quarta-feira, 2 de agosto de 2023
A Umbanda em Guarapari - A História de Leonor Gomes
quinta-feira, 4 de agosto de 2022
História da Umbanda - Parte 3 - Alabanda... Aumbanda... Umbanda
“Vim para fundar a Umbanda no Brasil. Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos africanos e os índios nativos de nossa terra, poderão trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A pratica da caridade no sentido do amor fraterno, será a característica principal deste culto”.
Zélio revelou que o nome original da religião foi Alabanda, onde Alá é uma palavra árabe que significa Deus e Banda, do lado de. Logo, Alabanda significaria Do lado de Deus. De acordo com Zélio, o nome foi dado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, como uma homenagem ao Orixá Mallet, que era malaio e muçulmano. Um ano depois, em 1909, o Caboclo das Sete Encruzilhadas mudou o nome da religião de Alabanda para Aumbanda, substituindo a palavra árabe Alá (Deus) para a palavra grega que possui o mesmo significado (Aum).
Embora o nome dado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas tenha sido Aumbanda, o que se firmou e acabou sendo divulgado foi Umbanda. Segundo a explicação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, não há nenhuma ligação do nome da religião com o sânscrito ou com o quimbundo, mas apenas com o árabe e com o grego.
sexta-feira, 29 de julho de 2022
História da Umbanda - Parte 1 - Introdução
Graças aos Pretos Velhos e à sua linguagem característica carregada de palavras utilizadas no período colonial brasileiro e aos seus maneirismos na utilização de cachimbos, pembas, velas e rosários, a Umbanda recebeu a fama de ser uma religião africana. Quiseram relegar os amados espíritos conhecidos como Pai Antônio, Pai Joaquim e Maria Conga ao gueto, considerando-os espíritos atrasados e cheios de vícios materiais. Devido aos banhos, remédios, charutos e brados de Caboclos conhecidos pelos nomes de Sete Flechas, Jurema e Pena Branca, lançaram o veredito de que a Umbanda era apenas uma das muitas ramificações da pajelança e dos extintos cultos indígenas brasileiros. Alguns quiseram até mesmo torná-la um pouco mais aceitável, buscando nos antigos povos Maias, Incas e Astecas, a origem milenar dos espíritos que se apresentavam como simples caboclos.
O sincretismo com outras crenças, fato extremamente necessário à expansão da Umbanda, causou comichões em vários teólogos e defensores da fictícia pureza das doutrinas já estabelecidas. A presença de determinadas imagens nos altares de Umbanda, algumas rezas e a utilização de objetos oriundos de ritos católicos despertou o furor de alguns beatos que passaram a acusar os umbandistas de hereges e os chefes de terreiro de falsos profetas da idade contemporânea. Outros, mais enfurecidos, iniciaram uma campanha silenciosa para descrédito da veracidade da existência de personagens históricos como São Jorge e os Santos Cosme e Damião, justamente pelo fato de serem honrados nos Pegis de Umbanda.
Foto do Zélio: Retirado do Site Registros de Umbanda, to texto de Fernando Guimarães
http://registrosdeumbanda.wordpress.com/2009/12/13/o-vereador-zelio-fernandino-de-moraes/
História da Umbanda - Parte 2 - A Anunciação
Qualquer iniciativa de explicação da origem da Umbanda deve levar em conta a importante parcela de colaboração que Zélio Fernandino de Moraes deu para o surgimento do culto que durante muitos anos foi relegado à marginalidade. O novo culto surgido no âmbito doméstico do carioca Zélio não trazia qualquer alusão a práticas criminosas em sua liturgia que contribuísse para uma atitude tão radical por parte de algumas autoridades políticas e religiosas desde então. A Umbanda deu os primeiros passos baseada no ritual que trazia uma liturgia simples, recheada de cânticos, rezas e orações. Grande parte das orações já era conhecida do povo cristão do início do século XX. Os símbolos e os ícones religiosos do primeiro altar levantado em nome da Umbanda pertenciam à crença popular da época, demonstrando, portanto, que o ritual não se baseava numa cultura desconhecida capaz de causar o espanto de ninguém. A mediunidade, mola propulsora da nova religião, era algo já explorado por benzedeiras e rezadores e estudado pelas primeiras congregações espíritas daqueles tempos. As manifestações, contudo, se limitavam a reuniões fechadas ao público comum. A explicação para tanta aversão está na novidade da crença e no preconceito em relação ao “diferente”, já que muitos têm o hábito de rechaçar, por medo ou por falta de conhecimento, aquilo que é novo e estranho.
