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domingo, 10 de junho de 2012

A Corrupção na Umbanda

A falta de Caridade instalada na Terra está acabando com a raça humana e a corrupção de milhares de espiritualistas está manchando a bandeira da Umbanda através da venda indiscriminada da Caridade!
Quantas pessoas estão transformando a Umbanda num "Balcão de Negócios"!
Impotentes, muitos outros se perguntam como deveríam combater essa agressão aos Espíritos de Luz da Umbanda. Como acabar com a Corrupção na Umbanda?
Há pessoas, entretanto, que não são isentas de uma parcela de culpa nessa relação abominável na Umbanda chamada caridade-dinheiro-caridade.
Ora, se a pessoa vai exatamente a um desses locais para fazer uma "amarraçãozinha", fatalmente irá cair no Conto do Vigário (ou melhor), do Pai de Santo. Contudo, não podemos admitir o mesmo fim para os que de boa-intenção, querendo realmente um socorro espiritual, aflitos ou desesperados por um motivo justo, acabam sendo levados a uma tenda dessas por sua própria desesperança.
Certa vez, um homem comparou as pessoas a ovelhas que precisam de um pastor para lhes guiar e falou sobre detalhes delas até então desconhecidos. As ovelhas são quase cegas, não sabem distinguir as sombras à frente, se dispersam normalmente, caem nos buracos com facilidade e se perdem do rebanho... Elas são assim pela sua natureza. São exemplos perfeitos da natureza humana!
Os homens também são assim: quase cegos! Conseguem distinguir a voz do pastor, mas nunca a sua semelhança. Entretanto, até mesmo os falsos pastores têm voz suave e meiga. Esses falsários existem e se aproveitam da cegueira das pessoas. Esses que usam o nome da Religião de Umbanda para continuar com suas mesquinharias e ganância.
Infelizmente surgiu um espertalhão e descobriu que explorar a crença e a boa-fé de alguns desavisados dava muito dinheiro e lançou a semente nos corações podres de alguns charlatães que fizeram com que essa defamada árvore da caridade remunerada crescesse.
Os enganadores continuarão enganando porque sempre vai existir alguém que busca o engano.
Os corruptos continuarão existindo. Também aqueles que se deixam levar pela corrupção.
Mas, não é por isso que devemos permitir que a Corrupção, ande livremente entre as gentes com o nome de Caridade Umbandista.
Não queremos tratar do corrupto em si, pois continuarão levantando barraquinhas e consultórios para si. Que tenham seus consultórios, livre opção de quem vai lá, mas não com o nome de Umbanda!
Que tenham suas tendinhas, com atabaques ou não, mas nunca com o nome de Umbanda!
Que levantem seus espectros sobre os desavisados, mas não com o título de Espíritos de Luz da Umbanda.
"Eis que o machado está posto à raiz!" , é chegada a hora da ceifa, quando o joio será separado do trigo. Há muito joio espalhado na Seara de Jesus! Algo precisa ser feito.
Os médiuns são os trabalhadores, os ceifeiros, os operários. Têm a Machada de Xangô e a Espada de Ogum, sem falar na Foice de Omulu, para começar o trabalho de separação e colheita do trigo.
Se não há lei material que ajude a Umbanda no combate à mistificação e ao engodo, os umbandistas podem se valer da Lei Divina para isso! Terão Ogum ao seu lado! Terão Xangô para decretar a Justiça!
Cabe aos umbandistas a tarefa de, de posse dessas ferramentas espirituais, começarem o trabalho. Não se pode permitir que o mal alcance o bem.
O Bem está sempre à frente do Mal, que o persegue e tenta aniquilar as coisas boas que ele, o Bem, produz.
Através da Rede Brasileira de Umbanda,  os leitores indicaram a melhor forma de se acabar com a corrupção na Umbanda e, imaginem só, a "educação mediúnica através dos estudos" foi apontada como a arma perfeita para isso. Observe o gráfico abaixo e as opiniões de todos:

Sugestões Apresentadas por participantes da RBU através do Forum:

Educação através dos Estudos - 5 Votos.
Perseverança na Caridade - 2 Votos.
Vigilância pessoal - 1 Voto.
Punição conforme as Leis Humanas - 1 Voto.
Exemplo bom individualmente transmitido - 1 Voto.
Punição Divina, a seu tempo - 3 Votos.
Responsabilidade no trato com as coisas espirituais - 1 Voto.
Intervenção a partir das Federações - 3 Votos.
Campanha de reforma da Umbanda - 1 Voto.
Humildade, por parte dos Dirigentes - 1 Voto.
Criação de uma Comissão, para exigir atitudes das Federações - 1 Voto.
Reforma Íntima - 1 Voto.
Conscientização dos próprios irmãos de terreiro - 1 Voto.
Codificação da Umbanda - 1 Voto.

Julio Cezar Gomes Pinto

A Umbanda e o Vil Metal

É impressionante como surgiram entre os umbandistas tantas pessoas que conseguiram torcer as palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas! !! É triste ver espalhados pelo Brasil os mesmos vendilhões da época de Jesus.
Ficamos mais tristes ainda quando vemos tentativas humanas para anularem o papel missionário que Jesus exerceu na Terra. "Jesus foi apenas um revolucionário", dizem esses. "Jesus não falava do mundo espiritual, era material mesmo", afirmam outros.
Independente do que fazem em torno do nome de Jesus, ficamos tristes e decepcionados com o desrespeito ao Caboclo das Sete Encruzilhadas e suas palavras de ordem para a Umbanda.
Ora, foi esse Caboclo, valente e humilde, quem determinou as bases da Umbanda! Foi Ele quem disse: "NÃO HAVERÁ COBRANÇAS PELA CARIDADE"! Na Umbanda os Espíritos irão baixar nos terreiros para a prática da caridade pura e desprovida de interesses (monetários ou não).
Porém, exatamente como ele previu quando disse que o "vil metal" (dinheiro, para quem não sabe) iria macular a Umbanda, manchar sua bandeira de caridade, rasgar o testamento dos Caboclos e Pretos Velhos e queimar o Amor entre os irmãos, está acontecendo de forma escancarada e NINGUÉM faz nada para impedir isso!
Estão comercializando os dons divinos, NÃO HUMANOS, como se fossem propriedade particular!
Vende-se as palavras de um Preto Velho, como se fossem tirinhas de um jornal!
Cobra-se hoje para socorrer os desesperançados e os que nada têm para dar!
Em nome de uma suposta entrega abnegada ao "serviço espiritual", estipulam preços e valores por um trabalho que nem os próprios "trabalhadores" dão garantia. Quando o dão, não deixam nada assinado para posterior cobrança judicial! Já que é espiritual, não se pode assinar papéis de garantia de devolução do dinheiro cobrado, não é mesmo?
Ora, se realizam cobranças e recebem DINHEIRO por serviços prestados em nome de Deus, então por quê não dão recibos e notas fiscais? Por quê não recolhem os impostos como todo bom comerciante? Por quê não fazem declaração de renda para o Leão, como todo correto contribuinte faz?
Se querem cobrar, que assim o façam! Mas NÃO em nome da Umbanda!!! Criem outra religião! Inventem outro nome pro seus credos! Não copiem o nome sagrado da religião que veio à Terra para revelar de GRAÇA os Espíritos de Luz! Dêem outra denominação para suas Casas: URUBANDA! DINHEIBANDA! MOEBANDA! DOISBANDA! Ou outro nome que possa desvincular qualquer mácula das Casas genuinamente umbandistas.
Não somos contra as ofertas voluntárias!
Não somos quem deseja contribuir para o bem comum das Casas!
Mas daí, aproveitar para estipular um valor para atendimento. .. Vai uma distância muito grande. Quilométrica.

