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terça-feira, 1 de agosto de 2023

Linha da Evolução - Obaluayê

Obaluayê (em iorubá: Ọbalúwáiyé), ou, simplesmente Obaluaiê é o orixá da cura em todos os seus aspectos, da terra, do respeito aos mais velhos e protetor da saúde. É chamado sempre que necessário para o afastamento de enfermidades. 

Todo esforço para manter o equilíbrio mental, físico, emocional ou espiritual também é uma forma de cultuar este orixá. Como as coletividades também adoecem, todo esforço para aqueles que nos cercam ou para melhorar o mundo em que vivemos também é uma forma de cultuar Obaluaiê. Ao contrário do que pensam, ele não é o deus da morte, dos mortos, do cemitério ou das almas que lá habitam. O que acontece, é que por ser o orixá que promove a cura para as enfermidades, automaticamente ele está sempre próximo a Iku (orixá responsável por tirar a vida), pois ele promove a cura para aqueles que estão perto da morte.

Com a aglutinação de Orixás  promovida pela diáspora africana, Obaluaiê é constantemente confundido com Sapatá, o vodum da tradição da Nação Jeje , e especialmente com o orixá Omolu e difundido até que são a mesma divindade. Esse equívoco ocorre principalmente, pelo motivo de os dois orixás terem domínios sobre a cura e doenças, e os dois usarem Xaxará (cetro feito com palha de dendezeiro). Outro fator que promoveu essa confusão, é que Obaluaiê é uma flexão dos termos: Oba (rei) – Oluwô (senhor) – Ayiê (terra), ou seja, “Rei, senhor da Terra”. Omulu também é uma flexão dos termos: Omo (filho) – Oluwô (senhor), que quer dizer “ Filho e Senhor”.

Tradicionalmente, Obaluaiê, o mais moço, é o guerreiro, caçador, lutador. Omulu o mais velho, é o sábio, o feiticeiro, guardião. Porém, ambos têm a mesma regência  e influência. No cotidiano significam a mesma coisa, têm a mesma ligação e são considerados a mesa força da natureza. Outro resultado da diáspora foi a adição de palhas em suas vestimentas, resultante pela mistura de cultos com o vodum Sapatá e com o orixá Omolu, que originalmente usam palhas, diferente de Obaluaiê, que em seu culto original não usa.

O calor também é uma propriedade de Obaluaiê, como a febre, o corpo esquentando para expulsar uma doença, é Obaluaiê agindo no corpo do ser humano, assim como o calor que vem das profundezas da terra. Por isso, todo tipo de sacrifício ou oferenda para Obaluaiê deve ser feito durante o dia, nunca a noite, quando a temperatura está mais alta.

Seus poderes e as magias de seu culto são usados contra todo tipo de enfermidades, mas particularmente contra as doenças de pele, inflamações, e doenças transmitidas através do ar que possam causar epidemias. Também são usadas para curar pessoas com problemas de convulsão, epilepsia e catalepsiaO mês de agosto na Umbanda é dedicado a Obaluayê, quando os terreiros enchem de pipoca e saúdam este grande Orixá da Cura.

Obaluaiê é uma flexão dos termos: Oba (rei) – Oluwô (senhor) – Ayiê (terra), ou seja, “Rei, senhor da Terra”. Omulu também é uma flexão dos termos: Omo (filho) – Oluwô (senhor), que quer dizer “ Filho e Senhor”. Obaluaê, o mais moço, é o guerreiro, caçador, lutador. Omulu o mais velho, é o sábio, o feiticeiro, guardião. Porém, ambos têm a mesma regência  e influência. No cotidiano significam a mesma coisa, têm a mesma ligação e são considerados  a mesma força da natureza.

Acredita-se que Obaluaiê e Xapanã (Orixá oriundo de Empé) são a mesma divindade por serem relativamente semelhantes, mas mesmo assim, com algumas diferenças. Costuma-se dizer que o nome Xapanã é tabu, preferindo-se referir-se a ele como Obaluaiê ou Omolu, ainda que no Batuque do Rio Grande do Sul este nome seja pronunciado de maneira genérica. Enquanto Xapanã é o orixá que foi criado por Olodumarê e desceu para o Aiê para ajudar a criar o mundo, Obaluaiê é o homem, que teve uma vida própria, normal, mas que se tornou orixá pelo seus poderes (iguais aos de Xapanã) e pela sua sabedoria (Referência: "Notas sobre os Orixás e Voduns" - Pierre Verger).

Outra teoria é que Obaluaiê seria uma encarnação de Xapanã. Tem-se então que seu verdadeiro nome seja Xapanã (em iorubá, varíola), e que dizer esse nome poderia causar varíola àquele indivíduo, ou até mesmo causar uma epidemia de varíola na cidade. Portanto, o nome Xapanã era usado somente durante os rituais litúrgicos.

Obaluaiê possui total controle sobre o ajogum Arum (doença), em que afasta este ajogum (seres que lutam contra a humanidade) da pessoa e das comunidades quando chamado, mas que também pode ser seu grande aliado quando decide punir alguém, por roubar, ser mau-caráter, etc. E principalmente pelas coisas que este orixá mais condena, que é o envenenamento, a mentira e a feitiçaria. Por este motivo, em terras africanas o ibá de Obaluaiê sempre fica afastado das cidades, para que este orixá não puna as pessoas que agirem de forma que ele decida que mereça uma punição.

Obaluaiê (ou Omulu) é o Sol, a quentura e o calor do astro rei. É o Senhor das pestes, das moléstias contagiosas, ou não. É o rei da Terra, do interior da Terra, e é o Orixá que cobre o rosto com o Filá (de palha da Costa), porque para os humanos é proibido ver seu rosto, pela deformação feita pela doença, e pelo respeito que devemos a este poderosíssimo Orixá.

Obaluaiê rege a saúde, os órgãos e o funcionamento destes. A ele devemos nossa saúde e é comum, nas Casas de Santos, se realizar os Eboris de Saúde, que fazem pra trazer saúde para o corpo doente. O órgão central da regência de Obaluaê é a bexiga, mas está ligado a todos os outros. Ele trata do interior, fundamentalmente, mas cuida também da pele e de suas moléstias. Divide com Iansã a regência dos cemitérios, pois ele é o Orixá que vem como emissário de Oxalá para buscar o espírito desencarnado. É Obaluaiê (ou Omulu) que vai mostrar o caminho e servir de guia para aquela alma.

Obaluaiê também é o Senhor da Terra e das camadas de seu interior, para onde vamos todos nós. Daí a ligação que tem com os mortos, pois ele é quem vai cuidar do corpo sem vida, e guiar o espírito que deixou aquele corpo. O sol também tem a sua regência. Ele também é o Calor provocado pelo sol quente. Há quem diga que não se deve sair à rua quando o Sol está quente sem a proteção de um patuá, a fim de não correr o riscos e não sofrer a ira de Obaluaiê, geralmente fatal.

Obaluaiê está presente em nosso dia-a-dia, quando sentimos dores, agonia, aflição, ansiedade. Está presente quando sentimos coceira e comichões na pele. Rege também aqueles que tem problemas mentais, perturbações nervosas. Está presente nos hospitais, casa de saúde, ambulatórios, postos de saúde, clínicas, sempre próximo aos leitos. Rege os mutilados, aleijados, enfermos. Ele proporciona a doença mas, principalmente, a cura, a saúde. É o Orixá da misericórdia.

Obaluaiê é a força da Natureza que rege o incômodo de um modo geral. Rege o mal estar, o enjôo, o mal humor, a intranqüilidade. É o Orixá do abafamento e está presente nele, bem como na má digestão e na congestão estomacal. Gera o ácido úrico e seus efeitos.Obaluaê está presente em todas as enfermidades e sua invocação nessas horas pode significar a cura e a recuperação da saúde.

Seus instrumentos são a lança, indicando sua ligação com a guerra (já que quando humano era um guerreiro), uma pequena cabaça com feitiços para dar às pessoas que estão doentes e o xaxará (Sàsàrà), espécie de cetro de mão, feito de nervuras da palha do dendezeiro, enfeitado com búzios e contas, em que ele capta das casas e das pessoas as energias negativas, bem como "varre" as doenças, impurezas e males sobrenaturais. Esta representação nos mostra sua ligação a terra. Na Nigéria, os Owo Érindínlogun adoram Obaluaiê e usam, no punho esquerdo, uma tira de Igbosu (pano africano) onde são costurados cauris esó (búzios).

No Brasil, com a mistura do culto de Obaluaiê com orixás que usam palhas, ele usa uma vestimenta de palhas de ìko, é uma fibra de ráfia extraída do Igí-Ògòrò, a palha da costa, elemento de grande significado ritualístico, sua presença indica que algo deve ficar oculto. É composta de duas partes: o "filá" e o "azé". A primeira parte, a de cima, que cobre a cabeça, é uma espécie de capuz trançado de palha da costa, acrescido de palhas em toda sua volta, que passam da cintura. O azé, seu asó-ìko (roupa de palha), é uma saia de palha da costa que vai até os pés em alguns casos. Em outros, acima dos joelhos, por baixo desta saia, vai um xokotô, espécie de calça, também chamado "cauçulu", em que oculta o mistério da morte e do renascimento. Nesta vestimenta, acompanham algumas cabaças penduradas, onde carrega seus remédios. A palha da costa é mais encontrada no norte do Brasil.

