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segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Cosme e Damião e as Crianças na Umbanda
Por volta do século III, nasceram na Arábia dois irmãos gêmeos Cosme e Damião, filhos de família nobre estudaram medicina na Síria e depois foram para Egéia. Não se sabe como e nem em que momento, mas estes tornaram-se discípulos do Cristianismo.
Se utilizando da arte médica, tinham como intenção a conversão religiosa das pessoas, crendo no poder da oração aliado á medicina, conseguiram grandes êxitos pelas curas oferecidas e nunca cobravam por isso. Ganhando assim a simpatia de todos e muitos convertendo.
Chamou atenção dos governantes da época ainda “pagãos” e como provocaram a ira dos mesmos, em especial Diocleciano que os acusou de feitiçaria por não renunciarem a fé cristã, este os sentenciou para receber tormentos bárbaros. Vendo que isto não os abalava então determinou que os decapitassem. Assim Cosme e Damião morreram como mártir em 303 na Egéia.
São Cosme e São Damião são venerados como padroeiros dos médicos e farmacêuticos. Por causa da sua simplicidade e inocência, são invocados também como protetores das crianças.
NA UMBANDA:
São Cosme e São Damião foram sincretizados com a linha de trabalho das Crianças, sem precedente uma vez que no histórico dos mesmos ao contrário do que muitos pensam não eram crianças e não se declinavam especificamente á cuidar de crianças, por fim não se sabe precisar em que momento eles foram associados ás crianças, o fato é que todos nós adoramos a tão esperada festa de Cosme e Damião, comemorada no dia 27 de Setembro.
Doces, bolos, balas, brinquedos e guaraná são alguns dos ingredientes presentes nesta festa, na qual os templos de Umbanda invocam a linha das Crianças.
Quem são estes espíritos infantis?
O primeiro impacto quando alguém se depara com um adulto de chupetas no pescoço e brincando de carrinho ou boneca é gargalhada na certa. Depois vem a pergunta: são espíritos crianças?
Por muito tempo acreditou-se que sim, mas dentro do estudo das condições do espírito humano sabemos que esta idéia não procede de fato.
Existe uma vertente de pensamento que prega ser estes espíritos, seres adultos que tomam a forma infantil para desenvolver entre nós encarnados o propósito do trabalho. Porém fica outra dúvida: se a capacidade curativa e renovadora destes espíritos está na pureza de seu magnetismo, seria um espírito cheio de experiências assim tão puro?
A Ciência Divina, revelada na Teologia de Umbanda Sagrada explica que não. Existem várias dimensões da vida e uma delas chamamos de Encantada, onde lá habitam seres infantis, não que sejam seres de pouca idade, porém infantis quando citamos a pureza, inocência, magnetismo puro é disto que estamos falando.
No livro Arquétipos de Umbanda, de Rubens Saraceni, publicado pela Editora Madras, o autor cita na página 99 o seguinte trecho: “ O arquétipo fundamentou-se nos espíritos ainda infantis regidos pelas mães Orixás, encantadas da natureza, que os acolhem em seus vastos reinos na natureza em seu lado espiritual e os amparam até que cresçam e alcancem um novo estágio evolutivo, já como espíritos naturais” . Saiba que este processo é longo e demorado. Logo, estes espíritos infantis são maduros quando o assunto é Deus, pois da existência Dele não duvidam, é como se vivessem próximos do Criador e justamente esta falta de fé que nós encarnados demonstramos os entristecem.
Temos então na linha das Crianças, espíritos que nunca encarnaram, são “encantados” pois vivem numa dimensão paralela a nossa só que com magnetismos puros de sua natureza individual.
Como atuam?
Quando manifestados, este espíritos promovem profundas renovações magnéticas no complexo energético do encarnado, sutilizando nossas energias e nas suas “brincadeiras” nos ajuda a desbloquear sentimentos negativos, desta forma limpa as pessoas e as aliviam.
Por se manterem com intensa vibração pura é que facilitam as curas tão famosas.
Incorporados brincam com brinquedos e comem doces em geral.
Oferenda:
Para o dia 27 de Setembro, vá até um jardim limpo, deposite doces, balas, pirulitos, bolo, refrigerante, flores diversas, em círculo acenda 7 azul claro e 7 cor de rosa intercaladas.
Ofereça ás Crianças de Aruanda, faça seus pedidos de paz, prosperidade, alegria e cura.
Reze um pai nosso.
Bem leitor, espero ter contribuído para a compreensão do assunto ou ao menos instigar para a busca do mesmo.
Sobretudo vamos festejar a festa das santas crianças e principalmente cuidar das nossas crianças encarnadas, educar e preparar para que nossa nação possa num futuro ser melhor para todos, com mais honestidade e ética. E você adulto, não esqueça da criança que habita dentro de si, não perca a esperança, a alegria gratuita e a graça de viver. Também não deixe de ser sincero e transparente doa a quem doer, seja puro e viva com ética e faça do dia-a-dia e do seu meio algo mais agradável de viver. Pense nisso e seja feliz!
Abraços Fraterno.