Deus Salve a Umbanda!
Deus Salve a Caridade!
Deus Salve o Caboclo das Sete Encruzilhadas!

Julio Cezar Gomes Pinto

O Perfil do Umbandista

Dentre aqueles que freqüentam um terreiro de Umbanda na condição de médium de incorporação destacam-se os que vivem verdadeiramente a fé umbandista. A condição de umbandista não se limita apenas às roupas, às guias, ao ritual ou ao dom que recebeu e aprendeu a desenvolver ao longo dos anos. A pessoa umbandista vai além das paredes, muitas vezes caiadas, dos templos e das tendas. Há quem diga que umbandista é aquela pessoa que faz parte de um terreiro e que serve de “cavalo” para os Caboclos e Pretos Velhos. Ora, sabe-se que todo aparelho de uma dessas Entidades é um umbandista porque faz parte da religião de Umbanda. Entretanto, ser umbandista é algo mais profundo do que apenas uma apresentação exterior de força espiritual ou trabalho mediúnico. O umbandista, antes de qualquer coisa é um indivíduo comum, suscetível a erros e tropeços, que tem uma vida cotidiana como a de qualquer ser humano e que também está sujeito a enfermidades, violências e também à morte do corpo. O umbandista não é nenhum super-homem, e tampouco um poderoso mensageiro dos céus. Pelo contrário, é mais um entre os milhões de espíritos que estão no Planeta com a árdua e necessária tarefa de resgate dos erros cometidos em vidas anteriores.
Uma das grandes características do umbandista que vive a religião que professa é a abnegação, particularidade muito bem exemplificada por Jesus e por tantos outros que se entregaram totalmente em favor de outrem. O ato de sacrificar a própria vida pelo bem comum deu ao Galileu o título de grande exemplo a ser seguido por todos aqueles que quiserem estufar o peito e dizer que são umbandistas. Primeiramente é necessário saber doar-se em favor do próximo.
Não há hoje em dia a necessidade de pendurar-se numa cruz, ou receber uma coroa feita de galhos cheios de espinhos, como Jesus fez há dois mil anos. Mas, é preciso entregar-se diariamente em favor dos outros num trabalho contínuo de sacrifício do Ego.
O umbandista precisa ser abnegado. Não se importando com o que acontecerá a si mesmo, ele dá tudo o que tem para que os seres à sua volta se sintam felizes de alguma forma. Esta abnegação, porém, é exercida de forma desinteressada, gratuita mesmo. A palavra gratuita vem de “graça”, ou seja, aquilo que é dado ou feito sem esperar nada em troca. Nenhuma riqueza, nenhum benefício ou qualquer outra coisa que possa servir de pagamento pelo favor prestado.
Exercitando a abnegação (ato de negar-se a si mesmo), o umbandista é capaz de “emprestar” seu corpo e seu intelecto aos Caboclos, sem desejar alguma bênção especial. É capaz de estender a mão aos amigos e aos inimigos sem exigir deles a gratidão ou o reconhecimento. É capaz de perdoar aqueles que o ofenderam, sem jogar-lhes na face, a culpa. Praticando a abnegação, muitas vezes, o umbandista despende seu tempo, suas roupas, seus recursos, sua saúde e seus tesouros mundanos em prol de alguém que nem mesmo conhece. Há muitos exemplos disso nas parábolas proferidas por Jesus. A do bom samaritano é o maior de todos.
A pessoa que, sob qualquer desculpa, solicita ou recebe alguma remuneração pelo bem que prestou, está longe de dizer que verdadeiramente é umbandista. Se, em algum momento, esperou dos irmãos, sejam eles encarnados ou desencarnados, qualquer recompensa, está longe do que realmente deve ser um Filho de Umbanda. Se qualquer ato que beneficiou o irmão foi, de alguma forma, “pago”, deixou de ser uma atitude abnegada para ser apenas um negócio.
A comercialização, nesses casos, não é apenas a troca de serviços por bens monetários, como pensa a maioria. Trata-se também das vantagens que muitos membros da religião esperam receber por estarem fazendo o que lhes é de obrigação fazer. Desprovidos de qualquer sentimento tipicamente humanista, existem muitos umbandistas que cobram dos Mensageiros de Aruanda alguma vantagenzinha, algo extremamente egoísta e mesquinho. É aquele que vê na tal caridade que praticou no terreiro a oportunidade de ganhar a simpatia do Chefe ou da Mãe de Santo e, com isso, obter favores. É também aquele que espera um reconhecimento público da caridade prestada, e torna-se – em muitos casos – um vaidoso e exibido médium sempre querendo “dar” mais alguma coisa em troca de outra.
Aquele que faz da caridade um trampolim para “subir” na vida, já deixou a abnegação para trás há muito tempo. Aquele que achou no serviço em favor do próximo uma oportunidade para “ganhar a vida” perdeu a chance de abnegar-se pelo irmão. E aquele que diz que ostenta a bandeira da Caridade – palavra de ordem maior da Umbanda – jamais deve trocá-la por alguma ninharia ou por uma grande soma. Mas, deve procurar conservar essa grande característica do real religioso umbandista: a abnegação!

Julio Cezar Gomes Pinto

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Umbandista, "Vem e Segue-me!"


A prática da Caridade e a vida de entrega contínua dos que se propõem a servir na Religião de Umbanda estão intimamente ligadas ao apelo do Mestre Jesus, considerado por milhares de umbandistas como o Filho de Deus e sincretizado com o Pai Oxalá, Orixá da Fé. O apelo de Jesus, ou o chamado do Mestre, encontra eco nas palavras de milhares de Pretos Velhos e Vovós de Umbanda que, insistentemente, incutem nos filhos de fé e nos seus consulentes as exortações à caridade, à paciência, ao perdão e o amor ao próximo.

