentos coletivos.
Há ainda os médiuns que executam a tarefa de coordenar a entrada dos assistentes no Congá, os que trabalham na limpeza do Terreiro, os que cuidam do material litúrgico comum a todos, os que zelam pelo incenso e pelo turíbulo, os que desempenham tarefas administrativas e os que coordenam o andamento das sessões. Tem também aqueles que gratuitamente trabalham nas cantinas e nos bazares, e os que realizam tantos outros serviços que parecem de pouca importância, mas que no fim trará grandes benefícios no desenvolvimento da própria mediunidade.
O que seria dos médiuns de Incorporação se não existissem todos os outros que, invisíveis aos olhos de muitos, asseguram o bem estar deles mesmos? Como aqueles poderiam ser úteis no atendimento aos consulentes se não existissem os médiuns que, mesmo não incorporando, fazem parte da Gira contribuindo caritativamente com seus serviços? No fim das contas, todos os médiuns exercem o mesmo papel: o de servo bom e fiel a serviço da Corrente Astral de Umbanda.

Julio Cezar Gomes Pinto 

Introdução ao Estudo da Mediunidade

Médium é o termo utilizado em grande escala, a partir da codificação do Espiritismo, para designar os Espíritos encarnados que têm a faculdade inata de entrar em contato com o Mundo Espiritual e dali tirar impressões. A palavra, de origem latina, significa “medianeiro, ou aquele que está no meio”. Médium é aquele ser vivente que, por evocações ou independente disso, pode contatar os Espíritos desencarnados e com eles estabelecer conversações ou outros tipos de interação. Outrora chamados de videntes, profetas, bruxos e benzedeiros, os médiuns eram vistos como homens especiais, dotados de grande poder ou sabedoria que sempre tinha origem divina. Em algumas épocas foram fortemente combatidos e perseguidos por possuírem um dom que não era comum às outras pessoas. Muitos foram queimados vivos, crucificados ou esquartejados por uma mediunidade que era vista como oriunda das trevas e dos seres que lá habitam. Em outros tempos foram muito bem quistos e respeitados pela sociedade da época, considerados pelos seus como homens especiais, missionários ou mensageiros dos deuses.

Embora os médiuns sejam vistos por muitos como seres especiais, na verdade são pessoas comuns, desprovidos de qualquer sinal exterior de sua faculdade. Alguns médiuns, entretanto, desconhecedores de seu verdadeiro papel na sociedade, consideram-se realmente maravilhosos e supremos diante dos outros. Estes, na verdade, desconhecem a grande oportunidade que os Céus outorgaram-lhes para servirem de instrumentos importantes à evolução dos demais, e da própria, uma vez que podem ser úteis nas mãos dos Espíritos de Luz, que na Umbanda são chamados de Caboclos ou Pretos Velhos de Aruanda.
Os médiuns que se destacaram a partir do surgimento do Espiritismo foram alvos de grande especulação. Uns foram considerados charlatães, outros alcançaram grande destaque na mídia e alguns sucumbiram aos interesses materiais. Foram estudados e analisados por céticos que não compreenderam a natureza deste dom. Observados preconceituosamente por algumas religiões, os médiuns tiveram suas entranhas esquadrinhadas e seus cérebros verificados à luz da Ciência. Há quem diga que o dom mediúnico tem origem na glândula pineal, que supostamente teria uma função diferente da daqueles que não demonstram qualquer sinal de mediunidade.
Ao possuir um dom tão importante ao crescimento espiritual da humanidade, faz-se necessário que o médium de Umbanda seja uma pessoa voltada à meditação, ao aprimoramento interior e ao bem comum da comunidade ao redor. Tornando-se um bom instrumento nas mãos dos Espíritos de Luz, ou Superiores, pode alavancar o progresso da humanidade. O contrário se dá quando o médium, relapso e desregrado, alheio às mensagens evangélicas do Cristo Jesus, de ouvidos tampados à voz dos Grandes Guias Espirituais ou voltados a práticas e vícios puramente materiais, pode transformar-se em presa fácil de Espíritos inferiores, trevosos e obsessores, que vêem nele ótimo meio de satisfação ou fonte de energia animal. Assim sendo, a mediunidade tende a ser, ao mesmo tempo, um grande presente ou uma gigantesca armadilha. Mediunidade exercida de forma irresponsável é doença que arremessa o Espírito aos escuros leitos da superstição, do fanatismo e da loucura.
O médium de Umbanda deve ser um estudioso das coisas espirituais, já que o dom que possui abre-lhe numerosas oportunidades de estar em sintonia com os seres habitantes do Plano Espiritual. Os estudos contínuos, a compreensão sincera de suas faculdades e o real conhecimento da dádiva recebida, transformam-no, ainda que imperfeito, em sonoro porta-voz de Aruanda.
Os Caboclos de Aruanda são humildes, serenos e aguerridos trabalhadores da Caridade. Assim deve ser o Médium da Religião de Umbanda. A vaidade, a soberba, a ganância e o orgulho, prejudiciais defeitos de caráter, devem ser banidos do comportamento de qualquer médium de Umbanda.