A história do surgimento da Umbanda a partir da manifestação mediúnica de Zélio de Moraes difundida por todo o território brasileiro merece consideração e estudo profundo.
(¹) A respeito da casa espírita para onde Zélio Fernandino de Moraes fora conduzido, existem controvérsias que carecem de esclarecimentos, uma vez que a veracidade de todos os fatos conhecidos até então entra em conflito a partir do momento em que se torna pública a declaração de Yeda Hungria, Diretora de Divulgação da Federação Espírita de Niterói (atual Instituto Espírita Bezerra de Menezes).
Segundo a Diretora, a Federação não dispunha de sede própria à época dos acontecimentos relativos à visita de Zélio de Moraes, mas tão somente ocupava uma sala no Centro de Niterói, na Rua da Conceição, sendo impossível, portanto, que o Zélio tenha saído rapidamente da sala, buscado uma flor e colocado sobre a mesa de reunião mediúnica. É possível, todavia, que o Zélio tenha sido levado para algum Centro filiado à Federação de Niterói e, devido à repetição da história tradicional, o nome da casa tenha se perdido.
A Ata nº 1 da Federação relata que o presidente à época era o Sr. Eugênio Olímpio de Souza. Também “não consta o nome de nenhum José de Souza entre os membros da diretoria e muito menos na relação de associados. Tampouco consta no referido livro de atas a realização de reunião” no dia 15 de novembro de 1908. É importante ressaltar, entretanto, que por uma estranha coincidência, o sobrenome do presidente da Federação era o mesmo do citado na tradição oral.
Tais informações vieram à tona através do texto “Eis que o Caboclo veio à Terra “anunciar” a Umbanda”, publicado por José Henrique Motta de Oliveira, Mestre em História Comparada - UFRJ/ PPGHC, em História, imagem e narrativas, nº 4, ano 2, abril/2007 – ISSN 1808-9895.
Bibliografia:
SOUZA, Leal. O Espiritismo, Magia e as Sete Linhas de Umbanda. Rio de Janeiro: [s.n], 1933.
GUIMARÃES, Lucília; GARCIA, Éder Longas e MATA VIRGEM, Sociedade Espiritualista. A Origem da Umbanda. Disponível em: http://www2.odn.ne.jp/nec-j/pages/umbanda_orig.htm, Núcleo Espírita Cristão do Japão, último acesso: segunda-feira, 20/04/2009.
OLIVEIRA, José Henrique Motta de. Eis Que o Caboclo Veio à Terra “Anunciar” a Umbanda. Disponível em: http://www.historiaimagem.com.br, História, imagem e narrativas, nº 4, ano 2, abril/2007 – ISSN 1808-9895.
RIBEIRO, Lilia; Lucy e Creuza. Gira da Umbanda, Revista; Ano 1 – Número 1, 1972.
LUA, Brigith. Desenvolvimento Histórico Anterior ao Surgimento da Umbanda. Disponível em Grupo Casa de Umbanda, último acesso: terça-feira, 27/04/2010.
RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado. O Mito de Origem, Uma Revisão do Ethos Umbandista no Discurso Histórico. São Paulo, Abril/2008. Trabalho de conclusão de curso Bacharelado em Teologia Umbandista – FTU Faculdade de Teologia Umbandista.
GUMARÃES, Renato. Registros Umbanda, Blog – Imagens. Último acesso em 13/12/2009.
domingo, 2 de julho de 2017
Desencarna, aos 84 Anos, o Precursor do Espiritismo em Guarapari
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Você Sabia...?
Que a Umbanda é uma religião surgida no Brasil, no início do Século XX, e os primeiros registros históricos informam que isto aconteceu numa sessão espírita?