O Mestre da Galiléia, apontado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas como modelo a ser seguido pelos umbandistas, por vezes convocava os seus discípulos a entrarem numa demanda missionária cujo propósito era o de mostrar-lhes pelo exemplo a maneira correta de se posicionarem perante a multidão. Tais atitudes de Jesus levavam os discípulos a repensarem suas tacanhas e preconceituosas maneiras de ver o semelhante, já que todos haviam sido educados na radical tradição judaica.

Jesus trouxe uma mensagem que traduziu-se como "A Verdade". Não era a "sua" verdade, porém resumia o pensamento ancestral e milenar da Espiritualidade Maior e apontava a direção certa a todos.

Simples, Jesus fazia declarações arrebatadoras aos humildes e rudes homens do campo; falava com impressionante veracidade a doutores e autoridades sacerdotais de sua época e distinguia-se dos poderosos governantes pela sua maneira horizontal de chefiar os seguidores.

Sem ostentação e desprovido da insuportável vaidade humana, Jesus convidava os seus discípulos e seguidores a tomarem para si os exemplos das figuras e símbolos que recheavam suas mensagens compreensíveis até mesmo pelas criancinhas.

A Umbanda tem nas mensagens de Jesus o convite ao exercício da Caridade, do amor fraternal e do trabalho constante em favor dos aflitos. Foi assim que o Mestre convocou os rudes pescadores, cobradores de impostos e preconceituosos seguidores do judaísmo.

Grandes prodígios Jesus fez na Galiléia, terra considerada pelos judeus como sendo o local de homens pouco inteligentes e insubordinados. Jesus, apesar disso, levava os discípulos a verdadeiras excursões pelas terras da Galiléia com o propósito de ensinar-lhes algo que culminaria com a reflexão interior e com a mudança de postura deles mesmos, como na vez em que chamou Filipe a seguí-lo: “No outro dia, Jesus quis partir para a Galileia. Encontrou Felipe e lhe disse: Segue-me” (Jo 1, 43).

Jesus passou grande parte de sua vida na Galiléia, apesar de ter nascido na Judéia, terra vizinha. Lá, ele cresceu e entrou na adolescência, por isso era chamado em tom jocoso de "O Galileu". Geograficamente, a Galiléia é uma região de montanhas e mostra-se como uma "encruzilhada" de caminhos entre o Mediterrâneo e os desertos do rio Jordão. Foi também palco de grandes prodígios que nos remetem à reflexão.

O umbandista depara-se com muitas encruzilhadas! Vez por outra precisa decidir seu destino na escolha de caminhos que o levam ao perdão ou ao orgulho; ao amor ou ao ódio; à temperança ou à ira; às planícies fecundas da caridade ou aos desertos da indiferença e do egoísmo.

A Galiléia pode ser vista como o mundo em que vivem os Espíritos humanos que correm aos terreiros em busca de socorro. Espíritos que normalmente são considerados de pouca inteligência. Espíritos que, devido ao estágio em que se encontram estão revoltosos e avessos aos mandamentos celestiais de amor e perdão.

Foi na Galiléia que Jesus transformou a água em vinho! Fato que diz muito mais do que uma simples demonstração mágica. Jesus mostra, através do tão famoso milagre das bodas que o homem deve buscar incessantemente a mudança interior para que seja agradável a todos os convidados da última hora.

O umbandista de verdade deve realizar essa mudança constantemente, caso contrário os sábios conselhos dos Pretos Velhos soarão como palavras vazias e sem vida. Sem mudança interior, o umbandista permanecerá estagnado nos vasos de pedra da ignorância.

Na Galiléia Jesus transfigurou-se perante os discípulos, o que nos remete novamente à mudança constante. Desta vez, a mudança do umbandista é externa. Todos precisam enxergar no filho de Umbanda, o novo homem, a nova criatura, o que nasceu de novo. O rosto do umbandista deve resplandecer a luz dos Guias e Mentores de Aruanda, como nos diz o lindo hino. O umbandista deve refletir a "luz Divina em todo o seu esplendor".

Foi no lago de Genesaré, o Mar da Galiléia, que Jesus exortou Pedro a viver uma vida de Fé, quando o pescador começou a afundar nas águas revoltas. Assim, deve ser todo o umbandista! O umbandista enfrenta muitas ondas que põem sua fé em jogo, contudo ele deve abandonar a incredulidade, a ignorância e a falta de confiança nos Guias para andar pela fé sobre as águas escuras da vida cotidiana.

Foi na Galiléia também, ainda no Grande Mar, que Jesus ensinou os discípulos a serem grandes pescadores.

Como seguidores do Mestre Jesus, os umbandistas precisam aprender a ser também pescadores de almas. Não para encher os templos e terreiros com cegos dizimistas ou fanáticos mandingueiros, mas para levar as criaturas humanas aos campos luminosos de Aruanda. As almas perdidas serão tiradas do grande mar que é a vida sem Deus, e serão depositadas nos braços dos sagrados Orixás para servirem de alimento aos outros que ainda não encontraram o caminho da Luz.

Todos esses ensinamentos, e muito mais ainda, o Mestre Jesus deu aos discípulos.

Jesus não quis transformar os discípulos em apenas imitadores ou repetidores de fórmulas mágicas. O Mestre não quis que eles somente fizessem os mesmos milagres - como o mundo classificou - apenas porque aprenderam a fazer igual. Jesus quis exemplificar, assim como muitos outros grandes mestres da Luz, que os filhos de fé, e aqui podemos chamar de "umbandistas", precisam servir aos irmãos numa atividade servil e caridosa de amor ao próximo.

Portanto, umbandistas, ouçam o que diz o Mestre da Galiléia: "Vem, e Segue-me!".

Julio Cezar Gomes Pinto

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Oitava Lágrima do Caboclo de Aruanda

Mensagem transmitida na Casa de Caridade Santo Antônio de Pádua durante a Gira de Desenvolvimento Mediúnico em complemento ao já famoso texto "As Sete Lágrimas de Pai Preto"