Julio Cezar Gomes Pinto

O Contato Com os Espíritos

Foi a partir do contato realizado por Espíritos desencarnados através da mediunidade de um jovem chamado Zélio de Moraes que surgiu, em 1908, a Religião de Umbanda. Esse contato, acontecido de forma surpreendente e inusitada, fez a vida de toda uma família mudar. Ao mesmo tempo, o afloramento da mediunidade de Zélio proporcionou a milhares de outras pessoas a oportunidade de encontrar um caminho espiritual na busca do Divino. A Umbanda nasceu ou, como dizem alguns, foi anunciada através da manifestação mediúnica do Espírito que se identificou como um “caboclo” das terras brasileiras. É bem verdade que manifestações do tipo ocorrido com Zélio já aconteciam no Brasil, mas a que configurou como sendo o marco inicial da Umbanda ganhou projeção e espalhou-se com rapidez entre as pessoas estupefatas. Fato que acontecia com cautela somente em sessões particulares dos centros espíritas recém-inaugurados passou a ser comum aos olhos do povo e ficou classificado como o fenômeno da incorporação.
A Incorporação, assim chamada na Umbanda, é uma modalidade mediúnica conhecida entre os estudiosos do Espiritismo pelo nome de Psicofonia: a mediunidade em que o médium fala pela influência dos Espíritos. Pela forma como acontece, quando então o Espírito dá a impressão de ter se apossado do corpo do médium, esse tipo recebeu o nome de Incorporação. Na verdade, o Espírito não “entra” no corpo do encarnado como parece, mas estabelece uma forte ligação energética e mental com o medianeiro e este, sob sua influência, fala, gesticula, dança e anda. Antes mesmo de ser levado pelos parentes ao centro espírita, Zélio apresentou os primeiros sintomas de mediunidade dessa forma.
Nos dias que antecederam o anúncio da nova religião, o médium de 17 anos portou-se de forma estranha. Algumas vezes encurvava-se e apresentava aparência de um idoso e em outras assumia o aspecto de um homem vigoroso e sisudo. Falava numa língua desconhecida e demonstrava um semblante diferente do habitual. E assim aconteceu até que finalmente abriu os lábios e, com espantosa entrega à força espiritual, revelou a verdadeira intenção dos Caboclos de Aruanda.
Desde então, o contato direto com os Espíritos e a Incorporação estabeleceram-se como sendo uma premissa na Religião de Umbanda. Os curiosos correm aos centros para testemunharem a manifestação e ficam se perguntando para onde terá ido o espírito do médium. Outros, ávidos por obter informações relacionadas ao amor, ao futuro e aos negócios, aproximam-se de alguma Entidade manifestada no médium e travam um interrogatório pouco proveitoso. Outros mais, de maneira piedosa e sincera, recebem passes, curas e orientações acerca da vida espiritual através de um Caboclo ou de um Preto Velho. De qualquer forma, na Religião de Umbanda, os Espíritos encarnados e desencarnados interagem e se comunicam abertamente, fortalecendo a crença de que na verdade ninguém morre, mas apenas passa de uma condição a outra naturalmente.
O contato natural, a comunicação com o mundo espiritual e a interação entre encarnados e desencarnados sempre foi uma busca dos homens. Há muito que as pessoas têm vontade de desvendar os mistérios que rondam o “outro lado da vida”. Desde os primeiros registros da História humana, essa aproximação mais efetiva entre os “dois mundos” foi pretendida, tanto pelos encarnados, quanto pelos Espíritos daqueles que partiram antes dos seus parentes e amigos.
Embora vista com assombro por muitas pessoas, a tentativa de comunicação dos Espíritos ocorreu e ficou registrada em muitos episódios da História. No dia-a-dia, esse contato ocorre imperceptível. Quer seja através de uma simples inspiração ou por meio de um sinal, visto por todos como “um aviso”. Grande parte dos sonhos tem um fundo espiritual. Durante o sono, os Espíritos desencarnados têm a chance de unirem-se aos encarnados em diálogos salutares a ambos.