Que o médium Zélio Fernandino de Moraes recebeu a incorporação de um Espírito que se identificou com o nome de "Caboclo das Sete Encruzilhadas"?
Que o Caboclo das Sete Encruzilhadas, anunciador da Religião de Umbanda, determinou que nos cultos umbandistas não deveria existir o sacrifício de animais e que as vestes ritualísticas dos seus seguidores deveriam ser brancas?
Que dentro da Religião de Umbanda há inúmeras correntes de pensamentos diversificando assim os rituais e as formas de Culto, porém mantendo a essência dos seus fundamentos?
Que no dia 16 de maio de 2012, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.644, a qual institui o Dia Nacional da Umbanda, a ser comemorado todo dia 15 de novembro a partir do ano de 2012?
terça-feira, 12 de junho de 2012
Presidenta Dilma Institui o Dia Nacional da Umbanda
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Antônio, o Santo de Todo o Mundo
Com a desculpa de catequizar os "hereges" da Igreja Grega e os "pagãos" seguidores de Maomé, a Igreja Católica Romana incitava o clero e demais fiéis a saírem em diversas empreitadas a fim de saquear os seus opositores, através do que ficou conhecido como "as Cruzadas".
Foi canonizado pela Igreja em 1232, onze meses após sua morte, pelo Papa Gregório IX. Já o Papa Leão XIII chamou Santo Antônio de "Santo de Todo o Mundo".
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Tanto Barulho Por Nada...
Sob o título "A Prefeita de São Gonçalo não é Mais Importante Que a Umbanda", os umbandistas Átila Nunes e Átila Nunes Neto escreveram a seguinte matéria que serve de reflexão para todos os umbandistas. Esta matéria foi publicada no Site Povo de Aruanda .Assim que surgiu o noticiário sobre a demolição da casa onde Zélio de Moraes nasceu e fundou a Umbanda, no município de São Gonçalo, Rio de Janeiro, conversei com o Secretário de Obras daquela Prefeitura, Valmir Barros.
Aquele imóvel, onde nasceu a Umbanda, hoje é de propriedade de Verônica Matta da Silva Costa, tendo dado entrada do pedido de licença em 13 de abril deste ano.
A licença para demolição foi concedida pela prefeita Aparecida Panisset e a construção de um galpão, no lugar do berço da Umbanda, teve início no último dia 6 de julho.
Esse episódio encerra várias lições para todos nós, umbandistas.
Existem dezenas de terreiros de Umbanda e Candomblé que têm história. E que devem ser preservados, não pelo simples fato de serem terreiros, mas sobretudo, pelo seu significado cultural.
O maior exemplo de preservação de templos históricos vem da Igreja Católica, que – com a ajuda governamental – mantém intactas igrejas centenárias, algumas tombadas e reconhecidas como patrimônio mundial pela Unesco.

Em todo o Brasil, temos terreiros que são conhecidos por denominações diversas: Umbanda, Candomblé, Catimbó, Xangô, Batuque, Jurema etc, conforme o Estado de origem.
Alguns têm quase 100 anos. E devem ser preservados através de um movimento que parta de nossos irmãos em cada estado brasileiro. Como foi a Casa de Menininha do Gantois, na Bahia.
De quem é a responsabilidade nesse episódio de São Gonçalo, em que o centro onde Zélio de Moraes anunciou a criação da Umbanda, foi demolido em abril deste ano?
Vamos aos fatos. E fatos não são opiniões. Fatos são fatos. São inquestionáveis. Aconteceram.
É óbvio que a prefeita evangélica de São Gonçalo, Aparecida Panisset, (que está no segundo mandato), SABIA SIM, que ali era um casarão, onde nasceu a Umbanda, em 1908. Afinal, ela é professora de História.
Ou alguém acha que o prefeito de uma cidade não sabe onde se encontram os mais importantes templos religiosos de seu município?
É zero a possibilidade da prefeita evangélica Aparecida Panisset ignorar que ali era o berço da Umbanda. É CLARO QUE ELA SABIA que ali existia um patrimônio cultural-religioso a ser preservado.