  Ah... A Oitava Lágrima...
A oitava lágrima eu vi rolar dos olhos do Caboclo de Aruanda. E então, perguntei: "E essa lágrima, meu pai, o que significa?"
Ele então me respondeu com a voz embargada e cheia de pesar: "Essa lágrima, meu filho, é a mesma que desceu dos olhos do Cristo quando encontrou o querido Lázaro no túmulo... Ela desce queimando minha face, como o sangue que desceu lá no Calvário, da cabeça divina coroada de espinhos.
Essa lágrima representa a dor e a tristeza que invade os corações de todos os Caboclos de Aruanda. A dor em ver tantos filhos de fé retribuindo com ingratidões todos os favores a eles dispensados. Em receber em troca do amor que lhes dou, muitas flechadas embebidas no fel da discórdia e da descrença.
Representa o sofrimento em receber nas mãos os cravos da injúria daqueles que, negando a mensagem de Jesus, levantam falsas palavras contra o meu carinho e afago.
É a lágrima que ofereço aos filhos que me abandonam na jornada e na difícil tarefa de apascentar as ovelhas perdidas do Senhor.
É a lágrima que jorra todos os dias em favor dos médiuns que não aplicam seus corações nos ensinamentos que o Pai determina que eu lhes dê. Entrego em favor dos filhos que vêm para esse Pequeno Paraíso, a Tenda de Umbanda, com os corações e as mentes cheios de espinhos e abrolhos que a terra seca produz.
Aos que, cegos, não conseguem ver a beleza e a pureza que, dia após dia, permito que vejam dentro do Congá o qual purifico e perfumo com as essências da caridade e do perdão.
Desce, porque sinto o peso da cruz do Nazareno e não encontro nenhum Simão para me ajudar a levantar da terra e a continuar firme em direção ao alvo que Deus, nosso Pai, quer levar a todos.
Enxuga-me os olhos, filho... E me presenteie com o seu amor.

sexta-feira, 5 de março de 2010

A Egrégora de Umbanda



Se você é pai no santo ou médium freqüentador de algum terreiro, já deve ter pelo menos ouvido alguém dizer: -"Olha a corrente, gente! Vamos concentrar"!
Você sabe realmente o que isso quer dizer? Muita gente (até as que falam) não sabe! O que é essa tal de "corrente"? Será uma corrente de ferro ou de fibras que se forma no invisível? Será uma corrente que vai prender os espíritos? Será? Será?
Na verdade, quando um dirigente (quando bem preparado) chama a atenção para a "corrente" é porque ele sentiu uma queda ou diminuição na energia ambiente (EGRÉGORA) que deve ser mantida pelos médiuns em um potencial elevado, de forma a manter os trabalhos em nível adequado, até mesmo por uma questão de auto-preservação.
Numa gira de Umbanda e também nos cultos das Igrejas Evangélicas que fazem curas, etc,
um grupo de pessoas deve estar UNIDO POR UM MESMO IDEAL. Isso é a base de tudo!
Criada a egrégora (pela união dos pensamentos direcionados aos mesmos fins), cada vez mais energias de mesma sintonia são atraídas para o ambiente. Essas energias somadas atuam imediatamente nas pessoas que ali estão, e em alguns casos, se for bem forte já começam a operar alguns "milagres", desde que as pessoas estejam em estado de recepção (concentradas no ritual e ansiando por receberem um bem). As entidades afins (os seres espirituais) penetram e até são atraídas para o interior. Entidades inferiores tendem a ser barradas por uma força invisível (a energia) que a princípio é incompatível com suas vibrações (isso se tudo estiver "correndo bem").
Se uma entidade inferior for atraída para dentro da egrégora, ela fica de certa forma subjugada pela força desta e desse modo se consegue lhes dar um melhor encaminhamento para outros planos espirituais.
As entidades afins usam parte dessa energia para auxiliar os que ali estão na medida de suas possibilidades.
A técnica usada nos terreiros de Umbanda e Candomblé para formar a egrégora inicial (quando os grupos são bem dirigidos) está baseada nos rituais de "abertura". Já nas Igrejas Evangélicas e outras, consiste basicamente nas pregações, que fazem com que os adeptos se concentrem ou dirijam seus pensamentos de acordo com a "pregação". Nessas "pregações" há sempre um direcionamento do raciocínio dos ouvintes de forma a fazê-los pensar positivamente e acreditarem firmemente na possibilidade de alcançarem os bens que foram procurar. Nesse momento, embora nem saibam às vezes, estão gerando a egrégora.
Fazer com que a assistência de um terreiro participe ativamente, pensando positivamente, deve ser parte obrigatória de TODAS as giras de Umbanda. Essa, no entanto é uma prática esquecida e o que se vê em muitos terreiros é uma assistência quase sempre alheia, só participando em alguns momentos, de preferência quando vem ao encontro do que lhes interessa.
Dessa egrégora são retiradas as energias para a realização dos trabalhos, o que vale dizer que se essa energia não for forte o suficiente, o mínimo que pode acontecer é acontecer nada.
Por outro lado, se a corrente ou egrégora das "giras" não for suficiente, várias complicações podem acontecer com o passar do tempo, sendo que, o(a) dirigente, por ser o centro maior das atenções e para quem convergem as maiores quantidades de energia ali geradas e mesmo as trazidas pelos assistentes, é quem sofre, por assim dizer, as maiores conseqüências dos trabalhos realizados sem a devida segurança.

Baseado no texto: “Você sabe o que significa Egrégora?”, por “solkiinin”, em solkiinin@yahoo.com.br




terça-feira, 25 de novembro de 2008

A Umbanda é Única



Fala-se em tantas Umbandas...

Branca, esotérica, popular, traçada, de nação, omolocô, umbandomblé, candomblé de caboclo, evangelizada, kardequizada, iniciática e outras mais.

O que é Umbanda então?

Se são tantas, porque cada qual teima em dizer que somente a sua, aquela que ele pratica, é a verdadeira?

"Origens!", "raízes!", respondem todos em uníssono!

Esta seria a solução para os problemas!

E qual a origem da Umbanda verdadeira?

Lá vamos nós novamente viajar por inúmeras teses... Negros Africanos, Sumérios, Atlântida, Astros, Planetas diversos, Seres extraterrenos, Anjos celestiais, etc…

Mas será que isso tudo é importante?

Por quê temos que precisar ou determinar qual das Umbandas é a mais ou a unicamente correta?

Quem sabe não são mesmo várias Umbandas, totalmente diferentes umas das outras?

Ou, ainda por outro lado quem sabe, ela é somente uma mesmo, apenas com várias ramificações!

O que é mais importante numa religião?

De onde ela vem ou para onde ela vai?

Que interessa o berço em relação ao trabalho futuro? Será mais importante a caridade do irmão de poucas posses do que a oração do mais (abastado)?

Se formos olhar bem a fundo cada uma das diversificações de nomes ou qualificações das diversas Umbandas, veremos que em todas elas manifestam-se entidades espirituais semelhantes, tais como os Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, Crianças e Orixás, além de Baianos, Boiadeiros, Zé Pelintras, Ciganos, etc…

Uma religião que prima pela Caridade, Humildade e Amor, não poderia se dividir tanto entre seus filhos.

A Umbanda é única! Ela é perfeita!

Tão perfeita que se adapta a tantas interpretações.

Tão linda e majestosa, que aos olhos de cada um mostra a luz da maneira que possa ser percebida.

E suas origens são mesmo polêmicas, mas não traduzem os maiores ideais da religião: caridade, humildade e amor.