Julio Cezar Gomes Pinto

O Perfil do Umbandista

Dentre aqueles que freqüentam um terreiro de Umbanda na condição de médium de incorporação destacam-se os que vivem verdadeiramente a fé umbandista. A condição de umbandista não se limita apenas às roupas, às guias, ao ritual ou ao dom que recebeu e aprendeu a desenvolver ao longo dos anos. A pessoa umbandista vai além das paredes, muitas vezes caiadas, dos templos e das tendas. Há quem diga que umbandista é aquela pessoa que faz parte de um terreiro e que serve de “cavalo” para os Caboclos e Pretos Velhos. Ora, sabe-se que todo aparelho de uma dessas Entidades é um umbandista porque faz parte da religião de Umbanda. Entretanto, ser umbandista é algo mais profundo do que apenas uma apresentação exterior de força espiritual ou trabalho mediúnico. O umbandista, antes de qualquer coisa é um indivíduo comum, suscetível a erros e tropeços, que tem uma vida cotidiana como a de qualquer ser humano e que também está sujeito a enfermidades, violências e também à morte do corpo. O umbandista não é nenhum super-homem, e tampouco um poderoso mensageiro dos céus. Pelo contrário, é mais um entre os milhões de espíritos que estão no Planeta com a árdua e necessária tarefa de resgate dos erros cometidos em vidas anteriores.
Uma das grandes características do umbandista que vive a religião que professa é a abnegação, particularidade muito bem exemplificada por Jesus e por tantos outros que se entregaram totalmente em favor de outrem. O ato de sacrificar a própria vida pelo bem comum deu ao Galileu o título de grande exemplo a ser seguido por todos aqueles que quiserem estufar o peito e dizer que são umbandistas. Primeiramente é necessário saber doar-se em favor do próximo.
Não há hoje em dia a necessidade de pendurar-se numa cruz, ou receber uma coroa feita de galhos cheios de espinhos, como Jesus fez há dois mil anos. Mas, é preciso entregar-se diariamente em favor dos outros num trabalho contínuo de sacrifício do Ego.
O umbandista precisa ser abnegado. Não se importando com o que acontecerá a si mesmo, ele dá tudo o que tem para que os seres à sua volta se sintam felizes de alguma forma. Esta abnegação, porém, é exercida de forma desinteressada, gratuita mesmo. A palavra gratuita vem de “graça”, ou seja, aquilo que é dado ou feito sem esperar nada em troca. Nenhuma riqueza, nenhum benefício ou qualquer outra coisa que possa servir de pagamento pelo favor prestado.
Exercitando a abnegação (ato de negar-se a si mesmo), o umbandista é capaz de “emprestar” seu corpo e seu intelecto aos Caboclos, sem desejar alguma bênção especial. É capaz de estender a mão aos amigos e aos inimigos sem exigir deles a gratidão ou o reconhecimento. É capaz de perdoar aqueles que o ofenderam, sem jogar-lhes na face, a culpa. Praticando a abnegação, muitas vezes, o umbandista despende seu tempo, suas roupas, seus recursos, sua saúde e seus tesouros mundanos em prol de alguém que nem mesmo conhece. Há muitos exemplos disso nas parábolas proferidas por Jesus. A do bom samaritano é o maior de todos.
A pessoa que, sob qualquer desculpa, solicita ou recebe alguma remuneração pelo bem que prestou, está longe de dizer que verdadeiramente é umbandista. Se, em algum momento, esperou dos irmãos, sejam eles encarnados ou desencarnados, qualquer recompensa, está longe do que realmente deve ser um Filho de Umbanda. Se qualquer ato que beneficiou o irmão foi, de alguma forma, “pago”, deixou de ser uma atitude abnegada para ser apenas um negócio.
A comercialização, nesses casos, não é apenas a troca de serviços por bens monetários, como pensa a maioria. Trata-se também das vantagens que muitos membros da religião esperam receber por estarem fazendo o que lhes é de obrigação fazer. Desprovidos de qualquer sentimento tipicamente humanista, existem muitos umbandistas que cobram dos Mensageiros de Aruanda alguma vantagenzinha, algo extremamente egoísta e mesquinho. É aquele que vê na tal caridade que praticou no terreiro a oportunidade de ganhar a simpatia do Chefe ou da Mãe de Santo e, com isso, obter favores. É também aquele que espera um reconhecimento público da caridade prestada, e torna-se – em muitos casos – um vaidoso e exibido médium sempre querendo “dar” mais alguma coisa em troca de outra.
Aquele que faz da caridade um trampolim para “subir” na vida, já deixou a abnegação para trás há muito tempo. Aquele que achou no serviço em favor do próximo uma oportunidade para “ganhar a vida” perdeu a chance de abnegar-se pelo irmão. E aquele que diz que ostenta a bandeira da Caridade – palavra de ordem maior da Umbanda – jamais deve trocá-la por alguma ninharia ou por uma grande soma. Mas, deve procurar conservar essa grande característica do real religioso umbandista: a abnegação!

Julio Cezar Gomes Pinto

Deus, o Divino Criador

A noção da existência de um Ser Superior é algo inato na espécie humana. Desde os primórdios, o homem já concebia a idéia de Alguém ou alguma “Coisa” maior do que ele mesmo. E nisso sempre tiveram razão, pois o ser humano é uma criatura que surgiu da vontade desse Ser Superior.

Deus é a fonte primordial de todos os eventos criadores. Já foi descrito como o Supremo Criador; o Incriado; o Princípio, o Meio e o Fim; o Senhor; o Deus dos Exércitos; o Pai; ou simplesmente Deus!
“Deus, ou Zambi, ou Olorum, ou Tupã, é para os umbandistas o princípio dos princípios; o mistério de todos os mistérios; o Pai de todos os pais; o Divino Criador!” (1)
“Por princípio dos princípios entendemos que tudo tem origem n’Ele e que fora d’Ele nada existe. E, como do nada coisa alguma deriva, então todos os princípios surgem a partir d’Ele, que é a origem de todos eles.”(1)
Podemos tomar como exemplos de princípios a evolução, a reprodução, a ordem, etc. Todos esses princípios estão em Deus. Tiveram origem n’Ele, estão em tudo o que ele criou e pode ser identificado como princípios. Por ser Deus eterno, também são eternos e imutáveis os seus princípios. Nada pode mudar aquilo que é princípio divino.
A ordem é um princípio que torna perfeitas todas as coisas criadas por Deus. É por força desse princípio que os astros permanecem numa órbita imutável e perene. Os homens, suas criaturas, não podem alterar tal coisa e, por mais que se esforcem, não conseguirão criar algo semelhante.
“Deus é único, e o que Ele gera, o faz por meio de processos específicos e que só servem para cada uma das espécies que gera. Logo, cada coisa gerada por Ele tem sua gênese específica que, no entanto, é reprodutora e multiplicadora...” (2). No DNA humano está configurada essa gênese da espécie humana. Pode haver alterações no DNA, mas ele continuará perpetuando a espécie, e mais seres humanos continuarão sendo gerados através desse complexo processo da Criação. Por isso, ao contrário do que dizem alguns pesquisadores teóricos, jamais uma espécie gerará outra diferente da própria. Jamais um quadrúpede poderá gerar um ser humano e vice-versa, e jamais uma árvore terá condições de gerar uma pedra.
“... Deus é infinito em si mesmo e tudo o que gera, gera infinitamente, pois após o início de uma geração, esta traz em si o meio de reproduzir-se e de multiplicar a sua espécie inicial e original que a distingue como mais uma geração d’Ele” (2). O fato de ser Deus infinito é o que torna infinito o Espírito humano, pois jamais terá fim aquilo que é uma porção de Deus. Assim sendo, cai por terra toda doutrina de que Deus enviará para a destruição eterna os Espíritos que erraram nessa ou em outra vida.
Essa idéia de que Deus está em tudo o que Ele criou não quer dizer que toda a criação é por isto mesmo também Deus. Deus não é a criatura que foi gerada por Ele, mas as criaturas compartilham em graus mais ou menos elevados uma porção de Sua Presença e dos seus princípios. O salmista Davi já percebia isto quando dizia que é impossível fugir de Deus, pois onde quer que se vá, lá está o Criador (3).
Pelo fato de se perceber Deus em toda a criação é que os homens acreditavam que tudo em a Natureza era Deus. Da mesma forma, os princípios de Deus também estão presentes na Natureza, como o Princípio da Reprodução. Isto confundia ainda mais os homens da antiguidade, pois eles achavam que pelo simples fato de reproduzirem constantemente os fenômenos até então inexplicáveis, as forças da Natureza eram deuses.