No Brasil, a festa anual é o Olubajé (Comer a comida do senhor). São feitas e distribuídas no mínimo nove iguarias da culinária africana (comida ritual), seus "filhos" devidamente incorporados e paramentados oferecem aos convidados e assistentes, em folhas de mamona ilará ou bananeira (aguede), no sentido de prolongar a vida e trazer saúde.


O sincretismo de Obaluaiê com São Roque

São Roque tem sua biografia cercada de dados imprecisos, mas; sabe-se que nasceu e faleceu em Montpellier (França) onde viveu entre 1295 a 1327. Roque era filho de um rico mercador e herdou sua fortuna, a qual; distribuiu aos pobres quando chegou a maioridade. São Roque então deixou os estudos de medicina e passou a praticar o atendimento aos necessitados, realizando diversos milagres. Teve grande atuação em diversas cidades que apresentavam foco da peste negra, para onde se dirigia a fim de curar os doentes. Assim, São Roque contraiu também a peste, e para não contaminar outros isolou-se na floresta, onde teria sido salvo por um cão que levou pão, matando sua fome.

A São Roque são atribuídos diversos milagres na cura de doenças contagiosas, cura de animais, sendo patrono dos cirurgiões. A razão do sincretismo com o orixá Obaluaiê está nos feitos de cura milagrosos realizados pelo santo durante sua vida. São Roque é homenageado na Igreja Católica em 16 de agosto quando Obaluaiê é reverenciado nas Casas de Umbanda.


Fontes:

Crenças e fé: Umbanda: Obaluaê a pipoca e o mês de agosto https://www.sabecaxias.com.br/?p=56022

Orixá de Agosto - https://www.otempo.com.br/o-tempo-contagem/orixa-de-agosto-1.27108

O Sincretismo de Omulu Obaluaiê com São Lázaro e São Roque https://www.raizesespirituais.com.br/o-sincretismo-de-omulu-obaluae/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Obaluai%C3%AA

https://pt.wikipedia.org/wiki/Xapan%C3%A3

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sapat%C3%A1

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Linha da Geração - Omulu

É o orixá que rege a morte, ou no instante da passagem do plano material para o plano espiritual (desencarne)
É com tristeza que temos visto o temor dos irmãos umbandistas quando é mencionado o nome do nosso amado Pai Omulu. E no entanto descobrimos que este medo é um dos frutos amargos que nos foram legados pelos ancestrais semeadores dos orixás em solo brasileiro, pois difundiram só os dois extremos do mais caridoso dos orixás, já que Omulu é o guardião divino dos espíritos caídos. O orixá Omulu guarda para Olorum todos os espíritos que fraquejaram durante sua jornada carnal e entregaram-se à vivenciação de seus vícios emocionais. Mas ele não pune ou castiga ninguém, pois estas ações são atributos da Lei Divina, que também não pune ou castiga. Ela apenas conduz cada um ao seu devido lugar após o desencarne. E se alguém semeou ventos, que colha sua tempestade pessoal, mas amparado pela própria Lei, que o recolhe a um dos sete domínios negativos, todos regidos pelos orixás cósmicos, que são magneticamente negativos. E Tatá Omulu é um desses guardiões divinos que consagrou a si e à sua existência, enquanto divindade, ao amparo dos espíritos caídos perante as leis que dão sustentação a todas as manifestações da vida.
Esta qualidade divina do nosso amado pai foi interpretada de forma incorreta ou incompleta, e o que definiram no decorrer dos séculos foi que Tatá Omulu é um dos orixás mais “perigosos” de se lidar, ou um dos mais intolerantes, e isto quando não o descrevem como implacável nas suas punições.
Ele, na linha da Geração, que é a sétima linha de Umbanda, forma um par energético, magnético e vibratório com nossa amada mãe Yemanjá, onde ela gera a vida e ele paralisa os seres que atentam contra os princípios que dão sustentação às manifestações da vida. Em Tatá Omulu descobri o amor de Olorum, pois é por puro amor que uma divindade consagra-se por inteiro ao amparo dos espíritos caídos. E foi por amor a nós que ele assumiu a incumbência de nos paralisar em seus domínios, sempre que começássemos a atentar contra os princípios da vida. Enquanto a nossa mãe Yemanjá estimula em nós a geração, o nosso pai Omulu nos paralisa sempre que desvirtuamos os atos geradores.
Mas esta “geração” não se restringe só à hereditariedade, já que temos muitas faculdades além desta, de fundo sexual. Afinal, geramos idéias, projetos, empresas, conhecimentos, inventos, doutrinas, religiosidades, anseios, desejos, angústias, depressões, fobias, leis, preceitos, princípios, templos, etc. Temos a capacidade de gerar muitas coisas, e se elas estiverem em acordo com os princípios sustentados pela irradiação divina, que na Umbanda recebe o nome de “linha da Geração” ou “sétima linha de Umbanda”, então estamos sob a irradiação da divina mãe Yemanjá, que nos estimula.
Mas, se em nossas “gerações”, atentarmos contra os princípios da vida codificados como os únicos responsáveis pela sua multiplicação, então já estaremos sob a irradiação do divino pai Omulu, que nos paralisará e começará a atuar em nossas vidas, pois deseja preservar-nos e nos defender de nós mesmos, já que sempre que uma ação nossa for prejudicar alguém, antes ela já nos atingiu, feriu e nos escureceu, colocando-nos em um de seus sombrios domínios. Ele é o excelso curador divino pois acolhe em seus domínios todos os espíritos que se feriram quando, por egoísmo, pensaram que estavam atingindo seus semelhantes. E, por amor, ele nos dá seu amparo divino até que, sob sua irradiação, nós mesmos tenhamos nos curado para retomarmos ao caminho reto trilhado por todos os espíritos amantes da vida e multiplicadores de suas benesses.
Todos somos dotados dessa faculdade, já que todos somos multiplicadores da vida, seja em nós mesmos, através de nossa sexualidade seja nas idéias, através de nosso raciocínio, assim como geramos muitas coisas que tornam a vida uma verdadeira dádiva divina. Tatá Omulu, em seu pólo positivo, é o curador divino e tanto cura alma ferida quanto nosso corpo doente. Se orarmos a ele quando estivermos enfermos ele atuará em nosso corpo energético, nosso magnetismo, campo vibratório e sobre nosso corpo carnal, e tanto poderá curar-nos quanto nos conduzir a um médico que detectará de imediato a doença e receitaria medicação correta.
O orixá Omulu atua em todos os seres humanos, independente de qual,. seja a sua religião. Mas esta atuação geral e planetária processa-se através de, uma faixa vibratória especifica e exclusiva, pois é através dela que fluem as irradiações divinas de um dos mistérios de Deus, que nominamos de “Mistério da Morte”. Tatá Omulu, enquanto força cósmica e mistério divino, é a energia que se condensa em torno do fio de prata que une o espírito e seu corpo físico, e o dissolve no momento do desencarne ou passagem de um plano para o outro.
Neste caso ele não se apresenta como o espectro da morte coberto com manto e capuz negro, empunhando o alfanje da morte que corta o fio da vida. Esta descrição é apenas uma forma simbólica ou estilizada de se descrever a força divina que ceifa a vida na carne. Na verdade, a energia que rompe o fio da vida na carne é de cor escura, e tanto pode parti-lo num piscar de olhos quando a morte é natural e fulminante, como pode ir se condensando em torno dele, envolvendo-o todo até alcançar o espírito, que já entrou em desarmonia vibratória porque a passagem deve ser lenta, induzindo o ser a aceitar seu desencarne de forma passiva.
O orixá Omulu atua em todas as religiões e em algumas é nominado de “Anjo da Morte” e em outras de divindade ou “Senhor dos Mortos”. No antigo Egito ele foi muito cultuado e difundido e foi dali que partiram sacerdotes que o divulgaram em muitas culturas de então. Mas com o advento do Cristianismo seu culto foi desestimulado já que a religião cristã recorre aos termos “anjo” e “arcanjo” para designar as divindades. Logo, nada mais lógico do que recorrer ao arquétipo tão temido do “Anjo da Morte”, todo coberto de preto e portando o alfanje da morte, para preencher a lacuna surgida com o ostracismo do orixá ou divindade responsável por este momento tão delicado na vida dos seres.

Mitologia Africana

O culto a Tatá Omulu surgiu entre os negros levados como escravos ao antigo Egito, que o identificaram como um orixá e o adaptaram às suas culturas e religiões. Com o tempo, ele foi, a partir desse sincretismo, assumindo sua forma definitiva, até que alcançou o grau de divindade ligada à morte, à medicina e às doenças. Já em outras regiões da África, este mistério foi assumindo outras feições e outros orixás semelhantes surgiram, foram cultuados e se humanizaram. “Humanizar-se” significa que o orixá ou a divindade assumiu feições humanas, compreensíveis por nós e de mais fácil assimilação e interpretação.