Que se busquem historicamente as origens, mas não contaminemos nossa prática religiosa com nossas próprias imperfeições, com nossos próprios preconceitos, com nossos próprios interesses pessoais.

Ao invés de subdesenvolvidos, que tal tradicionais?

Ao invés de cultos exagerados, que tal criteriosos?

Ao invés de discussão, que tal aceitação?

Não seremos menores se formos africanistas, ou maiores se iniciáticos!

Não seremos mais capazes, se optarmos por fundamentos de nação ou menos capazes, se seguirmos os ensinamentos à luz Kardequiana!

Seremos sim, maiores ou menores, se levarmos em consideração a caridade que conseguirmos praticar!

Muitos se mostram prontos para uma verdadeira luta na intenção de resgatar a verdadeira Umbanda, outros pretendem livrá-la de influências negativas de outras religiões.

Vamos fazer mais que isso!

Vamos praticar a nossa Umbanda, aquela que nos toca ao coração com sentimentos de amor e caridade.

Vamos mostrar esse amor a todos os nossos irmãos.

E aí, quem sabe, teremos uma Umbanda única e seremos verdadeiros Umbandistas.




Texto extraído do Correio da Umbanda 2

Autor Desconhecido

Postado por Mary Carlos, em sua página na RBU

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O Umbandista e a Vaidade

A falta de união entre os terreiros de Umbanda está relacionada à vaidade e ao egocentrismo de determinados dirigentes umbandistas. A vaidade é como um veneno que contamina a alma do indivíduo. É um entorpecente letal que, se não for cuidado em tempo, levará o sujeito a um desfecho completamente irreversível. Essa mesma vaidade é ainda um mal que destrói a verdadeira missão da Umbanda: a Caridade!
Normalmente, a vaidade começa com um pequeno elogio: "Nossa, Fulano trabalha bem naquele terreiro!" ou " Fulano tem um 'Guia' muito forti..."
Enquanto elogios desse tipo não chegam aos ouvidos do Fulano, tudo anda bem. Porém, a coisa começa a degringolar quando tais palavras alcançam o desavisado. É realmente um veneno, mas só se o alvo deixar entrar em sua corrente sanguínea. Aí, não tem jeito...
O Fulano, movido pela vaidade, passa a se achar o bambambam da Religião. Acredita que só ele é quem detém as chaves dos mistérios umbandistas. Só ele tem a melhor incorporação: a mais forti. Pensa que só o seu cabocro é quem tem o poder de desfazer todas as demandas; só o seu inxum é quem é o Cabra mais poderoso; só o seu preto-velho é o mais iluminado. Tudo isso toma uma proporção maior ainda quando o Fulano é o "dono" do Terreiro onde ele diz que pratica a Caridade.
Contaminado pelo veneno da vaidade, o Fulano passa a desfazer dos outros "terreirinhos" ao redor. Acredita que só o dele é que tem os verdadeiros e únicos fundamentos da Religião; só o dele é que segue o verdadeiro ritual; só o dele é que tem a raiz mais profunda; só os seus antepassados é que praticavam a "verdadeira" Umbanda... Tudo isso é triste... Mas, aliado à vaidade, surge o egocentrismo de certos dirigentes.
Do alto do ilusório pedestal, o Fulano passa a ser o Senhor das Duas Torres (acho que já vi esse filme...): a vaidade e o orgulho! O Terreiro passa a ser uma extensão de si mesmo. Toda a sua vaidade e o seu ego inchado refletem no terreiro que ele comanda... O ritual já não tem a simplicidade do início. Suas vestes já não são mais tão simples como quando despertou o primeiro amor pela religião... Até os médiuns mais novos alimentam um certo orgulho de pertencerem ao "melhor" centro de Umbanda. Já não vêem com bons olhos os trabalhos realizados pelos mesmos Guias de sua casa no Terreiro vizinho. Acreditam que os médiuns do terreirinho da esquina estão mistificando e que os Guias de lá, não são Guias.
Egocêntrico, vaidoso e cada vez mais alienado das novidades da Religião e do crescimento de outras casas, o Fulano embebeda a todos com sua filosofia sem fundamentos do que é a verdadeira Umbanda... Despeja uma infinidade de pedras nas casas alheias; passa a criticar as atitudes dos outros pais de santo, dos outros chefes de terreiro; diminui o trabalho dos novos umbandistas (ainda mais se esses abrem um novo terreiro para a prática simples da caridade...); inicia a apresentação de um ritual rebuscado, cheio de inovações, poluído de mundanismo; ofuscante de tanto brilho e de tanta pompa.
Ora, se tais desvios de comportamento e de conduta ficassem restritos ao seu terreiro, seria bom... O problema fica pior quando o terreirinho da esquina, aquele que foi tão humilhado e execrado, aquele que conservava uma simplicidade sem par, o mesmo que era tão humilde e simples, se envereda pelo mesmo caminho do "Majestoso" e passa a disputar as atenções do público...
Bem, não é necessário enumerar e explanar sobre as mesmas atitudes do outro terreiro. Todas os atos e pensamentos são idênticos! Como se esse estivesse contaminado pelo mesmo vírus, ou pelo mesmo veneno. Seria redundância falar sobre o que o agora nada-humilde terreiro faz "em nome da caridade".
A união é impossível diante de quadros como esses...
Como unir dois potentes vaidosos e egocêntricos? Quem brilhará mais? Qual dos dois irá deter o título de "melhor"? Qual deles tem a raiz da Umbanda?
Onde houver vaidade, não subsistirá a Caridade.
Julio Cezar Gomes Pinto

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O Umbandista de Verdade



Ser um verdadeiro umbandista é, acima de tudo, amar o Criador e todas as coisas que foram criadas por Ele. É amar a Terra, o vento, o rio, o fogo, o mar, as montanhas, as plantas e as criaturas viventes. É amar a criatura humana, símbolo da perfeição de toda sua obra;

Ser um verdadeiro umbandista é colocar-se à disposição dos Guias Espirituais da Umbanda na prática da Caridade, expressão maior do amor. É saber ouvir os bons conselhos dos Pretos Velhos; é ser intrépido e valente como os Caboclos; é permanecer doce e gentil como as Crianças; é ser flexível e corajoso como os Marinheiros; é ser um bom combatente e audacioso como os Boiadeiros; ser manso e sereno como os Ciganos; é ser divertido e alegre como os Baianos (tal como o Mestre Zé Pelintra). Ser um bom guardião das coisas santas como o incompreendido Exu;

Ser um verdadeiro umbandista é honrar os Sagrados Orixás, tenham eles os nomes que tiverem, sejam eles regentes dos pontos de força em que estiverem entronizados, sejam eles conhecidos ou ainda velados. É saber solicitar-lhes o socorro no cumprimento do dever; é pedir-lhes ajuda quando necessário; é entender o seu correto campo de ação;