Postado no Blog do Rodrigo Queiroz, http://rodrigoqueiroz.blogspot.com.br/2007/09/cosme-e-damio-crianas-e-umbanda.html
(contato@tvus.com.br)
sábado, 11 de agosto de 2012
A Linha dos Exus
"Na África, Exu é um Orixá e seu culto difere da forma como são entendidos e tratados os que aqui incorporam em seus médiuns e dão passes e consultas.
Lá, Exu é um mensageiro que leva os pedidos das pessoas até os Orixás e traz as respostas.
Ele sempre é o primeiro a ser servido e a ser despachado, levando embora todos os problemas e perturbações.
É respeitado como um Orixá, nunca como um espírito.
Ele tem sua forma de ser cultuado e oferendado e tem seus sacerdotes, seu Omo-Exu (filhos de Exu) que o tem em grande estima e o trata com o mesmo respeito que dedica a todos os outros Orixás.
Quanto à Umbanda , não há culto aos Orixás sem presença de Exu. Mas ele, diferentemente da África, aqui recebeu uma linha à "esquerda" por meio da qual os espíritos manifestadores dos seus mistérios podem incorporar em seus médiuns e consultar as pessoas, auxiliando-as nas suas necessidades e dificuldades materiais ou espirituais.
Exu, na Umbanda, é uma Linha de trabalhos espirituais que se assenta e atua à esquerda dos seus médiuns.
Eles precisam ser oferendados nos seus campos de ação, tais como: nas matas, nos rios, nas lagoas, à beira-mar, nos cemitérios, nos caminhos, nas encruzilhadas, nas pedreiras, etc.
Os seus nomes simbólicos indicam seus campos de ações e onde devem ser oferendados.
Quando incorporam, são alegres, falantes, galhofeiros, sarcásticos, irônicos e até meio chulos. Tudo isso faz parte do arquétipo marcante que assumiram na Umbanda.
Seus nomes variam desde nomes dados a pessoas (João Caveira) até nomes indígenas (Marabá, Jibóia, Arranca-Tocos, Marambaia, Cipó, Folha-Seca, etc).
Todos são espíritos que já viveram na Terra, têm sua história e se tornaram Exus a duras penas, pois é sob a irradiação do Orixá Exu que estão evoluindo e servindo à Lei Maior.
Médiuns mal orientados ou mal doutrinados dão vazão aos seus recalques ou sentimentos íntimos negativos, e aí o seu "Exu de Trabalho" apresenta-se grosseiro, chulo, desrespeitoso.
Já com médiuns bem doutrinados e preparados, Exu não deixa de ser o que é, mas o é de uma forma agradável e respeitosa.
Cada médium tem um Exu guardião e um Exu de trabalho.
O Exu Guardião é ligado ao Orixá do médium e o Exu de trabalhos espirituais é ligado ao guia chefe ou ao mentor dos seus trabalhos.
Muitos autores o descrevem como o primeiro Orixá a ser criado por Olorum, fato esse que o torna o primogênito na Teogonia Nagô.
Seu culto está associado à procriação e seu símbolo mais ostensivo é um cetro fálico. Inclusive, em alguns dos seus assentamentos, esse símbolo o identifica de imediato.
Uma das razões de ele ser o primeiro a ser oferendado é que, antes de algo existir no exterior de Olorum, só existia o vazio à volta de sua morada interior. E Exu é o Orixá regente do vazio.
Então, como só existia o vazio e era nele que tudo seria construído, qualquer coisa só poderia ser construída com a anuência de Exu.
Os Orixás concordaram em dar a primazia a primogenitura a ele, senão nada construiriam.
O vazio é anterior a tudo e Oxalá só pôde criar o espaço com a concordância de Exu, pois ele foi criado justamente em cima dos domínios de Exu.
Outro dos mistérios do Orixá Exu rege sobre a reprodução e refere-se a órgão genital masculino e sobre o vigor sexual.
Mas, esse e alguns outros mistérios regidos pro Exu não prosperaram em nossa cultura judaico-cristã que associa o sexo ao pecado original e estigmatiza qualquer alusão nesse sentido à ação do diabo.
Como quem vence e quem manda é a maioria, o melhor a ser feito com Exu era o que já haviam feito com os indígenas: cobri-lo com uma capa, vesti-lo com um calção qualquer e ocultar tão acintosa ascendência dele sobre os seres humanos, que procriam justamente com o auxílio do dito cujo, ostentado por esse enigmático Orixá em seu cetro fálico.
Colocaram na mão dele um novo símbolo: o tridente de Netuno, estigmatizado pelos cristãos novos como símbolo do maligno.
Outro dos mistérios de Exu são as cabaças, que simbolizam o útero e o poder procriador feminino. Se ele rege o mistério da sexualidade masculina, da feminina ele é o guardião.
Exu, de fato e de direito, é o guardião da sexualidade em seu aspecto feminino e sua ascendência é inegável." (1).
"Exu é o orixá da comunicação. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento humano. A palavra Èsù em yorubá significa “esfera” e, na verdade, Exu é o orixá do movimento.
Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Orun (o mundo material ) e o Aiye (o mundo espiritual) seja plenamente realizada.
Na época das colonizações, o Exu foi sincretizado erroneamente com o diabo cristão pelos colonizadores, devido ao seu estilo irreverente, brincalhão e a forma como é representado no culto africano, um falo humano ereto, simbolizando a fertilidade.