De origem Jeje, é o deus da varíola, da peste e das doenças da pele. Omolu e Obaluaê, são as manifestações velho e jovem de um mesmo Orixá, chamado Xapanã. Suas cores são o vermelho, o amarelo e o preto, que veste sob capuz de palha-da-costa enfeitado com búzios. Seus colares são também de búzios e contas de louça branca intercaladas com pretas ou, então, brancas intercaladas com pretas e vermelhas. Dança portando um instrumento denominado Xaxará, espécie de cetro. Homenageado às segundas feiras. Sua saudação é Atotô!


Lenda: Houve uma festa e todos os Orixás estavam presentes. Menos Omolu que ficara do lado de fora. Ogum pergunta por que o irmão não vem e Nanã responde que é por vergonha de suas feridas causadas pelas doenças. Ogum resolve ajudá-lo e o leva até a floresta onde tece para ele uma roupa de palha que lhe cobre o corpo todo. O filá! Mas a ajuda não dá muito certo, pois muitos viram o que Ogum fizera e continuavam a ter nojo de dançar com o jovem Orixá, menos Iansã, altiva e corajosa, dança com ele e com eles o vento de Iansã que levanta a palha e para espanto de todos, revela um homem lindo, sem defeito algum.
Todos os Orixás presentes, ficam estupefatos com aquela beleza, principalmente Oxum,que se enche de inveja, mas agora é tarde, Omolu, não quer mais dançar com ninguém.
Em recompensa pelo gesto de Iansã, Omolu dá a ela o poder de também reinar sobre os mortos. Mas daquele dia em diante, Omolu declarou que somente dançaria sozinho!

Tatá Omulu não vibra menos amor por nós do que qualquer um dos outros orixás e está assentado na Coroa Divina, pois é um dos Tronos de Olorum, o Divino Criador.

Atotô, meu pai!


Fontes:
Colégio de Umbanda Pai Benedito de Aruanda
Luna e Amigos

domingo, 10 de junho de 2012

Linha da Evolução - Nanã

A orixá Nanã rege a maturidade e seu campo preferencial de atuação é o racional dos seres. Atua decantando os seres emocionados e preparando-os para uma nova “vida”, já mais equilibrada . Ela rege uma dimensão formada por dois elementos, que são: terra e água. É de natureza cósmica pois seu campo preferencial de atuação é o emocional dos seres que, quando recebem suas irradiações, aquietam-se, chegando até a terem suas evoluções paralisadas. E assim permanecem até que tenham passado por uma decantação completa de seus vícios e desequilíbrios mentais.

Nanã forma com Obaluaiyê a sexta linha de Umbanda, que é a linha da Evolução. E enquanto ele atua na passagem do plano espiritual para o material (encarnação), ela atua na decantação emocional e no adormecimento do espírito que irá encarnar. Saibam que os orixás Obá e Omulu são regidos por magnetismos “terra pura”, enquanto Nanã e Obaluaiyê são regidos por magnetismos mistos “terra-água”. Obaluaiyê absorve essência telúrica e irradia energia elemental telúrica, mas também absorve energia elemental aquática, fraciona-a em essência aquática e a mistura à sua irradiação elemental telúrica, que se torna “úmida”.
Já Nanã, atua de forma inversa: seu magnetismo absorve essência aquática e a irradia como energia elemental aquática; absorve o elemento terra e, após fracioná-lo em essência, irradia-o junto com sua energia aquática.São únicos, pois atuam em pólos opostos de uma mesma linha de forças e, com processos inversos, regem a evolução dos seres. Enquanto Nanã decanta e adormece o espírito que irá reencarnar, Obaluaiyê o envolve em uma irradiação especial, que reduz o corpo energético, já adormecido, até o tamanho do feto já formado dentro do útero materno onde está sendo gerado .
Este mistério divino que reduz o espírito ao tamanho do corpo carnal, ao qual já está ligado desde que ocorreu a fecundação do óvulo pelo sêmen, é regido por nosso amado pai Obaluaiyê, que é o “Senhor das Passagens” de um plano para outro.
Já nossa amada mãe Nanã, envolve o espírito que irá reencarnar em uma irradiação única, que dilui todos os acúmulos energéticos, assim como adormece sua memória, preparando-o para uma nova vida na carne, onde não se lembrará de nada do que já vivenciou. É por isso que Nanã é associada à senilidade, à velhice, que é quando a pessoa começa a se esquecer de muitas coisas que vivenciou na sua vida carnal.
Portanto, um dos campos de atuação de Nanã é a “memória” dos seres. E, se Oxóssi aguça o raciocínio, ela adormece os conhecimentos do espírito para que eles não interfiram com o destino traçado para toda uma encarnação.
Em outra linha da vida, ela é encontrada na menopausa. No inicio desta linha está Oxum estimulando a sexualidade feminina; no meio está Yemanjá, estimulando a maternidade; e no fim está Nanã, paralisando tanto a sexualidade quanto a geração de filhos.
Na “linha da vida”, encontramos os orixás atuando através dos sentidos e das energias. E cada um rege uma etapa da vida dos seres. Logo, quem quiser ser categórico sobre um orixá, tome cuidado com o que afirmar, porque onde um de seus aspectos se mostra, outros estão ocultos. E o que está visível nem sempre é o principal aspecto em uma linha da vida. Saibam que Nanã em seus aspectos positivos forma pares com todos os outros treze orixás, mas sem nunca perder suas qualidades “água-terra”.



OFERENDA

Velas brancas, roxas e rosa; champagne rosé, calda de ameixa ou de figo; melancia, uva, figo, ameixa e melão, tudo depositado à beira de um lago ou mangue.



Fonte: http://www.guardioesdaluz.com.br/umbandamaenana.htm

Os Sagrados Orixás

Os Orixás, dentro da Religião de Umbanda, são as Divindades que influenciam através de suas irradiações, a vida de todos os seres criados por Deus. "Os Orixás são as Divindades às quais Deus confiou as suas qualidades Divinas e que são os seres superiores responsáveis pela concretização de sua infinita obra colocada à disposição de todos os seres, de todas as criaturas e de todas as espécies que Ele criou." Define Rubens Saraceni no livro psicografado "O Código de Umbanda".

A palavra Orixá (ou Orïsá) é de origem africana, uma herança legada pelos irmãos Iorubás e significa "Senhor da cabeça", conforme definido por vários estudiosos dos cultos afro-brasileiros.

Na África, um Orixá é considerado um Espírito Ancestral, fundador e formador de determinadas tribos e povos. Devido ao fato de haver muitos dialetos naquele continente, sempre ocorria de um mesmo Orixá possuir vários nomes, e ser cultuado de diferentes formas.

Conforme as crenças de cada tribo ou nação, um mesmo Orixá tinha diferentes aspectos, arquétipos, cores, domínios e natureza.

"Cada um dos sagrados orixás, prossegue Rubens, é uma Divindade unigênita (única gerada por Deus) dotada do poder Divino de transmitir sua qualidade e caráter Divino aos seres, às criaturas e às espécies. Este fato que os distingue como auxiliares diretos do Criador do Universo e Divinos pais dos seres, denominados seus filhos: regentes das criaturas, denominados seus animais, e das espécies, denominados seus vegetais, suas plantas e suas folhas".

Apesar de não se ater às lendas, a Religião de Umbanda não as critica, nem tampouco discrimina os irmãos da Religião de Candomblé e outras mais que amam os Orixás e os cultuam baseados naquilo que foi transmitido de pai para filho desde o continente africano até o Brasil.

Os umbandistas reverenciam os Orixás naquilo que são e que foram definidos pelos mentores espirituais da Religião de Umbanda: polarizadores das Irradiações Divinas, os quais são os responsáveis pela concretização da obra de Deus. Não são Deuses, como muitos pensam, mas Seres Superiores, os quais possuem uma Natureza Divina, pois têem uma relação direta com Deus, o Criador, e por isto, ";manifestam-no o tempo todo em suas ações" (Rubens Saraceni, em Tratado Geral de Umbanda, Ed. Madras).

Na Umbanda, os Orixás são as Divindades que têm a incumbência de transmitir e manifestar as Irradiações de Deus em toda a sua criação. São eles que estão assentados em Tronos diante de Deus e tornam-se assim seus representantes diretos. São esses Tronos que, dentro de suas hierarquias e atribuições individuais, concretizam a Fé e a religiosidade nas pessoas; aplicam e ordenam a Lei Maior; estabelecem a Justiça; estimulam o Conhecimento; promovem a Vida; favorecem a Evolução e conduzem os seres a se unirem e se amarem. Esses Tronos formam o que na Umbanda ficou conhecido como as Sete Linhas.