Ser um verdadeiro umbandista é prestar a caridade da forma como puder realizar, independente do rótulo, mas sempre com amor, inteireza de coração e humildade. É estar sempre solícito aos apelos dos necessitados, nunca esperando nada em troca. Nunca aguardando qualquer forma de retribuição, seja material ou espiritual. É estender a mão ao caído, mas sem exigir dele o pagamento do socorro;

Ser um verdadeiro umbandista é amar o irmão de fé, compreendendo suas fraquezas e limitações, sem jamais apontar-lhe o dedo acusador com a intenção de empurrá-lo ao precipício. É não tornar-se altivo, soberbo e poderoso perante os ignorantes e pequenos. É calar-se diante da injúria ou da calúnia, e não revoltar-se preparando-se para a guerra armada;

Ser um verdadeiro umbandista é respeitar a autoridade espiritual que lhe foi apresentada pelos Guias, na pessoa do Chefe de Terreiro. É entender que ele também é passível de erros e tropeços, e nunca pode ser visto como infalível. É aceitar as suas correções e orientações, ainda que na vida comum ele peque naquilo que orientou melhor os seus filhos de fé. É fazer sempre o melhor para agradar ao seu chefe, sabendo que está fazendo não para ele, mas para o seu Guia Espiritual que o conduziu até aquela pessoa;

Ser um verdadeiro umbandista é dar o carinho necessário aos filhos de fé. Não é espancar com palavras ou com a mão, mas é corrigir com afabilidade e temperança. É estar na condução de uma corrente, exercitando a paciência, a abnegação, o amor ao próximo e, sobretudo, a humildade. É não fazer distinção de filhos pobres ou ricos, de feios ou bonitos, de inteligentes ou ignorantes, de pretos ou brancos. É abraçar a todos os filhos sem preferir aos mais achegados, mas é buscar aquele que está longe, afastado, retraído, assustado.

Ser um verdadeiro umbandista é não jogar pedras no telhado da casa vizinha. É respeitar o Guia que toma conta dela; é respeitar as Entidades que ali descem de vez em quando; é amar os irmãos que residem naquela mansão ou naquele casebre; é ajudar a levantar uma parede caída, ou um alicerce abalado. É não jogar lama na parede caiada utilizando palavras mesquinhas e cheias de rancor ou inveja.

Ser um verdadeiro umbandista é apenas seguir o exemplo do Mestre Jesus.


Julio Cezar Gomes Pinto

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Bem Aventurados Filhos da Terra

Bem Aventurado É o filho da Terra que se assenta Na mesa do Senhor; Pois comerá do pão da vida E encherá sua alma de amor. Feliz é o filho da Terra Que caminha ao lado de Jesus; Porque andará seguro Pelas sendas da luz. Feliz é o filho da Terra Que perdoa o irmão; Pois receberá de Deus O fruto da Vida Que emana do Seu coração. Feliz é o filho da Terra Que não se fia nas coisas da matéria; Pois Deus será sua Força E o levará para a Morada Eterna. Feliz é o filho da Terra Que põe em Deus sua confiança; Pois fará com o Senhor Uma Eterna Aliança. Feliz é aquele Que nunca fecha os olhos Para a Caridade; Pois encontrará nessa Terra O verdadeiro sentido da bondade. Bem Aventurados São todos vocês hoje Que tiveram seu encontro com o Senhor; Pois receberam do Mestre Tudo o que vieram buscar E têm, a partir de hoje, O Seu favor. Pelo Espírito: Irmão Tomás Mensagem Psicografada em 29/12/2006

O Tesouro Eterno


"Quão iluminado é o caminho daquele que tem a sua riqueza nas coisas espirituais. Será como uma senda repleta de raios divinos. Essa alma terá a alegria do Espírito de Deus. Não sofrerá como aqueles que guardam um tesouro material em sua alma.

O Espírito humano que vive na Terra como se ela fosse sua morada eterna pensa que tudo o que nela há preenche seu coração e sua alma. Mas, a Terra e todas as coisas são passageiras. O Espírito que vive esse momento como se fosse eterno engana-se muitíssimo. Tudo passa, mas aquilo que é divino, não. O Amor é eterno.

Amai a caridade. Amai o próximo. Amai as revelações celestiais.

O amor às coisas materiais e a tudo o que a Terra promete é apenas ilusão.

Essa irmã que chora sofreu uma partida rápida da Terra. Não teve tempo de mudar a riqueza que havia no seu coração. Enganou-se, como muitos outros que se iludem com o brilho falso das riquezas terrenas. Achava, pobre alma, que a vaidade, a soberba e os prazeres da carne eram mais valiosos que uma vida espiritual plena. Levantou ídolos passageiros e viveu em função deles.

Não vos enganeis, portanto, com a falsa luz que sai dos bens terrenos. Não vos deixeis ser levados para o caminho da escuridão como todos aqueles que vivem na Terra um momento apenas.

A luz que sai da matéria é vazia. Não tem vida. Mas, a luz que desce do Alto é plena e cheia de vida.

Abri os vossos olhos para a oferta do Pai. Ele vos oferece um tesouro maior. Um tesouro eterno. Enchei os vossos corações com esse tesouro e não sereis enganados."

Pelo Espírito Irmão Acácio Vianna.

Mensagem psicografada em 29/10/2007.