É comumente confundido com a figura de Satanás, o que é um absurdo na construção teológica yorubá, posto que não está em oposição a Deus, muito menos é considerado uma personificação do mal. Mesmo porque nesta religião não existem diabos ou entidades encarregadas única e exclusivamente de coisas ruins como fazem as religiões cristãs. Estas pregam que tudo o que acontece de errado é culpa de um único ser que foi expulso; pelo contrário, na mitologia yoruba, bem como no candomblé, cada uma das entidades (Orixás) tem sua porção positiva e negativa assim como o próprio ser humano.
Como tudo no universo possui de um modo geral dois lados, positivo e negativo, Exu também funciona de forma positiva e negativa. Daí ser Exu considerado o mais humano dos orixás, pois o seu caráter lembra o do ser humano que é de um modo geral muito mutante em suas ações e atitudes" (2).
"Exu é o cozinheiro de todos os Orixás. Mestre nos temperos, Exu faz de tudo na cozinha: axoxó, benguiri, omolocum, amalá, farofa... Tudo com muita pimenta!
Até que um dia falta pimenta na cozinha e Exu resolve fazer sem pimenta mesmo.
Xangô não gosta nem um pouco e pede a Exu que pegue o cavalo e traga pimenta.
Enquanto Exu buscava pimenta, os Orixás começaram a comer a comida preparada por Exu, sem pimenta mesmo. E acharam foi bom!
Xangô quando vê a panela vazia, ordena aos Orixás que encham a panela com água.
Exu chega e, furioso ao ver sua panela cheia de água e sem comida, ordena: a partir de agora, Exu é o primeiro a comer e sem a comida de Exu, nenhuma comunicação acontece entre a Terra e os Orixás. No Candomblé, até hoje, toda cerimônia começa com padê, de Exu" (3).
(1) - UMBANDA, Os Arquétipos da, As Hierarquias Espirituais dos Orixás - Rubens Saraceni - 2007, Madras Editora Ltda, in Os Exus na Umbanda, pg 121-124.
(2) Exu (Orixá) - Wikipedia, a enciclopédia livre.
(3) Lenda do Orixá Exu (Esú) - postado no Youtube no canal de Victorcabreu.
Lá, Exu é um mensageiro que leva os pedidos das pessoas até os Orixás e traz as respostas.
Ele sempre é o primeiro a ser servido e a ser despachado, levando embora todos os problemas e perturbações.
É respeitado como um Orixá, nunca como um espírito.
Ele tem sua forma de ser cultuado e oferendado e tem seus sacerdotes, seu Omo-Exu (filhos de Exu) que o tem em grande estima e o trata com o mesmo respeito que dedica a todos os outros Orixás.
Quanto à Umbanda , não há culto aos Orixás sem presença de Exu. Mas ele, diferentemente da África, aqui recebeu uma linha à "esquerda" por meio da qual os espíritos manifestadores dos seus mistérios podem incorporar em seus médiuns e consultar as pessoas, auxiliando-as nas suas necessidades e dificuldades materiais ou espirituais.
Exu, na Umbanda, é uma Linha de trabalhos espirituais que se assenta e atua à esquerda dos seus médiuns.
Eles precisam ser oferendados nos seus campos de ação, tais como: nas matas, nos rios, nas lagoas, à beira-mar, nos cemitérios, nos caminhos, nas encruzilhadas, nas pedreiras, etc.
Os seus nomes simbólicos indicam seus campos de ações e onde devem ser oferendados.
Quando incorporam, são alegres, falantes, galhofeiros, sarcásticos, irônicos e até meio chulos. Tudo isso faz parte do arquétipo marcante que assumiram na Umbanda.
Seus nomes variam desde nomes dados a pessoas (João Caveira) até nomes indígenas (Marabá, Jibóia, Arranca-Tocos, Marambaia, Cipó, Folha-Seca, etc).
Todos são espíritos que já viveram na Terra, têm sua história e se tornaram Exus a duras penas, pois é sob a irradiação do Orixá Exu que estão evoluindo e servindo à Lei Maior.
Médiuns mal orientados ou mal doutrinados dão vazão aos seus recalques ou sentimentos íntimos negativos, e aí o seu "Exu de Trabalho" apresenta-se grosseiro, chulo, desrespeitoso.
Já com médiuns bem doutrinados e preparados, Exu não deixa de ser o que é, mas o é de uma forma agradável e respeitosa.
Cada médium tem um Exu guardião e um Exu de trabalho.
O Exu Guardião é ligado ao Orixá do médium e o Exu de trabalhos espirituais é ligado ao guia chefe ou ao mentor dos seus trabalhos.
Origem Africana
Muitos autores o descrevem como o primeiro Orixá a ser criado por Olorum, fato esse que o torna o primogênito na Teogonia Nagô.
Seu culto está associado à procriação e seu símbolo mais ostensivo é um cetro fálico. Inclusive, em alguns dos seus assentamentos, esse símbolo o identifica de imediato.
Uma das razões de ele ser o primeiro a ser oferendado é que, antes de algo existir no exterior de Olorum, só existia o vazio à volta de sua morada interior. E Exu é o Orixá regente do vazio.
Então, como só existia o vazio e era nele que tudo seria construído, qualquer coisa só poderia ser construída com a anuência de Exu.