Por serem responsáveis diretos pelas manifestações de Deus na Terra, os Orixás foram confundidos dentro da Religião de Umbanda como sendo eles mesmos as Sete Linhas. Não é bem assim. Eles são, na verdade, os polarizadores dessas Linhas de Força. São como Embaixadores, e não constituem, em si mesmos, a própria embaixada.

As religiões e cultos africanos sempre tiveram como característica a transmissão de seus dogmas e de suas tradições por via oral, de geração a geração. Devido a isto, muitas coisas se perderam no tempo e muitos nomes de Orixás foram mudando conforme se passavam os anos. Os atos heróicos de seus ancestrais receberam aspectos fantásticos, sobrenaturais e as lendas foram se sucedendo aos montes, de forma que não se sabe hoje em dia qual seria a lenda que deu origem a todas as outras.

Cada nação, cada povo, cada tribo, possuía seu Orixá protetor e, somente a ele, definia o culto e prestava a homenagem devida. Muitas vezes, as guerras entre tribos ocorriam devido a isto.

Da mesma forma como faziam os povos do Oriente e do Ocidente, os africanos também defendiam sua religião e o nome de seus "deuses"; se fosse preciso na base da lança e da espada. A cada vitória alcançada ou derrota obtida, uma nova lenda surgia, sempre com uma lição de moral ao fundo.

sábado, 26 de novembro de 2011

Linha da Razão - Xangô

"Xangô é um Orixá bastante popular no Brasil e, às vezes, confundido como um Orixá com especial ascendência sobre os demais, em termos hierárquicos. Essa confusão acontece por dois motivos: em primeiro lugar, Xangô é miticamente um rei, alguém que cuida da administração, do poder e, principalmente, da justiça - representa a autoridade constituída no panteão africano. Ao mesmo tempo, há no Norte do Brasil diversos cultos que atendem pelo nome de Xangô. No Nordeste, mais especificamente em Pernambuco e Alagoas, a prática do Candomblé recebeu o nome genérico de Xangô, talvez porque naquelas regiões existissem muitos filhos de Xangô entre os negros que vieram trazidos da África. Na mesma linha de uso impróprio, pode-se encontrar a expressão Xangô de Caboclo, que se refere obviamente a um culto sincretizando influências do culto original com cerimônias e mitos dos indígenas da região, também chamado de Candomblé de Caboclo. Na mitologia, é atribuído a Xangô (enquanto homem, ser histórico) o reinado sobre a cidade-estado de Oyó, posto que conseguiu após destronar o próprio meio-irmão Dada-Ajaká com um golpe militar. Por isso, sempre existe uma aura de seriedade e de autoridade quando alguém se refere a Xangô. Xangô é pesado, íntegro, indivisível, irremovível; com tudo isso, é evidente que um certo autoritarismo faça parte da sua figura e das lendas sobre suas determinações e desígnios, coisa que não é questionada pela maior parte de seus filhos, quando inquiridos. Suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas, hábeis e corretas. Ele é o Orixá que decide sobre o bem e o mal. Ele é o Orixá do raio e do trovão. Miticamente, o raio é uma de suas armas, que ele envia como castigo. Ninguém, porém, deve temer sua cólera como uma manifestação irracional. Xangô tem a fama de agir com neutralidade. Seu raio e eventual castigo são o resultado de um quase proceso judicial, onde todos os prós e contras foram pensados e pesados exaustivamente - a famosa balança da justiça. O símbolo de seu Axé é uma espécie de machado estilizado com duas lâminas, que indica o poder de Xangô, corta em duas direções opostas. O administrador da justiça nunca poderia olhar apenas para um lado, defender os interesses de um mesmo ponto de vista sempre. Segundo Pierre Verger, esse símbolo se aproxima demais do símbolo de Zeus encontrado em Creta. Pierre Verger especifica que esse oxé parece ser a estilização de um personagem carregando o fogo sobre a cabeça; este fogo é, ao mesmo tempo, o duplo machado, e lembra, de certa forma a cerimônia de Candomblé chamada ajerê, na qual os iniciados de Xangô devem carregar na cabeça uma jarra cheia de furos, dentro da qual queima um fogo vivo, demonstrando através dessa prova, que o transe não é simulado." (1)
O Trono da Justiça de Deus Rubens Saraceni explica que Olorum (o Criador) gerou na "Sua qualidade equilibradora de tudo e de todos uma divindade que é em si mesma o Equilíbrio Divino que dá sustentação a tudo o que existe, tanto animado quanto inanimado, surgindo o Trono da Justiça Divina, Divindade unigênita porque é o Orixá do equilíbrio, da razão e do Juízo Divino. Xangô, por ser unigênito e ter sido gerado em Deus, é em si mesmo a Justiça Divina que purifica nossos sentimentos com sua irradiação incandescente, abrasadora e consumidora das emotividades. Mas Xangô, como Qualidade Divina, está na própria gênese das coisas como força coesiva que dá sustentação à forma que cada agregado assume, ou seja, ele está na natureza das coisas como o próprio equilíbrio, pois só assim elas não deixam de ser como são. Ele tanto é o ponto de equilíbrio que dá sustentação à estrutura de um átomo como é a força que dá estabilidade ao universo e a tudo o que nele existe, seja animado, seja inanimado. Xangô também gera em si a qualidade em que foi gerado. Mas ele também gera de si essa qualidade equilibradora e a transmite a tudo e a todos. Quem absorvê-la torna-se racional, ajuizado e ótimo equilibrador, tanto dos que vivem à sua volta como do próprio meio em que vive. Um juiz é um exemplo bem característico dessa qualidade equilibradora irradiada por Xangô, e não importa que o juiz seja um "filho" de outro Orixá, pois a manifestará naturalmente, já que a justiça humana é a concretização da Justiça Divina no plano material. (...) Essa qualidade equilibradora está presente em todos os processos Divinos (criação e geração). Com isto explicado, podemos entender a importância que tem essa Qualidade Divina, que na Umbanda a vemos nos procedimentos retos, justos e ajuizados dos caboclos de Xangô. Por isso, quando evocamos a presença dele, só o fazemos se for para devolver o equilíbrio e a razão aos seres e procedimentos desequilibrados e emocionados, ou para clamar pela Justiça Divina, que atuará em nossa vida anulando demandas cármicas, magias negras, etc., devolvendo-nos a paz, a harmonia e o equilíbrio mental, emocional, racional e até nossa saúde, pois, para estarmos saudáveis devemos estar em equilíbrio vibratório também no corpo físico." (2)
Xangô, segundo a Crença Africana "Obá é a palavra da língua iorubá que designa rei (não confundir Obá (oba), com o Orixá Obá (Òbà), que é uma das esposas de Xangô). Segundo a mitologia, Xangô teria sido o quarto rei da cidade de Oyó, que foi o mais poderoso dos impérios iorubás. Depois de sua morte, Xangô foi divinizado, como era comum acontecer com os grandes reis e heróis daquele tempo e lugar, e seu culto passou a ser o mais importante da sua cidade, a ponto de o rei de Oyó, a partir daí, ser o seu primeiro sacerdote. Não existem registros históricos da vida de Xangô na Terra, pois os povos africanos tradicionais não conheciam a escrita, mas o conhecimento do passado pode ser buscado nos mitos, transmitidos oralmente de geração a geração. Assim, a mitologia nos conta a história de Xangô, que começa com o surgimento dos povos iorubás e sua primeira capital, Ilê-Ifé, fala da fundação de Oyó e narra os momentos cruciais da vida de Xangô. "No seu auge, o império de Oyó englobava as mais importantes cidades do mundo iorubá, tendo assim o culto a Xangô, que era o orixá do rei ou obá de Oyó, portanto o orixá do império, sido difundido por todo o território iorubano, o que não era muito comum, pois cada cidade ou região tinha os seus próprios orixás tutelares e poucos eram os que recebiam culto nas mais diversas cidades, como Exu, Ossaim e Orunmilá. O fato é que o apogeu da dominação da cidade de Oyó sobre as outras resultou numa grande difusão do culto a Xangô. Durante muito tempo a força militar de Oyó protegeu os iorubás de invasões inimigas e impediu que seu povo fosse caçado e vendido por outros africanos ao tráfico de escravos destinados ao Novo Mundo, como acontecia com outros povos da África." (3) "Quando o poderio de Oyó foi destruído o final do século XVIII por seus inimigos, tanto a capital como as demais cidades do império desmantelado ficaram totalmente desprotegidas, e os povos iorubás se transformaram em caça fácil para o mercado de escravos. Foi nessa época que o Brasil, assim como outros países americanos, passou a receber escravos iorubás em grande quantidade. Vinham de diferentes cidades, traziam diferentes deuses, falavam dialetos distintos, mas tinham todos algo em comum: o culto ao deus do trovão, o obá de Oyó, o Orixá Xangô." (3)
Lendas Africanas "Xangô vivia em seu reino com suas 3 mulheres - Iansã, Oxum e Obá -, muitos servos, exércitos, gado e riquezas. Certo dia, ele subiu num morro próximo, junto com Iansã; ele queria testar um feitiço que inventara para lançar raios muito fortes. Quando recitou a fórmula, ouviu-se uma série de estrondos e muitos raios riscaram océu. Quando tudo se acalmou, Xangô olhou em direção à cidade e viu que seu palácio fora atingido. Ele e Iansã correram para lá e viram que não havia sobrado nada nem ninguém. Desesperado, Xangô bateu com os pés no chão e afundou pela terra; Iansã o imitou. Oxum e Obá viraram rios e os 4 se tornaram Orixás." (4) "Quando Xangô pediu Oxum em casamento, ela disse que aceitaria com a condição de que ele levasse o pai dela, Oxalá, nas costas para que ele, já muito velho, pudesse assistir ao casamento. Xangô prometeu que depois do casamento carregaria o pai dela no pescoço pelo resto da vida; e os dois se casaram. Então, Xangô arranjou uma porção de contas vermelhas e outra de contas brancas, e fez um colar com as duas misturadas. Colocando-o no pescoço, foi dizer a Oxum: " - Veja, eu já cumpri minha promessa. As contas vermelhas são minhas e as brancas, de seu pai; agora eu o carrego no pescoço para sempre." (4)
Oferendas As oferendas para Xangô devem ser depositadas aos pés de uma montanha, pedreira ou uma cachoeira, sempre enriquecidas com velas brancas, vermelhas ou marrons e adornadas preferencialmente com lírios amarelos, brancos ou flores diversas. (2) Compõem ainda as oferendas a cerveja escura, vinho tinto doce e licor de ambrósia. Aos caboclos de Xangô é importante que se oferende também charutos de boa qualidade. (1) - Site www.umbandaracional.com.br; (2) - Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Rubens Saraceni - Editora Madras, 2005; (3) - Página Pessoal de Reginaldo Prandi (Professor Titular de Sociologia da USP); (4) - Site Pallas Editora