(1) SARACENI, Rubens. Deus. In: Tratado Geral de Umbanda, São Paulo; Madras, 2005; p. 13.

(2) SARACENI, Rubens. Divindades; Introdução da Gênese e Fatores. In: Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, São Paulo; Madras, 2005; p. 49-53; 73.

(3) ALMEIDA, João Ferreira de. Salmo 139. In: Bíblia Sagrada. São Paulo; Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.

Os Sagrados Orixás

Os Orixás, dentro da Religião de Umbanda, são as Divindades que influenciam através de suas irradiações, a vida de todos os seres criados por Deus. "Os Orixás são as Divindades às quais Deus confiou as suas qualidades Divinas e que são os seres superiores responsáveis pela concretização de sua infinita obra colocada à disposição de todos os seres, de todas as criaturas e de todas as espécies que Ele criou." Define Rubens Saraceni no livro psicografado "O Código de Umbanda".

A palavra Orixá (ou Orïsá) é de origem africana, uma herança legada pelos irmãos Iorubás e significa "Senhor da cabeça", conforme definido por vários estudiosos dos cultos afro-brasileiros.

Na África, um Orixá é considerado um Espírito Ancestral, fundador e formador de determinadas tribos e povos. Devido ao fato de haver muitos dialetos naquele continente, sempre ocorria de um mesmo Orixá possuir vários nomes, e ser cultuado de diferentes formas.

Conforme as crenças de cada tribo ou nação, um mesmo Orixá tinha diferentes aspectos, arquétipos, cores, domínios e natureza.

"Cada um dos sagrados orixás, prossegue Rubens, é uma Divindade unigênita (única gerada por Deus) dotada do poder Divino de transmitir sua qualidade e caráter Divino aos seres, às criaturas e às espécies. Este fato que os distingue como auxiliares diretos do Criador do Universo e Divinos pais dos seres, denominados seus filhos: regentes das criaturas, denominados seus animais, e das espécies, denominados seus vegetais, suas plantas e suas folhas".

Apesar de não se ater às lendas, a Religião de Umbanda não as critica, nem tampouco discrimina os irmãos da Religião de Candomblé e outras mais que amam os Orixás e os cultuam baseados naquilo que foi transmitido de pai para filho desde o continente africano até o Brasil.

Os umbandistas reverenciam os Orixás naquilo que são e que foram definidos pelos mentores espirituais da Religião de Umbanda: polarizadores das Irradiações Divinas, os quais são os responsáveis pela concretização da obra de Deus. Não são Deuses, como muitos pensam, mas Seres Superiores, os quais possuem uma Natureza Divina, pois têem uma relação direta com Deus, o Criador, e por isto, ";manifestam-no o tempo todo em suas ações" (Rubens Saraceni, em Tratado Geral de Umbanda, Ed. Madras).

Na Umbanda, os Orixás são as Divindades que têm a incumbência de transmitir e manifestar as Irradiações de Deus em toda a sua criação. São eles que estão assentados em Tronos diante de Deus e tornam-se assim seus representantes diretos. São esses Tronos que, dentro de suas hierarquias e atribuições individuais, concretizam a Fé e a religiosidade nas pessoas; aplicam e ordenam a Lei Maior; estabelecem a Justiça; estimulam o Conhecimento; promovem a Vida; favorecem a Evolução e conduzem os seres a se unirem e se amarem. Esses Tronos formam o que na Umbanda ficou conhecido como as Sete Linhas.

Por serem responsáveis diretos pelas manifestações de Deus na Terra, os Orixás foram confundidos dentro da Religião de Umbanda como sendo eles mesmos as Sete Linhas. Não é bem assim. Eles são, na verdade, os polarizadores dessas Linhas de Força. São como Embaixadores, e não constituem, em si mesmos, a própria embaixada.

As religiões e cultos africanos sempre tiveram como característica a transmissão de seus dogmas e de suas tradições por via oral, de geração a geração. Devido a isto, muitas coisas se perderam no tempo e muitos nomes de Orixás foram mudando conforme se passavam os anos. Os atos heróicos de seus ancestrais receberam aspectos fantásticos, sobrenaturais e as lendas foram se sucedendo aos montes, de forma que não se sabe hoje em dia qual seria a lenda que deu origem a todas as outras.

Cada nação, cada povo, cada tribo, possuía seu Orixá protetor e, somente a ele, definia o culto e prestava a homenagem devida. Muitas vezes, as guerras entre tribos ocorriam devido a isto.

Da mesma forma como faziam os povos do Oriente e do Ocidente, os africanos também defendiam sua religião e o nome de seus "deuses"; se fosse preciso na base da lança e da espada. A cada vitória alcançada ou derrota obtida, uma nova lenda surgia, sempre com uma lição de moral ao fundo.