Os Orixás concordaram em dar a primazia a primogenitura a ele, senão nada construiriam.
O vazio é anterior a tudo e Oxalá só pôde criar o espaço com a concordância de Exu, pois ele foi criado justamente em cima dos domínios de Exu.
Outro dos mistérios do Orixá Exu rege sobre a reprodução e refere-se a órgão genital masculino e sobre o vigor sexual.
Mas, esse e alguns outros mistérios regidos pro Exu não prosperaram em nossa cultura judaico-cristã que associa o sexo ao pecado original e estigmatiza qualquer alusão nesse sentido à ação do diabo.
Como quem vence e quem manda é a maioria, o melhor a ser feito com Exu era o que já haviam feito com os indígenas: cobri-lo com uma capa, vesti-lo com um calção qualquer e ocultar tão acintosa ascendência dele sobre os seres humanos, que procriam justamente com o auxílio do dito cujo, ostentado por esse enigmático Orixá em seu cetro fálico.
Colocaram na mão dele um novo símbolo: o tridente de Netuno, estigmatizado pelos cristãos novos como símbolo do maligno.
Outro dos mistérios de Exu são as cabaças, que simbolizam o útero e o poder procriador feminino. Se ele rege o mistério da sexualidade masculina, da feminina ele é o guardião.
Exu, de fato e de direito, é o guardião da sexualidade em seu aspecto feminino e sua ascendência é inegável." (1).
"Exu é o orixá da comunicação. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento humano. A palavra Èsù em yorubá significa “esfera” e, na verdade, Exu é o orixá do movimento.
Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Orun (o mundo material ) e o Aiye (o mundo espiritual) seja plenamente realizada.
Na época das colonizações, o Exu foi sincretizado erroneamente com o diabo cristão pelos colonizadores, devido ao seu estilo irreverente, brincalhão e a forma como é representado no culto africano, um falo humano ereto, simbolizando a fertilidade.
É comumente confundido com a figura de Satanás, o que é um absurdo na construção teológica yorubá, posto que não está em oposição a Deus, muito menos é considerado uma personificação do mal. Mesmo porque nesta religião não existem diabos ou entidades encarregadas única e exclusivamente de coisas ruins como fazem as religiões cristãs. Estas pregam que tudo o que acontece de errado é culpa de um único ser que foi expulso; pelo contrário, na mitologia yoruba, bem como no candomblé, cada uma das entidades (Orixás) tem sua porção positiva e negativa assim como o próprio ser humano.
Como tudo no universo possui de um modo geral dois lados, positivo e negativo, Exu também funciona de forma positiva e negativa. Daí ser Exu considerado o mais humano dos orixás, pois o seu caráter lembra o do ser humano que é de um modo geral muito mutante em suas ações e atitudes" (2).
Lenda de Exu
"Exu é o cozinheiro de todos os Orixás. Mestre nos temperos, Exu faz de tudo na cozinha: axoxó, benguiri, omolocum, amalá, farofa... Tudo com muita pimenta!
Até que um dia falta pimenta na cozinha e Exu resolve fazer sem pimenta mesmo.
Xangô não gosta nem um pouco e pede a Exu que pegue o cavalo e traga pimenta.
Enquanto Exu buscava pimenta, os Orixás começaram a comer a comida preparada por Exu, sem pimenta mesmo. E acharam foi bom!
Xangô quando vê a panela vazia, ordena aos Orixás que encham a panela com água.
Exu chega e, furioso ao ver sua panela cheia de água e sem comida, ordena: a partir de agora, Exu é o primeiro a comer e sem a comida de Exu, nenhuma comunicação acontece entre a Terra e os Orixás. No Candomblé, até hoje, toda cerimônia começa com padê, de Exu" (3).
(1) - UMBANDA, Os Arquétipos da, As Hierarquias Espirituais dos Orixás - Rubens Saraceni - 2007, Madras Editora Ltda, in Os Exus na Umbanda, pg 121-124.
(2) Exu (Orixá) - Wikipedia, a enciclopédia livre.
(3) Lenda do Orixá Exu (Esú) - postado no Youtube no canal de Victorcabreu.
sábado, 16 de junho de 2012
A Linha dos Ciganos
A corrente astral de Umbanda é aberta a todos os espíritos que queiram praticar a caridade, independentemente de suas origens terrenas e de suas encarnações. Houve época em que dirigentes umbandistas não aceitavam ciganos em seus trabalhos, mas a Umbanda acolhe em suas linhas de trabalho todos os filhos de Deus que queiram praticar a caridade.
Tamanha foi a simpatia do povo umbandista pelas entidades ciganas e grande foi a seriedade do seu trabalho, orientando com sabedoria, ensinando a beleza da criação e a alegria de viver, que foi criada uma “Linha” de ação específica para eles, com sua própria hierarquia, magia e ensinamentos.
Filhos do Vento – O Arquétipo da Liberdade
Uma característica marcante do povo cigano é a liberdade, em relação às nacionalidades, aos padrões sociais e aos preconceitos que escravizam. Os ciganos são poeticamente denominados “Filhos do Vento”, por sua liberdade, fluida mobilidade e errância, sempre ao sabor do vento, percorrendo os quatro cantos do mundo em sua mágica trajetória. Profundos conhecedores dos caminhos, em sua saga milenar vêm recolhendo conhecimentos iniciáticos de todas as culturas e tradições.