Linha da Geração - Iemanjá

Muitas são as formas de cultuar esse Orixá tão querido no meio umbandista. Muitos são os que têm verdadeiro fascínio por Iemanjá e não limitam esforços para realizarem oferendas com champanhe, rosas, espelhos, pentes e perfumes nas praias brasileiras. Não há motivo para apontar essa ou aquela maneira como sendo a correta forma de culto. Da mesma maneira como existem centenas de Orixás na África, diversas são as formas de veneração da Rainha das Águas.
No livro "O Código de Umbanda", do escritor e teólogo umbandista Rubens Saraceni, há uma definição muito precisa da atuação de Iemanjá na vida dos homens e de toda a criação. Segundo Saraceni, "Yemanjá é o Trono Feminino da Geração e seu campo preferencial de atuação é no amparo à maternidade." Isto concorda inclusive com a crença africana que diz que Iemanjá é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento do nascimento, dando-lhes sustentação para a nova vida que surge diante deles.
Iemanjá é provavelmente um dos Orixás mais cultuados pelos umbandistas, ao lado de Ogum, Oxossi e Xangô, principalmente nos lugares onde as Tendas de Umbanda são próximas do mar. Iemanjá é considerada na Umbanda, e também nos cultos de origem africana, a Rainha das Águas, a Mãe Sereia, a Mãe D`Água. É ela que, segundo as lendas africanas, é a mãe dos demais Orixás e aquela que governa as águas dos mares e dos oceanos.
Nas cidades litorâneas, Iemanjá é cultuada no dia 31 de dezembro, quando então milhares de umbandistas e simpatizantes do Ritual reúnem-se à beira-mar para se despedirem do ano que passou e saudar a chegada do Ano Novo. Na Bahia, é cultuada no dia 2 de fevereiro, data em que se homenageia a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes.
Da mesma forma como os demais Orixás do panteão africano, Iemanjá também foi incorporada ao Ritual de Umbanda Sagrada, sendo um dos nomes mais respeitados e reverenciados dentro dos terreiros de Umbanda. A palavra Yemanjá é do Yorubá e significa "mãe dos filhos-peixe", e em alguns Estados ela foi sincretizada nos altares umbandistas com a santa católica Nossa Senhora das Graças, em outros com Nossa Senhora da Glória e ainda Nossa Senhora dos Navegantes.
Saraceni explica mais: "O fato é que o Trono Essencial da Geração assentado na Coroa Divina projeta-se e faz surgir, na Umbanda, a linha da Geração, em cujo pólo magnético está assentada o Orixá Natural Yemanjá e em cujo pólo negativo está assentado o Orixá Omulu."
"Yemanjá, a nossa amada Mãe da Vida é a água que vivifica e o nosso amado pai Omulu é a terra que amolda os viventes..."
"Yemanjá rege sobre a geração e simboliza a maternidade, o amparo materno, a mãe propriamente..."
A ligação de Iemanjá com as águas vai muito além daquilo que as lendas africanas retratam. Os iorubás, através das histórias fantásticas e cheias de simbologia, apontavam para uma das qualidades divinas do Divino Criador. Sem termos suficientes para a época que pudessem expressar toda a ciência que estava por trás das figuras dos Orixás, os iorubás prestavam o culto a Iemanjá e faziam os seus arquétipos sem muita preocupação com o fantasioso e o exagerado. Eram questões de fé, pertencentes exclusivamente aos povos africanos e agora também aos seguidores dos Cultos de Nação.
A simbologia contida na água pode-se verificar até mesmo nos escritos bíblicos. No livro de Gênesis, vê-se a descrição de como Deus retirou das águas a terra seca e fez a separação entre um e outro elemento. Antes da criação da terra seca, o "...Espírito de Deus pairava sobre as águas." A Criação, segundo a Bíblia, teve início nas águas da mesma forma como as lendas africanas retratam Iemanjá e o surgimento dos mares e dos oceanos.


Iemanjá, Segundo a Crença Africana
Seu nome significa Mãe dos Filhos-Peixes. Originária do rio Ogun, em Abeokutá, Nigéria, tem seus domínios nas profundezas das águas, de onde emerge para atender seus devotos, principalmente as mulheres que atribuem a ela poderes que favorecem a fertilidade e a fecundidade. É maternal, sempre pronta para amamentar as crianças sob seu domínio. Mas também sabe ser delicada, mantendo-se contudo pronta para defender seus filhos.
Os filhos de Yemanjá são pessoas autoritárias e persistentes em relação aos próprios filhos. São preocupados, responsáveis e decididos. São amigos e protetores e chegam, quando mulheres, a se comportarem como super-mães. São agressivos e até traiçoeiros, quando a segurança dos filhos e da família está em jogo. São faladores, não gostam da solidão.

Lendas Africanas

Conta uma lenda que Yemanjá, filha de Olokun, era casada com Olófim Oduduá com quem tinha dez filhos orixás. Por amamentá-los, ficou com os seios enormes. Impaciente e cansada de morar na cidade de Ifé, ela saiu em rumo oeste, e conheceu o rei Okerê; logo se apaixonaram e casaram-se. Envergonhada de seus seios, Yemanjá pediu ao esposo que nunca a ridicularizasse por isso. Ele concordou. Porém, um dia, embriagou-se e começou a gracejar sobre os enormes seios da esposa. Entristecida, Yemanjá fugiu.
Desde menina, trazia numa garrafa uma poção que o pai lhe dera para casos de perigo. Durante a fuga, Yemanjá caiu quebrando a garrafa. A poção transformou-a num rio cujo leito seguia em direção ao mar.
Ante o ocorrido, Okerê, que não queria perder a esposa, transformou-se numa montanha para barrar o curso das águas. Yemanjá pediu ajuda ao filho Xangô, e este, com um raio, partiu a montanha no meio. O rio seguiu para o oceano e, dessa forma, Yemanjá tornou-se a Rainha do Mar.

Conta outra lenda que Exu, filho de Yemanjá, se encantou por sua beleza e tomou-a à força, tentando violentá-la. Uma grande luta se deu, e bravamente Yemanjá resistiu à violência do filho que, na luta, dilacerou os seios da mãe. Enlouquecido e arrependido pelo que fez, Exu "caiu no mundo" desaparecendo no horizonte.
Caída ao chão, Yemanjá entre a dor, a vergonha, a tristeza e a pena que teve pela atitude do filho, pediu socorro ao pai Olokun e ao Criador Olorum. E, dos seus seios dilacerados, a água, salgada como a lágrima, foi saindo dando origem aos mares.
Exu, pela atitude má, foi banido para sempre da mesa dos Orixás.