As Linhas de Trabalho

"Os Espíritos têm muitas vias evolutivas à disposição e seguem aquela que se mostra mais afim com suas naturezas íntimas e suas expectativas sobre seus futuros.
Entre estas vias, algumas são tão atrativas que se tornam "religiões" aqui no plano material.
A Umbanda Sagrada é uma dessa vias evolutivas, pois a quantidade de espíritos que afluem para ela é tão grande que foi preciso criar linhas ou correntes espirituais para acomodar tantos espíritos ávidos por manifestarem-se por intermédio da incorporação mediúnica.
Essas linhas cresceram tanto que formaram hierarquias, todas pontificadas por espíritos mentores de Umbanda.
Elas têm nomes simbólicos, sempre associados aos elementos da natureza, aos vegetais, aos animais, às cores, etc.
Entre tantos espíritos destacamos os que denominamos "guias de lei" (...), Espíritos que já se assentaram à direita e à esquerda dos Sagrados Orixás e os servem religiosa e magisticamente, sempre trabalhando em benefício da evolução da humanidade, tanto dos espíritos encarnados quanto dos desencarnados.
(...) Trabalham como agentes da Lei Maior e da Justiça Divina e atuam como transmutadores carmáticos, como refreadores das investidas de espíritos trevosos, como anuladores de magias negativas e como atratores naturais de espíritos menos evoluídos ou ainda inconscientes da grandeza da obra divina existente dentro no nosso planeta, e que não se limita só à dimensão espiritual. (1)"
"A Umbanda é uma religião aberta a todos os espíritos, tanto encarnados quanto desencarnados. Para ela afluem milhões de espíritos de todo o planeta, oriundos das mais diversas religiões e rituais místicos, mesmo de religiões já extintas, tal como a caldéia, a sumeriana, a persa, a grega, as religiões européias, caucasianas e asiáticas.

O Ritual Africano entrou com as suas linhas de forças atuantes, e os ameríndios, tais como índios brasileiros, os incas, os astecas e maias e os norte-americanos entraram por terem sido extintos, ou por estarem em fase de extinção e não quererem deixar perder o saber acumulado nos milênios em que viveram em contato com a Natureza (1)."
"Por isso, tanto os negros africanos como os índios já desencarnados se uniram à Linha do Oriente e fundaram o Movimento Umbandista ou Ritual de Umbanda, o culto às forças puras da Natureza como manifestação do Todo-Poderoso.
Cada um entra com o seu saber, poder e magia, mas todos seguem as mesmas ordens de trabalho. Podem sofrer pequenas variações, mas a essência permanece a mesma. A variante que se adaptar melhor irá predominar no futuro. Por enquanto, a Umbanda é um laboratório religioso para experiências espirituais (1)."
 
"Por ser um ritual de ação positiva sobre a humanidade, (a Umbanda) atrai milhões de espíritos sedentos de ação em benefício dos semelhantes. Milhões deles já foram doutrinados e anseiam por uma oportunidade de comunicação oracular com o nosso plano. Todos têm algo a nos ensinar e falta-lhes a oportunidade.
Não se incomodam em se manifestar em templos humildes, cômodos pequenos, à beira-mar, nas matas, nas cachoeiras, ou mesmo numa reunião familiar. Estão sempre dispostos a nos ouvir e a ensinar. Sempre solícitos e pacientes, não se incomodam com a nossa ignorância a respeito dos mistérios sagrados.
Têm um saber muito grande, mas conseguem comunicar-se de uma forma simples. Têm o saber que nos falta e a paciência com nossos erros que os encarnados não têm. São maravilhosos pela simplicidade que nos passam; substituíram os sacerdotes dos rituais da Natureza com perfeição.

As Linhas de Trabalho obedecem a irradiações divinas, mas são regidas pelos Orixás Intermediadores (os que estão mais próximos de nós).
As Linhas de Trabalho são atratoras dos espíritos que buscam uma oportunidade de evolução dentro da religião.
Quando um guia se apresenta como um Caboclo de Ogum, é porque ele foi absorvido pela Lei Maior, foi incorporado à hierarquia do Orixá Ogum, desenvolveu em si uma das qualidades desse Orixá e atua regido pelo fator ordenador da criação divina.
Encontramos nos nomes simbólicos dos Guias de Lei sua qualidade e sua qualificação ou campo de atuação.Temos Caboclos de Oxalá, Oxóssi, Xangô, Ogum, Iemanjá, Iansã, etc.
Por exemplo, o Caboclo Sete Espadas é um Caboclo de Ogum, ordenador nos sete sentidos da vida ou nos sete campos de ação de Ogum, já o Caboclo Sete Flechas, é um Caboclo de Oxóssi, que atua nos campos de Iansã, e assim por diante.
Símbolos, cores, sentidos e nomes afins com divindades sincretizadas são usados e podem ser intrerpretados por analogia ou comparação (1)."
 
 
(1) "As Sete Linhas de Umbanda - A Religião dos Mistérios", págs.139-151 - Rubens Saraceni; Ed. Madras, 2003.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Fim de Ano à Beira-Mar