Outra característica marcante é o seu conhecimento magístico e curandeiro, principalmente nos campos da saúde e do amor. É lendária a vidência de seus magos e sacerdotisas, que utilizam o elemento espelho, para refletir o Tempo, a memória ancestral, os conhecimentos, a arte da cura e dom da vidência. Por meio das cartas ou outros suportes materiais como bolas de cristal, estrelas do mar e simples copos de água, o futuro, o presente e o passado desdobram-se no vórtex temporal de suas visões.
Regidos pelo Tempo (Oiá) e pelo espaço (Oxalá), o povo cigano se move livremente tanto no espaço como no tempo.
Os Ciganos na Umbanda
Na Umbanda, a presença de ciganos tem sido cada vez mais constante e, em muitos terreiros, eles próprios já pedem para que seus médiuns trabalhem com a roupa branca e tenham apenas os seus elementos magísticos, como lenços, baralhos, espelhos, adagas, anéis e outros. Nos dias de suas festas, podem ser utilizados os violinos, a cítara, a viola, os pandeiros e outros instrumentos característicos. A saudação a eles é: Salve os Ciganos!
É uma linha espiritual especial, cujas entidades trabalham na irradiação dos diversos orixás, mas louvam sua padroeira, Santa Sara Kali. Seus trabalhos também podem ser sustentados por Pai Ogum – orixá do ar , ordenador dos caminhos – e por mãe Egunitá – o fogo purificador – pois os ciganos sempre estão ao redor de suas fogueiras.
Na Linha dos Ciganos encontramos espíritos que tiveram encarnações como ciganos e também espíritos que foram atraídos para essa linha por afinidade com a magia cigana. Por isso, os ciganos na Umbanda não têm obrigatoriamente que falar espanhol ou romanês, ler cartas ou fazer advinhações. Há os espíritos ciganos que fazem isso porque já o faziam quando encarnados e outros não.
“O “povo” cigano tem suas cerimônias próprias e tem seus rituais coletivos adaptados à Umbanda e suas sessões são muito apreciadas e muito concorridas, pois seus trabalhos estão voltados para as necessidades mais terrenas dos consulentes. É uma linha espiritual em franca expansão e temos até linhas de esquerda “ciganas”, tais como a do Senhor Exu Cigano e da Senhora Pomba-Gira Cigana, muito procurados pelos consulentes quando se manifestam nas sessões de trabalhos espirituais.” (Saraceni, Rubens – Umbanda Sagrada – Madras Ed.)
Os primeiros ciganos acolhidos no Brasil no século XVI, enviados de Portugal como degredados, em 1574, para aqui trabalharem como ferreiros e ferramenteiros. Só vieram como autônomos a partir do século XIX, acompanhando o séqüito de D. João VI.
Na Umbanda, atuam como guias espirituais, de maneira extremamente respeitosa e sempre procuram mostrar o caráter fraterno do povo cigano, seu respeito com o alimento e a capacidade de repartir o pão. Aceitam o ritual umbandista, como meio evolucionista, e retribuem com suas ricas orientações e com a alegria de seus cantos e de suas danças.
Escrito por Mãe Lurdes de Campos Vieira
Publicado originalmente no Site: Templo de Umbanda Sagrada Sete Luzes Divinas
A Linha dos Caboclos
Caboclo, na Umbanda, é um mistério, uma linha de trabalho, uma falange, um grau. É o identificador de entidades que trabalham na vibração ligada a Oxóssi, o orixá das matas e do conhecimento.
Nas linhas de ação e trabalho dos caboclos “são incorporados milhares de espíritos cujas religiões não eram a ioruba nem a indígena brasileira. Mas todos têm uma forma de incorporação bem característica” ...
“Na Umbanda, os caboclos têm uma função relevante, pois são eles que assumem a frente nas linhas de trabalho dos médiuns. Os caboclos são o elo de ligação do médium com os orixás”. “Nas linhas de caboclos estão ocultos sob formas plasmadas grandes sacerdotes desencarnados já há muitos séculos, muitos sábios, filósofos, professores e sacerdotes dos mais variados rituais...”) (Rubens Saraceni – Umbanda Sagrada – Madras Ed.)
O arquétipo do caboclo índio brasileiro é bastante forte e “só espíritos com uma noção superior sobre as verdadeiras leis da vida poderiam ser enviados à Terra para, incorporados em seus médiuns, orientar os infelizes encarnados ... Só mesmo os nossos índios simples e cultuadores da verdadeira irmandade poderiam pregar o amor entre pessoas mais preocupadas com o sucesso pessoal do que com o bem-estar dos seus semelhantes”. (Rubens Saraceni - Os Arquétipos da Umbanda – Madras Ed.)
Os caboclos representam a simplicidade, a humildade, a coragem e a persistência. Os índios tinham elevadíssimas noções de conduta e moral e a mentira, a dissimulação e a falsidade não se desenvolveram entre eles. Pela moral, caráter, espiritualização, fraternidade, etc., a Umbanda tem no índio um dos graus mais elevados e o arquétipo para esta linha de ação e trabalho.