Casa de Caridade Santo Antônio de Pádua - Guarapari/ES

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A Umbanda de Jesus




Sete Encruzilhadas, o Caboclo que anunciou o surgimento da Religião de Umbanda em 1908, declarou que Jesus seria o Mestre a ser seguido pelos umbandistas. Controvérsias à parte, já que alguns não aceitam suas palavras como base para uma vida espiritual sadia, Jesus é o modelo mais perfeito escolhido para ser o espelho dos médiuns e demais seguidores da Umbanda. Não há outro Médium vivido entre os homens que tenha subtraído toda a autoridade do Grande Mestre da Judéia em se tratando de vida mediúnica sadia e correta.
Jesus, o Médium, em nenhum momento fez alarde de sua missão na Terra. Sendo detentor de tanta autoridade, jamais exigiu que os homens se subjugassem a Ele. Jamais impôs sua condição de Ser Iluminado a fim de obter prestígio perante os grandes e diante dos pequenos. Suas palavras, cheias de autoridade, jamais foram autoritárias. Pelo contrário, tinham uma meiguice e uma simplicidade que encantavam os pequenos e incomodavam alguns que se achavam grandes.
Em sua trajetória mediúnica na Terra, Jesus aguardou o momento certo para agir em favor da caridade. Seu primeiro ato caritativo, no casamento de Caná, foi precedido de uma oração feita pela mãe que, aflita, intercedeu pelos noivos e seus pais. Jesus podia muito bem ter feito a transformação do vinho antes mesmo de Maria lhe pedir com tanta veemência, mas aguardou a hora certa. Não se precipitou, mas foi paciente para esperar que o tempo definisse o momento propício.
O médiuns de Umbanda, tanto os que estão iniciando quanto aqueles que já militam na fé, precisam ser menos apressados em ser úteis no trabalho espiritual da caridade. O tempo urge, mas não se precipita. Há médiuns que desejam ou querem tanto ser utilizados como aparelhos dos Caboclos e Pretos Velhos que não se preocupam com o próprio aprimoramento ou com o tempo certo para tal trabalho. Avançam apressadamente para os terreiros, colocando roupas brancas - ou coloridas, como queiram -, enchendo os pescoços de guias sem fundamentos e "incorporando" alguma Entidade. Esquecem-se que incorporar qualquer Entidade não é o principal. Essa faculdade é apenas uma das muitas tarefas a desempenhar durante toda a vida. O início de tudo é a mudança que deve ocorrer dentro de cada um. Assim como foi a transformação que Jesus realizou em Caná, quando a água dos jarros ganhou cor, sabor e essência de vinho.
Apressadamente, muitos médiuns estão servindo fel aos que comparecem às bodas que são realizadas cotidianamente nos Terreiros de Umbanda. Em nome da "vontade" de trabalhar ou "receber" Caboclo - como se isso fosse um verdadeiro milagre - estão sendo depositários de uma bebida amargosa, fétida e intragável, quando incorporam sem o devido preparo espiritual e logo realizam consultas e receitam banhos, garrafadas e obrigações sem fim aos convidados da festa chamada Gira. Não atinam para o fato de que eles próprios são os jarros que devem conter a verdadeira bebida espiritual que servirá para alegrar os corações necessitados que foram chamados a participar do evento. E, como se isso não bastasse, logo depois das primeiras incorporações, já tomam para si o título de "mestre divino".
Satisfeitos de sua capacidade mediúnica de incorporar e de falar em nome dos Pretos Velhos e dos Caboclos, logo sobem num pedestal ilusório e passam a encenar o quadro do Sermão da Montanha. Olham do alto para os irmãos, tal como o humilde Jesus, e orgulhosos iniciam uma pantomima que supostamente pretende ensinar aos fracos e oprimidos da última hora. Baseados em sua pouca experiência e sem a devida mudança de pensamentos, hábitos e desejos, levantam-se de peito inflado e voz autoritária sobre os menos favorecidos como verdadeiros "mestres da Galiléia".
Jesus, o exemplo apontado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, não foi um médium dessa estirpe. Ao contrário, desde moço, encheu-se de sabedoria, discernimento, autoridade e virtude para depois transmitir as novas da salvação aos homens de sua época e os dos dias atuais. Não teve como base seus pensamentos e suas experiências, mas sim as Palavras Sagradas dos Profetas.
Jesus não teve olhos para os reinos do mundo. Como médium poderia servir-se de sua condição para angariar respeito e poder diante dos magistrados, sacerdotes e senhores da Judéia, mas rejeitou os oferecimentos políticos, mundanos e passageiros, para continuar humildemente sua missão na Terra.
Jesus não se intitulou "mestre", mas Filho. Não se arvorou como "doutor", mas apresentou-se como Aprendiz diante do Templo. Não subiu num trono para ser rei, mas encurvou-se como "Servo" aos pés dos discípulos.
Assim deve ser a Umbanda praticada por aqueles que se acham estupendos por incorporarem uma Entidade de Luz. Esse deve ser o retrato daqueles que batem no peito e dizem que são "médiuns".
A Umbanda que Jesus praticou foi simples, sem estardalhaços, sem holofotes, sem soberba, mas cheia de doçura como o vinho e de palavras vivas, como as da Montanha.

Deus Salve a Umbanda!

Julio Cezar Gomes Pinto


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O Umbandista e a Internet


A Internet, em pouquíssimo tempo, virou o maior meio de comunicação do mundo. Através das revistas eletrônicas encontramos tudo o que precisamos saber acerca dos mais variados assuntos. Desde a mais recente descoberta ao mais antigo registro da humanidade. Não há nada que fique escondido aos olhos e ouvidos humanos hoje em dia.

Os computadores se transformaram em vitrines, cinemas e bibliotecas. Nunca o homem teve tanta oportunidade de aprender mais. Desde a invenção da imprensa, na idade média, até a televisão, na contemporânea, jamais o homem conseguiu adquirir tanto conhecimento e de forma tão precisa. A Internet surgiu e revolucionou o conhecimento humano.

Os hábitos também sofreram mudanças. O teatro, as livrarias, o cinema e até mesmo a própria televisão tiiveram que se adaptar à nova realidade. A juventude que costumava ficar ligada na tv, agora fica no computador. As pesquisas escolares ganharam muito com a Internet, já as bibliotecas e livrarias, nem tanto.

E, em meio a tudo isto, aparecem as religiões. Cada qual com sua filosofia, ritual e maneira de professar a fé. Há de tudo na Internet: cristianismo, voodoo, bruxaria, protestantismo, islamismo, e é claro... umbandismo. A Umbanda é uma pequena Religião lutando por um lugar no grande panteão religioso que, em muitos casos, governa e massacra as gentes. A expansão da Umbanda faz-se necessário num mundo em que a minoria comanda e massacra a maioria, num mundo em que há tantos sofredores encarnados e desencarnados.

Sem desconsiderar a grande arma de divulgação da fé umbandista em que se tornou a Internet, é preciso porém analisar friamente o que está acontecendo com os filhos de santo ou, como queiram, filhos de Umbanda.

Disfarçados de divulgadores do nome da Umbanda surgem inúmeros filhos de fé que se transformaram em verdadeiros pop star's da Internet. É grande a quantidade de umbandistas que quer "mostrar a cara" a todo mundo, a qualquer custo e de qualquer forma. Sem levar em conta o senso e o respeito às coisas santas, vários médiuns estão colocando em cheque o próprio Terreiro que pisam. Utilizando-se de imagens extremamente pobres e de qualidade ruim, surgem os umbandistas dos dias atuais.

Estampando uma aparência de muita sabedoria e compenetração gritam alguns pretensos estudiosos das coisas ocultas toda uma verborragia sem fim com o propósito de incutir suas convicções infundadas aos menos esclarecidos. São os sábios dos dias atuais que ouviram tudo o que seus mestres encarnados lhes disseram, aceitaram de prontidão suas idéias, e passaram a divulgá-las como verdades absolutas. Ora, a venda de livros caiu vertiginosamente desde a era da televisão, então por que não usar a Internet?