Oferendas
As oferendas para Iemanjá devem ser depositadas sempre à beira-mar. O que não pode faltar são as flores, preferencialmente brancas. Rosas e palmas brancas, angélicas, orquídeas, crisântemos brancos e jasmim podem ser oferecidos a Iemanjá, acompanhados de champanhe, ou leite de côco, ou suco de uvas brancas. Como adorno, podem ser colocadas fitas brancas e azuis, acompanhadas de velas brancas, azuis ou rosas.
É possível também realizar oferendas com manjar de leite de côco, sem açúcar. Canjica branca cozida em água pura, e depois de escorrida, acrescentada com leite de côco em uma tigela branca, enriquecida com mel e uvas brancas por cima.
Outra oferenda pode ser feita com sagu e leite de côco ou tapioca com leite de côco.
As oferendas com comida geralmente são ímas de trabalho, com objetivos específicos que devem ser esclarecidos junto aos mentores espirituais, aos zeladores de Santo, ou Guias de um terreiro.

Linha do Conhecimento - Oxossi

Este Orixá, provavelmente o mais conhecido entre os Umbandistas, é o representante das forças das matas. É Oxossi quem cuida das plantas e dos animais silvestres. Através do sincretismo ficou conhecido também como São Sebastião, o santo católico que teve o corpo perfurado por flechas. O sincretismo com o santo deve-se ao fato de que os símbolos de Oxossi são o arco e a flecha, por isto, seu dia de culto é o dia 20 de janeiro. Esta alusão às matas e aos vegetais, é devido à natureza expansiva de Oxossi. É o Orixá responsável pela conhecimento e pelo raciocínio. As matas estão para Oxossi, assim como os rios estão para Oxum, e as águas do mar estão para Yemanjá. A maior parte dos caboclos trabalham atualmente sob a irradiação de Oxossi, e isto tem razão de ser. A Umbanda é uma religião nova e precisa da irradiação de Oxossi para que possa expandir e tornar-se conhecida pelos homens. Assim como as flechas e lanças usadas pelos índios guerreiros e caboclos são atiradas e direcionadas para a frente, da mesma forma a irradiação de Oxossi faz com que o conhecimento sobre as coisas se processem. Contemplar a figura de São Sebastião é, para os umbandistas, lembrar-se imediatamente de Oxossi. A razão está também no fato de ser a Umbanda uma religião que tem rituais de raízes indígenas. O arco e a flecha são instrumentos claramente indígenas e isto faz com que automaticamente a associação seja reita no mental dos homens. Esta idéia não foi todavia em contraposição com o que a Ciência Divina pretendia ao instaurar a Umbanda nas terras brasileiras. Oxossi é bastante cultuado no Brasil, ao contrário do que ocorre na Nigéria, onde teve origem seu culto. Porém, o culto a Oxossi foi difundido basicamente em Keto (terra dos panos vermelhos), e lá foi consagrado rei. No século XIX, devido ao tráfico negreiro, a cidade de Keto foi praticamente destruída pelos ataques das tropas do rei Daomé. Os filhos consagrados a Oxossi foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba. "O Conhecimento é uma qualidade de Deus e Oxossi é sua divindade unigênita, pois ele é em si mesmo, o Conhecimento Divino que ensina a todos a conhecerem a si mesmos a partir do conhecimento sobre nosso Divino Criador. Olorum gerou em Si o conhecimento sobre tudo o que criou, e porque tem conhecimento sobre toda a Sua criação, então o conhecimento assumiu a condição de uma qualidade Sua, à qual Ele imantou como um dos mistérios da criação, já que gera em Si o conhecimento e é em Si onisciente ou conhecedor de tudo e de todos. Portanto, Oxossi rege sobre o conhecimento e irradia o tempo todo a todos, porque é em Si mesmo o Conhecimento Divino ou a onisciência de Deus." (1) "(...) Seu magnetismo expande as faculdades dos seres, aguça o raciocínio e os predispõe a buscar a gênese das coisas (o conhecimento sobre elas). Logo, Oxossi é o estimulador natural dessa busca incessante sobre nossa própria origem Divina. E quanto mais sabemos sobre ela, maior é o nosso respeito para com a criação e mais sólida é nossa fé em Deus, pois passamos a encontrá-Lo em nós mesmos. Então Oxossi está tanto na Natureza como nos conhecimentos sobre a Criação, assim como está na fé, porque nos esclarece sobre nossa origem Divina e nos ensina a conhecermos Deus racionalmente. Por sua natureza expansiva e seu grau de divindade guardiã dos mistérios da Natureza, Oxossi é descrito nas lendas como um orixá caçador e ligado às matas (os vegetais). Como divindade, ele é o estimulador da busca do conhecimento e guardião dos segredos medicinais das folhas. (...) Oxossi é interpretado como a divindade que atua nos seres aguçando o raciocínio, esclarecendo-os e expandindo as faculdades mentais ligadas ao aprendizado das coisas religiosas, estimulando-os a buscar Deus sem fanatismo ou emotividade, mas com conhecimento e fé." (1) Crença Africana Oxossi, cujo nome significa Caçador Noturno é, segundo a crença africana, "filho de Iemanjá com Orunmilá. É a divinização da floresta, reina sobre o verde, sobre os animais selvagens, dos quais é considerado o dono e dos quais tem todas as virtudes e qualidades. Oxossi é sagaz como o leopardo, forte como o leão, leve como um pássaro, silencioso como um tigre, observador como a coruja, sabe se esconder como um tatu, é vaidoso como o pavão, corre como os coelhos, sobe em árvores como o macaco, conhece os animais profundamente e com eles partilha o conhecimento da Natureza. Oxossi é o deus da caça, ligado às matas, irmão mais novo de Ogum. Também faz parte dos Orixás masculinos do panteão africano cujos princípios também são feitos de ferro." "(...) Sua função é a de protetor dos caçadores, que passam grande parte do tempo em contato com Ossain, a divindade das ervas terapêuticas e litúrgicas, aprendendo com ele parte de seu poder." (2) Lendas Africanas "A cada ano, apósa colheita, o rei de Ijexá saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo à população inhame, milho e côco. O rei comemorava com sua família e seus súditos; só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração, enviaram à festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada. O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se, mas mandou-o embora. Um segundo caçador apresentou-se, este com quarenta flechas; o fato repetiu-se novamente e o rei mandou prendê-lo. Bem próximo dali vivia um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer; ele usava apenas uma flecha vermelha. O rei mandou chamá-lo para dar fim ao pássaro. Sabendo da punição imposta aos outros caçadores, a mãe do jovem caçador, temendo pela vida do filho, consultou um babalaô e os obis mostraram que, se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras, ele teria sucesso. Na entrega da oferenda, o caçador deveria dizer três vezes: que o peito do pássaro receba esta oferenda! E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito. O povo então gritava: Oxó Wussi! (Oxó é Popular!), passando a ser conhecido por Oxossi." (3) Oferendas As oferendas para Oxossi devem ser entregues em matas fechadas, altas, preferencialmente pouco exploradas pelos homens, enfeitadas com fitas verdes, vermelhas ou brancas. Na Umbanda, as oferendas para Oxossi consistem basicamente de velas verdes ou brancas, acompanhadas de flores brancas ou vermelhas, vinho moscatel, mate e água de côco com mel. Devem ser depositadas sobre um tecido de algodão verde ou diretamente sobre a relva. Charutos também são bastante ofertados a Oxossi, especificamente aos caboclos. (1) - Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Rubens Saraceni - Editora Madras, 2005; (2) - Revista Espiritual de Umbanda, n.10 - Editora Escala; (3) - Site "Mundo dos Orixás".

Linha do Amor - Oxum

Doce Amor de Mamãe Oxum

A Orixá Oxum é a irradiação pura do amor e da doçura. Esse sentimento de verdadeira candura já está afixado no mental de todo umbandista.
A irradiação que vem do Alto e penetra os seres criados por Deus, realiza uma admirável transformação no interior dos corações embrutecidos.
Quem não se comove ao contemplar o ícone religioso da Senhora da Conceição que foi sincretizada com a Mãe Oxum? Isto é o resultado do trabalho silencioso e metódico dos Guias e Orixás.
Tão belo é o sentimento que este Orixá desperta nas pessoas que até mesmo cantores consagrados como Elba Ramalho e Zeca Baleiro, gravaram e incluíram em seus repertórios músicas em honra à doce Mamãe Oxum.
Ao longo dos tempos, este Trono foi denominado de várias formas. Teve vários ícones, várias humanizações, mas a vibração do Trono do Amor permaneceu o mesmo em todas as culturas.
Afrodite, Vênus, Ishtar, Maria, Oxum, são apenas alguns dos muitos nomes utilizados para designar este Trono Divino.
"Oxum é o Trono Natural irradiador do Amor Divino e da Concepção da Vida em todos os sentidos. Como "Mãe da Concepção" ela estimula a união matrimonial, e como Trono Mineral ela favorece a conquista da riqueza espiritual e a abundância mineral.
Seu elemento é o mineral e, junto com Oxumaré, ela forma toda uma linha vertical cujas vibrações, magnetismo e irradiações planetárias e multidimensionais atuam sobre os seres e os estimula ou os paralisa.