Os caboclos são o braço forte da Umbanda; representam a força e a energia dos trabalhos, agindo sempre com muita altivez, como desbravadores dos caminhos da espiritualidade e da fé. São espíritos que se apresentam fortes, vibrantes e trazem as forças da natureza e a sabedoria no uso das ervas. É na irradiação benéfica das matas que espíritos são curados, doutrinados e encaminhados pelos caboclos.
“Os caboclos também ensinam a termos coragem e a sermos guerreiros na vida, lutando pelo que é justo e bom para todos. ... Ajudam-nos a entrar na macaia (a mata que simboliza a vida), a cortar os cipós do caminho (vencer as dificuldades) e, se preciso, caçar os bichos do mato (vencer as interferências espirituais negativas)”.
Há caboclos(as) na irradiação de todos os Orixás, mas a linha de trabalho dos nossos queridos Caboclos e Caboclas no ritual de Umbanda Sagrada é sustentada pelo mistério Orixá Oxossi. Os caboclos e caboclas são doutrinadores de nossa Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração. São trabalhadores dos mistérios à direita dos Sagrados Orixás.
Sua linha é forte, pois são aguerridos, persistentes e movimentam essências dos Tronos de Deus. São espíritos que se consagraram aos mistérios dos Orixás e servem à sua direita, com um nome simbólico que identifica a “falange” na qual eles trabalham.
Autor: Mãe Lurdes de Campos Vieira
Publicado originalmente no Site: Templo de Umbanda Sagrada Sete Luzes Divinas
domingo, 10 de junho de 2012
As Linhas de Trabalho
"Os Espíritos têm muitas vias evolutivas à disposição e seguem aquela que se mostra mais afim com suas naturezas íntimas e suas expectativas sobre seus futuros.
Entre estas vias, algumas são tão atrativas que se tornam "religiões" aqui no plano material.
A Umbanda Sagrada é uma dessa vias evolutivas, pois a quantidade de espíritos que afluem para ela é tão grande que foi preciso criar linhas ou correntes espirituais para acomodar tantos espíritos ávidos por manifestarem-se por intermédio da incorporação mediúnica.
Essas linhas cresceram tanto que formaram hierarquias, todas pontificadas por espíritos mentores de Umbanda.
Elas têm nomes simbólicos, sempre associados aos elementos da natureza, aos vegetais, aos animais, às cores, etc.
Entre tantos espíritos destacamos os que denominamos "guias de lei" (...), Espíritos que já se assentaram à direita e à esquerda dos Sagrados Orixás e os servem religiosa e magisticamente, sempre trabalhando em benefício da evolução da humanidade, tanto dos espíritos encarnados quanto dos desencarnados.
(...) Trabalham como agentes da Lei Maior e da Justiça Divina e atuam como transmutadores carmáticos, como refreadores das investidas de espíritos trevosos, como anuladores de magias negativas e como atratores naturais de espíritos menos evoluídos ou ainda inconscientes da grandeza da obra divina existente dentro no nosso planeta, e que não se limita só à dimensão espiritual. (1)"
"A Umbanda é uma religião aberta a todos os espíritos, tanto encarnados quanto desencarnados. Para ela afluem milhões de espíritos de todo o planeta, oriundos das mais diversas religiões e rituais místicos, mesmo de religiões já extintas, tal como a caldéia, a sumeriana, a persa, a grega, as religiões européias, caucasianas e asiáticas.
O Ritual Africano entrou com as suas linhas de forças atuantes, e os ameríndios, tais como índios brasileiros, os incas, os astecas e maias e os norte-americanos entraram por terem sido extintos, ou por estarem em fase de extinção e não quererem deixar perder o saber acumulado nos milênios em que viveram em contato com a Natureza (1)."
"Por isso, tanto os negros africanos como os índios já desencarnados se uniram à Linha do Oriente e fundaram o Movimento Umbandista ou Ritual de Umbanda, o culto às forças puras da Natureza como manifestação do Todo-Poderoso.
Cada um entra com o seu saber, poder e magia, mas todos seguem as mesmas ordens de trabalho. Podem sofrer pequenas variações, mas a essência permanece a mesma. A variante que se adaptar melhor irá predominar no futuro. Por enquanto, a Umbanda é um laboratório religioso para experiências espirituais (1)."
"Por ser um ritual de ação positiva sobre a humanidade, (a Umbanda) atrai milhões de espíritos sedentos de ação em benefício dos semelhantes. Milhões deles já foram doutrinados e anseiam por uma oportunidade de comunicação oracular com o nosso plano. Todos têm algo a nos ensinar e falta-lhes a oportunidade.
Não se incomodam em se manifestar em templos humildes, cômodos pequenos, à beira-mar, nas matas, nas cachoeiras, ou mesmo numa reunião familiar. Estão sempre dispostos a nos ouvir e a ensinar. Sempre solícitos e pacientes, não se incomodam com a nossa ignorância a respeito dos mistérios sagrados.
Têm um saber muito grande, mas conseguem comunicar-se de uma forma simples. Têm o saber que nos falta e a paciência com nossos erros que os encarnados não têm. São maravilhosos pela simplicidade que nos passam; substituíram os sacerdotes dos rituais da Natureza com perfeição.
As Linhas de Trabalho obedecem a irradiações divinas, mas são regidas pelos Orixás Intermediadores (os que estão mais próximos de nós).