Despedir-se do Ano que passou e, ao mesmo tempo, comemorar a chegada do Ano Novo à beira-mar parece ser uma obrigação de quase todas as pessoas que residem nas cidades litorâneas. Tornou-se uma tradição nas principais cidades situadas no litoral brasileiro.
De norte a sul do Brasil, todos se vestem de branco, com esporádicas e sutis mudanças ocasionadas pela moda, e correm em direção à praia com flores, champanhes, velas e barquinhos para saudar Iemanjá e receber com alegria o Ano Novo que se aproxima.
Entre os umbandistas esta prática é quase que uma regra, pois é comum acompanhar as Giras de Umbanda processadas ao ar livre, diante de olhares curiosos, céticos, debochados ou respeitosos. Nas tais cidades litorâneas do país, terreiros de Umbanda e barracões de Candomblé, preparam as oferendas e partem, em verdadeira romaria, para a praia.
Pode-se dizer que o fim-de-ano é uma das pouquíssimas oportunidades que os umbandistas têm para realizar oferendas para dois Orixás nos seus pontos de força ao mesmo tempo. Isto porque é na beira-mar onde se encontra o ponto de força maior da Divina Mãe Iemanjá e seu pólo negativo que é o Divino Pai Omulu.
Através da obra mediúnica "O Código de Umbanda", (Editora Madras) de Rubens Saraceni, os mentores espirituais responsáveis pela implantação e divulgação da religião de Umbanda na Terra ensinam que enquanto Iemanjá, Orixá que está assentado num dos pólos do Trono da Geração, tem no mar o seu ponto de força, Omulu tem na beira-mar seu local de grande magnetismo.
Segundo Rubens Saraceni, "Yemanjá, ou Mãe da Vida, é a Senhora da Geração e suas irradiações estimulam os seres a ampararem as criaturas (vidas). Ela é a maternidade que envolve os seres... Ela é a água da vida que vivifica os sentimentos e, em suas irradiações, umidifica os seres, tornando-os fecundos na criatividade (vida)."

"Omulu é negativo e seu magnetismo atrai os seres que se desvirtuaram e se tornaram estéreis. Se não criam mais nada, é hora de serem reduzidos a pó para que, nas águas de Yemanjá, voltem a ser espalhados, e que, no eterno movimento das marés, venham a ser reunidos, umidificados, fertilizados e renasçam para uma nova vida... Yemanjá... fecunda, Omulu... esteriliza. Enfim, são os opostos que regulam a Vida (geração)."


Os Caboclos e Pretos-Velhos da Umbanda conhecem todos esses detalhes, todos esses mistérios, que só agora estão sendo revelados através da psicografia de Rubens Saraceni e, sabiamente incutiram no mental dos Chefes de Terreiro o desejo de levar seus filhos no último dia do ano às praias, para que juntos pudessem prestar a devida homenagem à Mãe da Vida, a Divina Iemanjá. Ao mesmo tempo, todos juntos passaram a reverenciar o seu oposto, o Senhor da Morte, o Divino Omulu, pois assim como o mar é o ponto de força natural de Iemanjá, a beira do mar é o local de grande magnetismo do Orixá Omulu. É o mar, a Grande Calunga, (Grande Cemitério), como definiram os Guias..
E não é para menos. O mar, nas lendas iorubanas, é o Reino da Mãe Iemanjá. É o início da Vida, por isso, foi considerada a Mãe de todos os Orixás, segundo as lendas africanas.
Mas, a visão e o entendimento que os umbandistas devem ter a respeito de Iemanjá estão detalhados minuciosamente nos escritos de Rubens Saraceni, inspirado pelos diletos mentores que trabalham na divulgação e na difusão da religião de Umbanda a partir do Astral.
Inconscientemente, umbandistas e simpatizantes, descem ao santuário de Iemanjá para celebrar uma nova vida que começa. É o Novo Ano que se aproxima e chega no primeiro dia de janeiro.

No livro "Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada" (Editora Madras), Rubens Saraceni explica que "existem locais cujas energias ou cujos magnetismos são mais "puros" e facilitam o contato com o outro "lado" da vida."
"Estes locais são chamados de pontos de forças ou santuários naturais, porque é neles que devemos realizar cerimônias "abertas" nas quais cultuamos, evocamos e entramos em contato mediúnico com nossos guias espirituais e nossos amados pais e mães orixás."
"A beira-mar é um ponto de forças natural e é tido como o altar aberto a todos pela nossa mãe Iemanjá."
As comemorações e oferendas realizadas nas praias das cidades litorâneas é uma perfeita simbologia que aponta para aquilo que Deus realiza através do Trono da Geração, polarizado por Iemanjá e Omulu. É o encontro do que se finda, com aquilo que se inicia. É o encontro da Morte (representado pelo velho ano que se vai) com a Vida (simbolizada com a chegada do ano novo). É uma saudação à Mãe da Vida, através dos fogos de artifício, do espoucar das champanhes, dos sorrisos emocionados de todos e uma reverência ao Senhor da Morte, através dos cânticos de despedida e da emocionante contagem regressiva em uníssono.
Muitos realizam suas comemorações de fim de ano em grandes centros urbanos, dentro de igrejas, em casa ou num clube, mas nada se compara à emoção contagiante de uma "Entrada de Ano Novo" junto ao mar. Todos que assim fizeram experimentaram uma sensação diferente de renovação das forças e da esperança de dias mais felizes e bem aventurados. A irradiação emitida do Alto é incomparável, justamente por causa do que representa o fim e o começo de um período de 12 meses.

Diz Rubens ainda: "O culto aos orixás, sempre que possível, deve ser realizado nos seus pontos de forças ou santuários naturais, porque nesses locais a energia ambiente é mais afim com a deles, e os magnetismos ali existentes diluem possíveis condensações energéticas existentes no campo vibratório das pessoas."
Ao encerrar o velho ano na beira-mar, ou seja, onde termina a terra e começa a água, qualquer pessoa está se desvencilhando de toda velha energia que ficou desgastada pelo ano que se passou e, ao mesmo tempo, está de peito aberto para receber em si a irradiação emitida pelo Trono da Geração que cria no íntimo de cada um o desejo e a certeza de que o Ano Novo será melhor e mais próspero.
Essa é a razão de tanta alegria que sente todo aquele que vai nas praias levar flores, perfumes e manjares para a Mãe D`Água.
O anseio por deixar para trás as coisas ruins e negativas do Velho Ano é o motivo pelo qual as pessoas choram e deixam cair na areia da praia suas lágrimas que, sem o saberem, estão reverenciando o Divino Pai Omulu.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Onde Está Minha Coroa?!