Se tivesse agido como prefeita, como administradora, E NÃO COMO EVANGÉLICA RADICAL, teria decretado o tombamento da casa onde Zélio anunciou a Umbanda.

Dá para imaginar que o prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, desconheça a importância da Igreja da Candelária?
Ou que o prefeito de Salvador ignore a importância da casa de Mãe Meninha do Gantois (que aliás, foi tombada pelo Ministério da Cultura e pelo Iphan)?
Dá para imaginar que o prefeito de São Paulo, ignore a importância da Catedral da Sé?
É óbvio que a prefeita Aparecida Panisset, conhecida pela sua posição religiosa radical, com origem na Igreja Nova Vida (neopentecostal) dificilmente moveria uma palha para desapropriar aquele imóvel, salvando-o da demolição.
A mídia daquela cidade tem denunciado os benefícios governamentais da Panisset destinados aos neopentecostais gonçalenses: igrejas, funcionários, carros e contratação de religiosos.
No seu primeiro ano de governo, segundo a imprensa, Aparecida Panisset ameaçou proibir a tradicional procissão e o tapete de sal de Corpus Christi, tradições católicas.
Numa longa entrevista ao jornal Extra (RJ), Aparecida Panisset se apresenta quase como uma personagem bíblica quando fala de si por meio de parábolas (ver trecho da matéria abaixo)
A prefeita de São Gonçalo, contudo, não é mais importante do que a Umbanda.
Não será pela omissão criminosa da prefeita Aparecida Panisset, que poderia ter impedido a demolição do primeiro imóvel da Umbanda através de um simples decreto de tombamento, que nossa religião deixará de avançar.
Pelo contrário, esse ato covarde só nos anima a avançar mais ainda.
Nenhuma outra religião no Brasil foi mais perseguida, humilhada, vilipendiada e agredida do que a Umbanda. Nenhuma!
Primeiro, foram os colonizadores que impingiram o sincretismo religioso aos escravos.
Depois, vieram as proibições aos cultos, que partiam de ordens das autoridades, chegando ao cúmulo das invasões pela policia dos terreiros, com médiuns presos, atabaques e símbolos religiosos destruídos.
Depois, na década de 80, grupos de ditos neopentecostais, na verdade, membros de seitas eletrônicas, fizeram de tudo para destruir a Umbanda, notadamente no Rio de Janeiro. A certeza de que seriam vitoriosos era tão grande, que partiram para cima da Igreja Católica, chegando a exibir na TV imagens de “bispos” chutando a imagem de Nossa Senhora da Aparecida.

Não conseguiram nos destruir. Não fecharam os terreiros. Não calaram nossos atabaques.
A Umbanda continua. Sem dízimo. Sem recursos. Sem emissoras de Rádio e TV. Sem ajuda do governo. Nada. Continua graças à fé nos espíritos de luz.
Por isso, a demolição da casa onde Zélio de Moraes anunciou a Umbanda, é apenas mais um episódio – doloroso, é verdade – na caminhada da nossa religião.
Daqui a um ano, a hoje prefeita Aparecida Panisset deixará a prefeitura de São Gonçalo. Pode até conquistar um ou outro cargo político. Mas, seu destino final está traçado: o ostracismo, o mais absoluto esquecimento.
Daqui a mais alguns anos, ninguém se lembrará de quem foi Aparecida Panisset. Em São Gonçalo, um ou outro se lembrará da ex-prefeita. Não deixará boas lembranças. Nenhum legado administrativo. Ou grande obra. Nada.
Ninguém no Estado Rio de Janeiro, e muito menos do Brasil, se lembrará de uma prefeita, que num dos municípios com maior desigualdade social do Estado do Rio de Janeiro, foi denunciada por proibir a procissão de Corpus Christi e demolir a primeira casa de Umbanda.
Aparecida Panisset desaparecerá no resíduo da História.
A Procissão de Corpus Christi e a Umbanda continuarão vivas. Vivas na memória e nos corações dos brasileiros.
Átila Nunes e Átila Nunes Neto