As Linhas de Trabalho são atratoras dos espíritos que buscam uma oportunidade de evolução dentro da religião.
Quando um guia se apresenta como um Caboclo de Ogum, é porque ele foi absorvido pela Lei Maior, foi incorporado à hierarquia do Orixá Ogum, desenvolveu em si uma das qualidades desse Orixá e atua regido pelo fator ordenador da criação divina.
Encontramos nos nomes simbólicos dos Guias de Lei sua qualidade e sua qualificação ou campo de atuação.Temos Caboclos de Oxalá, Oxóssi, Xangô, Ogum, Iemanjá, Iansã, etc.
Por exemplo, o Caboclo Sete Espadas é um Caboclo de Ogum, ordenador nos sete sentidos da vida ou nos sete campos de ação de Ogum, já o Caboclo Sete Flechas, é um Caboclo de Oxóssi, que atua nos campos de Iansã, e assim por diante.
Símbolos, cores, sentidos e nomes afins com divindades sincretizadas são usados e podem ser intrerpretados por analogia ou comparação (1)."
(1) "As Sete Linhas de Umbanda - A Religião dos Mistérios", págs.139-151 - Rubens Saraceni; Ed. Madras, 2003.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A Linha das Crianças

Na Sagrada Umbanda manifestam-se Espiritos que por sua natureza encantam e alegram todo o ambiente, trazendo aos presentes uma sensaçao de pureza, alegria e paz. E impossivel nao se contagiar com a ingenuidade de alguns Espiritos que lhe pedem a bençao, beijinhos e guarana. Esses Espiritos compoem a Linha de Trabalho das Criancas, ou Ibejada - como sao conhecidos em alguns terreiros de Umbanda.
A Linha das Criancas representa a renovaçao espiritual que deve acontecer dia-apos-dia em todo ser humano, em atençao ao que disse Jesus aos seus discipulos quando andava na Terra: "Quem nao se tornar como uma criança, nao vera o Reino de Deus".
Quando se manifestam nos Terreiros, as crianças ocultam sua açao atraves de brincadeiras. Porem realizam verdadeiras curas que acabam se tornando imperceptiveis aos mais desavisados.
Por estarem ligados a ato de renovaçao dos seres, esses Espiritos trabalham na vibraçao de Oxumare, Orixa responsavel por renovar todas as coisas.
Anualmente, nos terreiros de Umbanda, sao realizadas festas com distribuiçao de doces e balas a crianças e adultos. Nao sao apenas doces de açucar ou mel, mas sao verdadeiros depositarios de energia que sofreram imantaçao com varios propositos espirituais e materiais.
Existe muita controversia sobre a verdadeira natureza das Crianças. Alguns autores as definem como sendo de espiritos que desencarnaram ainda crianças e outros dizem que a forma de se apresentarem como crianças nao passa de um simbolismo.
Rubens Saraceni nos afirma atraves de seus escritos psicografados que as crianças sao elementais da natureza que manifestam-se nos terreiros com o proposito de trazer renovaçao das forças espirituais e ate mesmo materiais.
Cosme e Damiao sao dois santos catolicos que no processo de sincretismo religioso acontecido no Brasil ficaram conhecidos como os representantes da Linha das Crianças. Muitos espiritos ate mesmo se apresentam com os nomes de Cosminho, Cosme, Damiao, entre outros.
Quando ocorreu o processo de sincretismo no Brasil, os negros oriundos da Africa associaram as figuras de Sao Cosme e Sao Damiao aos Orixas Gemeos cultuados sob o nome de Ibeji, que quer dizer "dois gemeos".
Cosme e Damiao eram dois irmaos que nasceram na Arabia, mas viveram no Oriente, na Asia Menor. Eram cristaos e por amor aos doentes praticavam a medicina sem cobrar qualquer quantia dos pobres. Realizavam curas em nome de Jesus e, por isso foram tidos como feiticeiros. O imperador Diocleciano, perseguidor dos cristaos, mandou que eles fossem presos e que se submetessem aos deuses romanos. Como se negassem a abandonar a fe crista, foram castigados com pedras e flechadas, mas resistiram. Logo depois foram decapitados. Acredita-se que tal fato ocorreu no Seculo IV da Era Cristã...
A Linha dos Pretos Velhos

Assim como Caboclo, Preto-Velho, no Ritual de Umbanda Sagrada, é um grau manifestador de um Mistério Divino.
Nem todo Preto-Velho é preto ou velho. São espíritos elevadíssimos que se manifestam sob a aparência de negros escravos, trazendo-nos o exemplo da humildade e simplicidade da alma.
Seu campo de atuação é vastíssimo e os encontramos atuando nas Sete Linhas de Umbanda, trabalhando a Evolução nos sete sentidos da vida dos seres.
Sua manifestação desperta a paz, a tranquilidade, a esperança e a perseverança, remetendo-nos à reflexão de nossa própria natureza íntima.
Com sua sabedoria e paciência, traz sempre uma palavra de fé e de consolo." (1)
É impossível comentar a respeito dos amados Pretos e Pretas-Velhas sem subir à lembrança a figura simpática dos velhinhos que mais se parecem com os avós de cada ser, com suas palavras doces, pacientes e tranquilas a respeito de tudo. São eles sempre tolerantes com as mazelas dos milhares de filhos que se sentam diante deles nos Centros de Umbanda e buscam uma palavra de conforto e carinho.