Em alguns terreiros de Umbanda é comum a confirmação ao trabalho de um médium em desenvolvimento através do ritual conhecido pelo nome de Coroação. Já outros terreiros usam o ritual do Amaci (lavagem da cabeça com ervas específicas) como ato confirmatório da preparação ao serviço mediúnico daquele que por alguns meses ou anos freqüentou a corrente e participou das giras de desenvolvimento. Já outros terreiros sequer utilizam algum ritual preparatório. Os chefes verificam a incorporação e o teor de algumas mensagens das entidades incorporadas e depois enviam o médium para o trabalho na corrente. Tais procedimentos, entretanto, variam de uma casa para outra. Como não há nenhuma determinação geral e única, cada agrupamento de umbandistas pratica aquilo que aprenderam com seus pais ou mães de santo e perpetuam o ritual em seus templos.
A coroação do médium não se restringe a apenas uma lavagem de cabeça com ervas aromáticas, ou raspagem, ou cortes, ou quaisquer outros rituais meramente externos de demonstração pública. Considerando todas as etapas do processo de preparação, o médium em desenvolvimento não perde seu tempo em interrogações inoportunas ao Dirigente ou ao Guia-Chefe pelo dia em que será finalmente coroado. A espera é salutar, mas a pressa torna o aprendizado deficiente. A ansiedade, a intemperança e a impaciência são entraves para um saudável processo de aprendizado e um manuseio firme e seguro do seu instrumento de trabalho, a mediunidade.
Uma corrente de Umbanda é composta basicamente de médiuns em preparação, médiuns preparados e Guias Espirituais. O preparo do médium que irá servir de instrumento dos Mentores Espirituais da Umbanda é etapa importante para o bom e seguro trabalho de uma corrente umbandista. Essa preparação engloba tantos passos que grande parte dos médiuns em desenvolvimento desistem do serviço sacerdotal que iriam desempenhar. O fato é que muitos não aprenderam a controlar seus impulsos e gostariam de já estar “trabalhando” com seus Guias. Acreditam que somente o fato de sentir “uma vibração” intensa das Entidades já é suficiente para ouvir o consulente, aplicar-lhe passes e rezas, receitar obrigações, oferendas e banhos ou realizar trabalhos de desmanches de magia – serviço muito perigoso, mas comum nos terreiros de Umbanda.
Os médiuns em preparação, ou em desenvolvimento, desconhecem algumas nuances da mediunidade que podem ser prejudiciais a si mesmos e até mesmo a todo o corpo mediúnico. Não têm a percepção de que a mediunidade pode ser-lhes útil ou poderá se transformar num grande trampolim colocado à beira de um precipício. Tal a necessidade do preparo acompanhado de perto pelo Guia-Chefe e sob os olhos sempre atentos do Dirigente Espiritual do Terreiro.
O médium que age pelo impulso é comparável àquele discípulo que mereceu várias vezes as reprimendas de Jesus Cristo, tamanha era sua impulsividade. Por impulso, Pedro arrancou a orelha de um soldado. Noutra ocasião, o mesmo Pedro que antes havia sido corrigido por Jesus exclamou que iria para a cruz no lugar do Mestre. Também por impulso, o apóstolo respondeu a Jesus, logo depois da Ressurreição, que o amava. O indivíduo que usa a mediunidade sem o devido preparo é como o homem que empunha a espada sem o treino da habilidade: fatalmente alguém sairá ferido no fim das contas.
Pedro teve que aprender a controlar os impulsos e, acima de tudo, a ser paciente. A paciência é uma virtude que deve ser cultivada por todo aquele que deseja servir à Espiritualidade Maior.
O primeiro passo que o postulante ao exercício mediúnico deve dar, a partir da real compreensão do chamado realizado pelos Mentores da Corrente Astral da Umbanda é o abandono dos velhos costumes por uma promessa de grandes resultados futuros. Assim como Pedro abandonou a rede que consertava e iniciou uma trajetória de aprendizado contínuo, o médium em desenvolvimento literalmente lança ao chão os velhos dogmas e as concepções errôneas acerca da vida espiritual, da caridade e do seu papel na vida comum.
As palavras ”é necessário ao homem nascer de novo” implicam em deixar para trás todas as amarras do velho homem que todos levam consigo para as correntes mediúnicas, sejam em formas de pensamentos, atitudes ou visões do exterior. É preciso deixar para trás alguns conceitos que outrora cultivou com tanto afinco e sem resultado concreto, tal como a crença em condenações eternas, ou o temor a um Deus vingativo e cruel, ou a unicidade da existência, ou ainda a religiosa supremacia de uma única raça e a demonização de irmãos e amigos desencarnados. Conceitos que afastam o médium de sua importância no intercâmbio espiritual e o lança a um mundo materialista e obscuro.
A próxima etapa nesse vagaroso processo de aprendizado é a caminhada diária e constante, sempre guiado pelo Mestre e Amigo. Pedro, assim como os demais discípulos, precisou caminhar ao lado de homens que mal conhecia. Alguns deles até mesmo eram mal-vistos pela tradição religiosa da época. E, nessa caminhada diária, muitas coisas viu e ouviu do Mestre Nazareno. Nas idas e vindas pelas terras da Judéia, Pedro atravessou um longo estágio de aprendizado.
O médium em preparação carece de um tempo para assimilar todas as coisas que ouvirá do Guia Espiritual e todas as informações são dosadas diariamente. Não se aprende tudo em um único dia ou em um único mês. É preciso tempo e observação constante de tudo o que estará vivenciando ao longo dos meses. Há que compreender também as diferentes opiniões e modos de agir dos seus irmãos de corrente.