A Orixá Oxum é o Trono regente do pólo magnético irradiante da Linha do Amor e atua na vida dos seres estimulando em cada um os sentimentos de amor, fraternidade e a união.
(...)Na Coroa Divina a Orixá Oxum e o Orixá Oxumaré surgem a partir da projeção do Trono do Amor, que é o regente do sentido do Amor.
Oxum assume os mistérios relacionados à concepção de vidas porque o seu elemento mineral atua nos seres estimulando a união e a concepção." (Rubens Saraceni, O Código de Umbanda - pg 401 - Editora Cristális).
Os umbandistas, de forma geral fazem oferendas para a Divina Mãe Oxum nas cachoeiras. As cachoeiras são pontos de forças naturais, suas energias que têm origem nas quedas d'água energizam-na e a tornam irradiadora de forte energia mineral.
"As cachoeiras do plano material possuem sua contraparte etérica no plano espiritual, ao qual também energizam, pois têm esta dupla função. Mas uma cachoeira tem um campo vibratório cujo magnetismo é análogo ao do Trono Mineral ou Trono do Amor, que é a divindade natural (de natureza) que irradia energias que estimulam as uniões e as concepções nos seres.
E, porque o Trono do Amor (Oxum) possui uma hierarquia só sua, (...) nada mais lógico do que ser cultuado num ponto de forças do plano material cujo magnetismo é análogo ao seu (...) E no plano material, este ponto de forças, cujo magnetismo é análogo, localiza-se em todas as quedas d'água ou "cachoeiras"(...)
Logo, o altar natural do Trono do Amor são as cachoeiras do plano material." (Rubens Saraceni, O Código de Umbanda - pgs 318, 319 - Editora Cristális)


Oxum, Segundo a Crença Africana

É o Orixá dono da água doce. Mora no rio Oxum, na África. É considerada a Senhora da fertilidade, da gestação e do parto. Acredita-se que cuida dos recém-nascidos, lavando-os com suas águas e folhas refrescantes. Esta Orixá sabe cultivar suas características adolescentes, mantendo-se uma bela e jovem mãe. Possui muitas qualidades extremamente femininas, tais como a vaidade e a sensualidade. Sendo cheia de paixão, busca incessantemente o prazer, através da malícia e do exibicionismo. É consciente de sua beleza rara e se aproveita disso para seduzir e conseguir seus objetivos. Manifesta-se trazendo na mão um espelho (abebe).
Quando Orumilá estava criando o mundo, escolheu Oxum para ser a protetora das crianças. Ela deveria zelar pelos pequeninos desde o momento da concepção, ainda no ventre materno, até que pudessem usar o raciocínio e se expressar em algum idioma. Por isso, Oxum é considerada a Orixá da fertilidade e da maternidade.
Por sua beleza, Oxum também é tida como a deusa da vaidade, sendo vista como uma Orixá jovem e bonita mirando-se em seus espelhos (abebê) e abanando-se com seu leque (abelê). (1)


Lenda Africana

Segunda esposa de Xangô, considerada a mais bela de todas, teria sido presa pelo marido ciumento na torre do castelo que habitavam.
Passando por ali, Exu ouviu o choro de Oxum e quis saber qual a razão de sua tristeza. Após ouvir a história, pediu a ele que intercedesse por ela junto a Orumilá. Orumilá espalhou sobre a bela Oxum um pó mágico que a transformou em pomba, possibilitando a fuga, por isso, nos cultos a Oxum, a pomba é considerada um animal sagrado. (1)

(1) Retirado do Site "Mundo dos Orixás".

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Linha da Ordem - Ogum

Ogum - A Sua Espada Reluz Um dos Orixás mais amados pelos umbandistas, Ogum, é o representante eólico da qualidade ordenadora do Divino Criador. É o Orixá que protege e defende os enfraquecidos aplicando a Lei Divina. É, em si mesmo, a Lei pura e imparcial, verdadeira e objetiva. Por ser um Orixá associado às vitórias sobre as demandas e opressões, passou a ser invocado em todos os Centros de Umbanda, bem como nos barracões de Candomblé, para defender as Casas e seus filhos contra as investidas humanas e espirituais das forças contrárias. "Ogum é sinônimo de Lei Maior, Ordenação Divina e retidão, porque é unigênito e gerado na qualidade ordenadora do Divino Criador. Seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão, a emoção e a ordenação dos processos e dos procedimentos. É o Trono Regente das milícias celestes, guardiãs dos procedimentos dos seres em todos os sentidos. Ogum não pode ser dissociado da Lei Maior, pois ele é a divindade que a aplica em tudo e a todos. Ele é a Ordenação Divina em si mesmo: ele ordena a fé, o amor, o conhecimento, a justiça, a evolução e a geração. Por isso, está em todas as outras qualidades Divinas." (1) Por ser um Orixá ligado às coisas das guerras e da aplicação da lei, está associado a São Jorge.
São Jorge é o santo católico, outrora soldado do Império Romano, que foi martirizado por fazer parte do grupo seguidor do cristianismo na época áurea dos Césares de Roma. São Jorge é muito reverenciado dentro das Tendas de Umbanda, e as festas em sua homenagem são sempre alegres e anunciadas ao som de fogos de artifício. A lança e a espada são instrumentos de batalha de Ogum e por isto, esse Orixá foi sincretizado com São Jorge, cujas armas fazem referência à Divindade da Lei. Olhar para a figura do cavaleiro assentado em seu corcel branco, empunhando uma lança pontiaguda e espetando-a num temível dragão, trás à lembrança, a força guerreira de Ogum. O nome Ogum, originário do Yorubá, é traduzido para o português como luta, batalha, guerra, e por isto é considerado pelos irmãos africanos como o "deus da guerra", o Orixá das contendas. Considerado deus do ferro, dos ferreiros e de todos que utilizam esse metal, Ogum é muito invocado para a abertura de caminhos e vitórias sobre o mal. "O Trono da Lei é eólico e, ao irradiar-se cria a linha pura do ar elemental, já com dois polos magnéticos ocupados por orixás diferenciados em todos os aspectos. O polo magnético positivo é coupado por Ogum e o polo nagativo é ocupado por Iansã." (2) "... Estes dois orixás são aplicadores da Lei (porque sua natureza é ordenadora), então eles projetam-se e dão início às suas hierarquias naturais, que são as que nos chegam através da Umbanda." (2) "... Dizemos que Ogum é, em si mesmo, os atentos olhos da Lei, sempre vigilante, marcial e pronto para agir onde lhe for ordenado." (2)
Ogum, Segundo a Crença Africana
Divindade masculina iorubana, o filho mais enérgico de Odùduà, tornou-se regente da cidade de Ifé quando seu pai ficou temporariamente cego. É o deus do ferro, dos ferreiros e de todos que utilizam esse metal. Os lugares consagrados a Ogum ficam ao ar livre, na entrada das casas e terreiros. Geralmente são pedras em forma de bigorna junto às árvores. O culto a Ogum é bastante difundido tanto no Brasil quanto na Nigéria. Sem sua permissão e proteção, nenhuma atividade útil, tanto no espaço urbano como no campo, poderia ser aproveitada. Deve ser invocado logo após Exu ser despachado, abrindo caminho para os outros orixás. Como na África, ele é representado por sete objetos de ferro pendurados em uma haste de metal. A importância de Ogum vem do fato de ser ele um dos mais antigos dos deuses Iorubás e, também, em virtude de sua ligação com os metais e aqueles que os utilizam.
Lendas Africanas
"Conta uma lenda que ao chegar a uma aldeia Ogum ficou furioso. Ele falava com as pessoas, mas ninguém o respondia. Isto aconteceu sucessivas vezes, e sempre que se dirigia a um morador da aldeia só tinha silêncio. Ele achou que as pessoas da aldeia estavam zombando dele e num ato de fúria usou seu poder e matou a todos que ele pensava estarem humilhando-o. Um dia, ao passar por outra aldeia ele contou a um ancião o ocorrido e este lhe disse que na aldeia por onde Ogum passara as pessoas, naquela época do ano, faziam um voto de silêncio por alguns dias. Ao saber disso ele ficou enfurecido consigo e envergonhado, jurou proteger os mais fracos e todos aqueles que estivessem sofrendo injustiças, discriminações e qualquer tipo de perseguição injusta." (3)
Oferendas
As oferendas para Ogum devem ser entregues em campos, caminhos e encruzilhadas, enfeitadas com fitas vermelhas, azuis ou brancas. Na Umbanda, as oferendas para Ogum consistem basicamente de velas brancas, azuis e vermelhas; cerveja, vinho tinto licoroso, acompanhadas de flores diversas e cravos. Nas cidades litorâneas, costuma-se fazer oferendas para Ogum à beira-mar.
Bibliografia: (1) - Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Rubens Saraceni - Editora Madras, 2005; (2) - O Código de Umbanda, Rubens Saraceni - Editora Cristális, 2000; (3) - Site "Mundo dos Orixás".