Palavras de conforto e carinho é o que transmitem com maestria, aliviando de seus filhos o peso da lida cotidiana, incutindo-lhes resignação, fé e esperança no porvir. Falam com mansidão e temperança. Não se aborrecem com as pessoas que, mesmo após ouvir seus conselhos sempre sábios, continuam tropeçando e caindo em erros e armadilhas feitas por elas mesmas.
É impossível falar a respeito dos queridos Pretos-Velhos, sem subir à memória a triste condição em que estiveram durante tanto tempo no solo brasileiro e em terras estrangeiras, sendo humilhados e subjugados a ferro e chicote. Trazem consigo a recordação daqueles famigerados anos de escravidão.
Écerto que nem todo Preto-Velho foi escravo nas terras brasileiras, mas uma grande parte dos Espíritos que assim se apresentam esteve encarnado na pele de negros africanos vivendo sob a tortura dos brancos.
(1) "As Sete Linhas de Umbanda - A Religião dos Mistérios", pág.151 - Rubens Saraceni; Ed. Madras.
(2) www.vivabrazil.com
sexta-feira, 5 de março de 2010
Os Guias de Umbanda
Na Religião de Umbanda manifestam-se Espíritos cujas atividades diferenciam-se pelas missões que cada um assumiu perante a Coroa Regente Planetária. São Espíritos Humanos que têm o grande papel de conduzir as pessoas no melhor caminho. São os Mentores Espirituais que na Umbanda são chamados de Guias.
Os Guias de Umbanda manifestam-se nos Terreiros seguindo um padrão já estabelecido desde a primeira manifestação através do médium Zélio Fernandino de Morais, jovem carioca que aos 17 anos de idade viu-se “incorporado” pelo Espírito que se identificou como Caboclo das Sete Encruzilhadas, nos idos de 1908. A missão desse Espírito ficou definida desde o início: inaugurar um novo culto em solo brasileiro. Um culto em que diversos outros Espíritos se manifestariam com o propósito de evoluírem e ajudarem os irmãos encarnados em sua caminhada terrena. Assim, aos Mentores Espirituais que se seguiram ao Caboclo das Sete Encruzilhadas, deu-se o nome de “Guias”, uma vez que eles começaram a “baixar” nos Centros de Umbanda trazendo a tarefa de guiarem os encarnados.
Um Espírito que se apresentou como Pai Antônio veio logo a seguir dizendo que era um “Preto-Velho”. Ao lado do Caboclo das Sete Encruzilhadas, o Pai Antônio fortaleceu as bases iniciais da Religião de Umbanda através da mediunidade de Zélio de Morais. Enquanto o Caboclo realizava um trabalho pautado na doutrinação e na sedimentação da Nova Religião, o Preto Velho definia seus trabalhos através de rezas, benzimentos e passes de curas. A partir da anunciação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, outros Espíritos “baixaram” nos centros umbandistas apresentando-se com as mais variadas formas fluídicas.
A Religião logo cresceu e, com ela, ampliou-se também a Corrente de outros Espíritos que encontraram na Umbanda uma oportunidade ímpar de acelerar seu processo evolutivo através da Caridade empregada aos irmãos encarnados e desencarnados. Assim, surgiram diversas outras formas fluídicas nas Giras de Umbanda: Crianças, Exus, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos, etc., cada qual com características próprias, maneirismos peculiares e jeitos particulares de trabalhar. Esses Guias de Umbanda compõem o que hoje é chamado de Linhas de Trabalho. As Linhas de Trabalho identificam o campo de ação de cada Entidade.
As Linhas de Trabalho foram, no início da Religião, confundidas com as Linhas Energéticas, ou Linhas Essenciais, que são pontificadas pelos Sagrados Orixás. É primordial que essa diferença seja bem definida para que não haja mais confusões.
Os Guias participam de agrupamentos afins chamados de Falanges. Os Espíritos que pertencem a uma determinada Falange assumem a identificação de seus Chefes Espirituais, cujos nomes determinam o próprio nome da Falange. Daí, cada Espírito que, por afinidade, participa da Falange de “Pai Antônio”, por exemplo, recebe esse nome. Por isso, há tantos “Pais Antônios” trabalhando nos Terreiros de Umbanda. O mesmo acontece com as demais Linhas de Trabalho.
A afinidade dos Espíritos é o que estabelece a qual linha eles irão pertencer. Não é a nacionalidade ou a raça vivida na última encarnação. Claro é que nem todo Espírito que trabalha na Linha de Preto-Velho (ou Linha das Almas – como é chamada em alguns terreiros) foi, de fato, negro ou velho na última encarnação. Nem todo Caboclo foi, no último encarne, um filho de índia (o) com branco (a). Também é certo que nem todo Boiadeiro viveu nos sertões ou nos campos apascentando rebanhos na encarnação passada. Isso explica também o que acontece na Linha das Crianças. Há Espíritos que compõem essa Linha que sequer tiveram alguma encarnação na Terra. São Espíritos Naturais conhecidos como Seres Encantados da Natureza.
Julio Cezar Gomes Pinto
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