O desenvolvimento envolve, ainda que dolorosamente, a aceitação das diferenças comportamentais, ideológicas, religiosas, sociais e morais de co-participantes dos rituais umbandistas. Mesmo que tenha um pouco mais de conhecimento, não deverá se colocar acima dos demais como o senhor da verdade apontando-lhes as falhas e os tropeços da caminhada.
A oração constante, a busca pela essência divina e o esforço por uma vida espiritual mais elevada devem estar no trabalho individual de preparação ao serviço mediúnico nos terreiros de Umbanda. Para obter grandes e preciosas inspirações dos Mentores de Aruanda, o médium em desenvolvimento colocar-se-á em humilde posição de alma necessitada e buscará a força necessária através de horas de conexão com o Plano Superior. Assim, terá experiência suficiente para discernir entre a comunicação de um Guia Superior ou a ardilosa verborragia de uma Entidade embusteira.
A confirmação para o trabalho mediúnico chegará no tempo certo não sem antes a verdadeira compreensão do ministério repetido várias vezes dentro de si. Como fez o discípulo quando interpelado pelo Cristo sobre o seu amor incondicional. Após a confirmação íntima de sua responsabilidade como médium a serviço da Espiritualidade Maior, virá do Alto o poder necessário para desempenhar o trabalho corretamente. É quando descem da Corrente Astral as irradiações poderosas dos Orixás que formam as Sete Linhas de Umbanda. A partir daí, o médium poderá ter sua “coroa” confirmada pelo Guia Chefe e pelos seus próprios Mentores.






Julio Cezar Gomes Pinto


Casa de Caridade Santo Antônio de Pádua


Guarapari-ES

sexta-feira, 5 de março de 2010

Os Guias de Umbanda



Na Religião de Umbanda manifestam-se Espíritos cujas atividades diferenciam-se pelas missões que cada um assumiu perante a Coroa Regente Planetária. São Espíritos Humanos que têm o grande papel de conduzir as pessoas no melhor caminho. São os Mentores Espirituais que na Umbanda são chamados de Guias.
Os Guias de Umbanda manifestam-se nos Terreiros seguindo um padrão já estabelecido desde a primeira manifestação através do médium Zélio Fernandino de Morais, jovem carioca que aos 17 anos de idade viu-se “incorporado” pelo Espírito que se identificou como Caboclo das Sete Encruzilhadas, nos idos de 1908. A missão desse Espírito ficou definida desde o início: inaugurar um novo culto em solo brasileiro. Um culto em que diversos outros Espíritos se manifestariam com o propósito de evoluírem e ajudarem os irmãos encarnados em sua caminhada terrena. Assim, aos Mentores Espirituais que se seguiram ao Caboclo das Sete Encruzilhadas, deu-se o nome de “Guias”, uma vez que eles começaram a “baixar” nos Centros de Umbanda trazendo a tarefa de guiarem os encarnados.
Um Espírito que se apresentou como Pai Antônio veio logo a seguir dizendo que era um “Preto-Velho”. Ao lado do Caboclo das Sete Encruzilhadas, o Pai Antônio fortaleceu as bases iniciais da Religião de Umbanda através da mediunidade de Zélio de Morais. Enquanto o Caboclo realizava um trabalho pautado na doutrinação e na sedimentação da Nova Religião, o Preto Velho definia seus trabalhos através de rezas, benzimentos e passes de curas. A partir da anunciação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, outros Espíritos “baixaram” nos centros umbandistas apresentando-se com as mais variadas formas fluídicas.
A Religião logo cresceu e, com ela, ampliou-se também a Corrente de outros Espíritos que encontraram na Umbanda uma oportunidade ímpar de acelerar seu processo evolutivo através da Caridade empregada aos irmãos encarnados e desencarnados. Assim, surgiram diversas outras formas fluídicas nas Giras de Umbanda: Crianças, Exus, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos, etc., cada qual com características próprias, maneirismos peculiares e jeitos particulares de trabalhar. Esses Guias de Umbanda compõem o que hoje é chamado de Linhas de Trabalho. As Linhas de Trabalho identificam o campo de ação de cada Entidade.
As Linhas de Trabalho foram, no início da Religião, confundidas com as Linhas Energéticas, ou Linhas Essenciais, que são pontificadas pelos Sagrados Orixás. É primordial que essa diferença seja bem definida para que não haja mais confusões.
Os Guias participam de agrupamentos afins chamados de Falanges. Os Espíritos que pertencem a uma determinada Falange assumem a identificação de seus Chefes Espirituais, cujos nomes determinam o próprio nome da Falange. Daí, cada Espírito que, por afinidade, participa da Falange de “Pai Antônio”, por exemplo, recebe esse nome. Por isso, há tantos “Pais Antônios” trabalhando nos Terreiros de Umbanda. O mesmo acontece com as demais Linhas de Trabalho.
A afinidade dos Espíritos é o que estabelece a qual linha eles irão pertencer. Não é a nacionalidade ou a raça vivida na última encarnação. Claro é que nem todo Espírito que trabalha na Linha de Preto-Velho (ou Linha das Almas – como é chamada em alguns terreiros) foi, de fato, negro ou velho na última encarnação. Nem todo Caboclo foi, no último encarne, um filho de índia (o) com branco (a). Também é certo que nem todo Boiadeiro viveu nos sertões ou nos campos apascentando rebanhos na encarnação passada. Isso explica também o que acontece na Linha das Crianças. Há Espíritos que compõem essa Linha que sequer tiveram alguma encarnação na Terra. São Espíritos Naturais conhecidos como Seres Encantados da Natureza.

Julio Cezar Gomes Pinto