Linha da Fé - Oxalá

Na Fé de Pai Oxalá Oxalá é o Trono de Deus irradiador da Fé e da Religiosidade nos seres. Na Umbanda, desde que foi revelada no Plano Terreno, Oxalá é considerado o maior de todos os Orixás. Essa relevância deve-se ao sincretismo que apontou Jesus Cristo como sendo a figura representativa de Oxalá. Ora, essa associação com o Messias Judeu, foi deveras importante para a propagação do ritual umbandista, já que o Brasil é um país extremamente cristianizado, mesmo que seus habitantes professem o catolicismo ou o protestantismo. Sendo Jesus Cristo uma manifestação maravilhosa do Divino Trono da Fé, foi sincretizado como o Pai Oxalá. Suas mensagens, com base na propagação da fé, estimulavam as pessoas à sua volta a ter uma vida mais íntima com o Criador. Oxalá é o responsável por infundir a fé no mental dos seres e estimular a religiosidade, tão necessária à evolução do Espírito humano. Através das suas irradiações de fé, o Pai Oxalá faz nascer nos corações humanos o desejo de buscar a Deus, a ter uma vida religiosa e a descobrir o sentido espiritual de sua existência. As vibrações de Oxalá impulsionam os homens a esperar o amanhã com mais paciência e a ter certeza de que sempre será melhor. A História está repleta de Espíritos que trouxeram para a Terra suas mensagens de extrema religiosidade e fé. Espíritos que inspiraram a muitos e foram exemplos a admirar e seguir. Foram Espíritos que recebendo as vibrações diretas de Oxalá, despertaram esta Linha de Evolução do homem, e levaram as pessoas a erguer religiões, crenças, tecer filosofias, desenvolver doutrinas. Na Umbanda, Oxalá teve sua representação máxima em Jesus Cristo, e por causa disto, é considerado pelos umbandistas de forma geral como sendo o maior de todos os Orixás das Sete Linhas de Umbanda. Os Pretos Velhos são também responsáveis por isto. Foram os queridos Vovôs e Vovós da Umbanda que, através de suas palavras inspiradoras de fé, paciência e resignação, levaram os adeptos e consulentes a lembrar-se de Jesus e a ter nEle modelo vivo para suas vidas. Homens e mulheres descrentes e aflitos buscavam nos Pretos Velhos o consolo e sempre recebiam uma orientação tendo como exemplo a ser seguido o Mestre Jesus. Ainda hoje, esses Pretos e Pretas Velhas continuam realizando o mesmo trabalho de inspiração e devoção.Como sempre dizem: "que o Pai Oxalá te abençoe".
"Oxalá é o Trono Natural da Fé e seu campo de atuação preferencial é a religioso dos seres, aos quais ele envia o tempo todo suas vibrações estimuladoras da fé individual e suas irradiações geradoras de sentimentos de religiosidade." "Oxalá é sinônimo de fé. Ele é o trono da fé que, assentado na Coroa Divina, irradia a fé em todos os sentidos e a todos os seres." "(...) Nada ou ninguém deixa de ser alcançado por suas irradiações estimuladoras da fé e da religiosidade. Seu alcance ultrapassa o culto dos orixás pois é o da religiosidade, que é comum a todos os seres pensantes. Jesus Cristo é um Trono da Fé de nível intermediário dentro da hierarquia de Oxalá. E o mesmo acontece com Buda e outras divindades manifestadoras da fé, pois muitos Tronos Intermediários já se humanizaram para falar aos homens como homens e melhor estimularem a fé em Deus. Todas as divindades irradiam a fé. Mas os Tronos da hierarquia de Oxalá são mistérios da Fé e irradiam-na o tempo todo.
Oxalá, Segundo a Crença Africana "O Grande Orixá", ocupa uma posição única e inconteste do mais importante orixá e o mais elevado dos deuses Yorubás. É o dono da argila e da criação, onde molda os seres humanos em barro. Senhor do silêncio, do vácuo frio e calmo, onde as palavras não podem ser ouvidas. Por apreciar muito o vinho de palma, embriagando-se frequentemente, perdeu a chance de criar a terra e tornou-se responsável pela mildagem das pessoas e ficou proibido de beber o vinho.Teimoso, às vezes passa por cima dessas regras. Pessoas com defeitos de nascença, provocados por ele, lhe pertencem. Ele as protege para se redimir. Muda de nome conforme a situação. Lento como um caramujo, todo de branco como seu ritual exige, é conhecido como Oxalufã. Enérgico e guerreiro, de colar branco com azul real, é conhecido como Oxaguiã. Em outras versões, é chamado de Orinxalá e Obatalá, o rei do pano branco.
Lendas Africanas Oxalufã (Oxalá velho) era um rei muito idoso que andava com dificuldade, apoiado em seu cajado (o opaxorô). Um dia, sentindo saudades do filho Xangô, resolveu visitá-lo. Como era costume na terra dos Orixás, consultou um babalaô para saber como seria a viagem. Este recomendou que não viajasse. Mas, como o orixá teimasse em ver o filho, foi instruído a levar três roupas brancas e limo da costa (pasta extraída do caroço de dendê) e fazer tudo o que lhe pedissem. Com estas precauções, o Orixá partiu e, no meio do caminho, encontrou Exu Elepô, dono do azeite de dendê, sentado à beira da estrada, com um pote ao lado. Com boas maneiras, ele pediu a Oxalufã que o ajudasse a colocar o pote nos ombros. O velho orixá, lembrando as palavras do babalaô, resolveu auxiliá-lo; mas Exu Elepô, que adora brincar, derramou todo o dendê sobre Oxalufã. O Orixá manteve a calma, limpou-se no rio com um pouco do limo, vestiu outra roupa e seguiu viagem. Mais adiante encontrou Exu Onidu, dono do carvão; e Exu Aladi, dono do óleo do caroço de dendê. Por duas vezes mais foi vítima dos brincalhões e procedeu como da primeira vez, limpando-se e vestindo roupas limpas, continuando sua caminhada rumo ao reino de Xangô. Ao se aproximar das terras do filho, avistou um cavalo que conhecia muito bem, pois presenteara Xangô com o animal tempos atrás. Resolveu amarrá-lo para levá-lo de volta, mas foi mal interpretado pelos soldados, que julgaram-no um ladrão. Sem permitir explicações, eles espancaram o velho até quebrar seus ossos e o arrastaram para a prisão. Usando seus poderes, Oxalá fez com que não chovesse mais desse dia em diante. As colheitas foram prejudicadas e as mulheres ficaram estéreis. Preocupado com isso, Xangô consultou seu babalaô e este afirmou que os problemas se relacionavam a uma injustiça cometida sete anos antes, pois um dos presos fora acusado de roubo injustamente. O Orixá dirigiu-se à prisão e reconheceu o pai. Envergonhado, ordenou que trouxessem água para limpá-lo e, a partir desse dia, exigiu que todos no reino se vestissem de branco em sinal de respeito ao pai, como forma de reparar a ofensa cometida. (1) Oxalufã tinha um filho chamado Oxaguiã (forma jovem de Oxalá), muito valente e guerreiro, que almejava ter um reino a todo custo. Era um período de guerras entre dois reinos vizinhos e seus habitantes perguntavam sempre aos babalaôs o que fazer para que a paz voltasse a reinar. Um dos sacerdotes respondeu que eles deveriam oferecer ao Orixá da paz, que se vestia de branco, como uma pomba, muito inhame pilado, comida de sua preferência. Oxaguiã, cujo nome significa "comedor de inhame pilado", apreciava tanto essa comida que ele próprio inventou o pilão para fazê-la. Depois que as oferendas foram entregues, tudo voltou às boas. Oxaguiã tornou-se conhecido por todos e conseguiu seu próprio reino. Até hoje são oferecidas grandes festas a esse Orixá para que haja fartura o ano todo. (1) Conta outra lenda que Oxalá era marido de Nanã, senhora do portal da vida e da morte. E, por determinação dela, somente os seres femininos tinham acesso ao portal, não permitindo a aproximação de seres masculinos em hipótese alguma. Essa determinação também servia para Oxalá, que com o passar do tempo não se conformava com esta decisão. Oxalá então encontrou uma forma de burlar as determinações de sua esposa. Não fugindo de sua cor branca, vestiu-se de mulher, colocou o adê (coroa) com os chorões no rosto, próprio das iabás e aproximou-se do portal satisfazendo enfim sua curiosidade. Foi pego, porém, por Nanã no exato momento em que via o outro lado da dimensão. Nanã aproximou-se e determinou: " - Já que tu, meu marido, vestiste-te de mulher para desvendar um segredo tão importante, vou compartilhá-lo contigo. Terá, então, a incumbência de ser o princípio do fim, aquele que tocará o cajado três vezes ao solo para determinar o fim de um ser. Porém, jamais conseguirás te desfazer das vetes femininas e, daqui para frente terás todas as oferendas fêmeas!" Oferendas As oferendas para Oxalá são acompanhadas de velas brancas e consiste em frutas, coco verde, mel e flores brancas. Um grande ímã de trabalho é o que é feito com canjica branca e mel em louça branca. Seus pontos de força são os mais puros da natureza, tais como bosques, campinas, praias limpas, jardins floridos, etc.