Há também os neófitos que precisam extravasar toda a emoção que sentem por encontrarem o caminho que os tirou de um poço de dúvidas e questionamentos acerca do mundo espiritual. Tudo é novo! Tudo é bonito! Como é belo o mundo dos Espíritos! E lá vão eles para as páginas de relacionamentos mostrar sua conversão, seu batismo, sua primeira incorporação, seu Exu, sua Pomba Gira, seu Velho, seu Altar, sua Tronqueira, etc, etc, etc. E, logo ali, colada à foto do lugar mais sagrado do Terreiro - o Altar - uma foto do seu namorado peladão ou daquela atriz que saiu na revista masculina. Junto do médium que aparentemente está incorporado por um Caboclo, há também o vídeo da mocinha de olhar lânguido e voz sensual que, completamente nua, leva seu pretendente para a cama e mostra o coito cheio de gemidos e palavras obscenas.

Na Internet também não faltam os comerciantes da Umbanda, e de outros cultos, que não têm vergonha de se apresentarem "incorporados" pelo Pai Fulano, ou Cigana Beltrana, ou Mãe Sicrana, e apresentarem seu preço por uma "rodada" de baralho ou "lançada" de búzios. E, para confirmarem seu poder, exibem uma infinidade de penduricalhos no pescoço, rendas, lamês, turbantes, palhas e vários outros utensílios ritualísticos. É claro, não podia faltar a filmagem de uma roda de pólvora, de uma incorporação de Exu, do sacrifício de uma galinha. Tudo filmado em primeiro plano e com riqueza de detalhes em close.

Os oportunistas também não deixam de se exibir na Internet. Há hoje um grande número de candidatos a isso ou aquilo, desejosos de poder, já que o Terreiro se tornou pequeno para eles exercitarem seu poder de persuasão. Prometem ser os defensores da fé alheia, os candidatos dos humilhados e reprimidos, o salvador da religião! Consideram que a política, palco de escândalos interesseiros e mesquinhos, será a força que impulsionará a pobrezinha da religião que não consegue se unir nem dentro dos próprios centros.

Em profusão, proliferam os que necessitam de auto-afirmação. Aqueles médiuns frustrados por nao estarem à frente de um terreiro, chefiando e ditando normas que eles consideram as mais certas. Alguns babalaôs e babás que sentem uma grande inveja por não terem um belo templo. Alguns pais e mães que não conseguem chefiar nem mesmo os filhos de sangue. E também os filhos de Umbanda que ainda não aprenderam que mediunidade não é qualidade de um ser altamente iluminado ou de um "enviado" especial das Hostes Celestes. Mas, mesmo assim, querem se auto-promover e estabelecer sua condição de Mensageiros do Alto. E, baseados nessa premissa, expõem sem critério suas imagens de umbandistas ataviados de Zé Pelintra, Pomba-Gira, Exu, Marinheiro, Caboclo de pena e sem pena, desnudos, embriagados, maquiados, empunhando taças e garrafas; com capas, espadas e chapéus, lanças, bodoques, flechas; vestidos de baianas, damas da corte, marujos, índios e outros personagens saídos dos contos de terror e da Vó Benta - Não a Preta Velha - mas a do Sítio do Pica-pau.

Mesmo que a Espiritualidade não tenha aparelhos de computador em Aruanda, no Juremá ou no Humaitá, os Guias e Mentores da Religiao de Umbanda estão conectados com o que seus diletos aparelhos, cavalos e burros estão fazendo aqui embaixo, na Terra. Nada está passando desapercebido, pois não necessitam de uma tela ou da própria Internet para estarem a par do que andam fazendo em nome da Umbanda.

Como cantam os sábios Pretos Velhos, "a Umbanda é linda, pra quem sabe ler. Quem não conhece Umbanda, diz que Umbanda é cangerê!".

Deus Salve a Umbanda

Julio Cezar Gomes Pinto

Por Quê Cobrar o Passe?





Ao que parece, há uma certa tolerância de alguns umbandistas para o assunto das cobranças pela caridade.

Existe uma corrente que justifica determinadas cobranças monetárias pelos serviços realizados nos terreiros de Umbanda ou em casas que assim se denominam. Não é de hoje que diversos "filhos de fé" praticam atos que não estão de acordo com o que foi anunciado há cem anos como parte do ritual do "novo culto" que ora se instalava no solo brasileiro.

Em nome do que chamam de "pagamento pelo chão", ou "pagamento pelo jogo", ou algo semelhante, umbandistas de várias vertentes da religião disseminaram uma prática que já foi combatida por todos os antigos e grandes decanos do passado. Explicaram, baseados em uma conversa muito bem elaborada e verossímil, que o pagamento pelos seus serviços de auxílio ao próximo são legítimos e corretos. "Não há mal algum nisso", defendem-se.

A máxima que define a Umbanda: "manifestação do espírito para a caridade", já ficou sem sentido. Essas palavras não encontram eco nas esquinas ou fundos de quintal onde se encontram umas casinhas com placas que as identificam como terreiros de Umbanda.

Uma observação mais apurada revelará o esquema que ali ocorre sob a anuência dos próprios frequentadores do lugar.

Ali, debaixo do silêncio de algum Pai Preto ou Caboclo, a troca da caridade por qualquer valor material é realizada sem protextos ou rubor de faces. Afinal, alguém tem que pagar!

Naquelas casinhas observa-se o tão sincero e simpático paizinho de santo incorporado por seu mentor falando humilde e cheio de simplicidade. Mas, ao seu lado, em posição de guardião, aquele que vai estender a mão para solicitar o pagamento devido. E a entidade ainda dá um sorriso cordial e roga-lhe as bençãos dos céus.

Na outra casinha de umbanda mais adiante, parecida até com uma tenda, um outro médium caracterizado de oriental pelas roupas e adereços minuciosamente produzidos para tais momentos movimenta as mãos com diversas cartas coloridas e cheias de figuras simbólicas na frente de uma mulher desesperada. A mulher está com os nervos em frangalhos porque o marido que ela tanto ama está diferente e prestes a abandonar o lar. Ela quer saber se isto vai acontecer de fato, ou se é apenas paranóia de uma mulher neurótica.

O médium diz que precisa "ler" nas cartas, mas que para isto deve receber as moedas correspondentes. "Não vou conseguir ver o seu futuro se você não pagar pelo jogo", declara o médium. Isto não é caridade, explica. Ora, não é caridade o socorro que ele vai prestar àquela mulher desesperada, portanto a sorte está lançada. Azar o dela, se as cartas disserem que o fulano já está com outra... Mas, o dinheiro tem que estar na mão do jogador, antes que a verdade venha à tona.

Mais uma casa adiante e uma nova surpresa: lá está a mãezinha tão doce do terreiro de umbanda que se ergue num bairro próximo. Ali, na casa dela, território particular, domínio seu, a coisa muda. Lá no terreiro, tudo é de "grátis". Lá, quem manda é "cabocro", mas ali quem dá o preço é a "Mãe Maria da Consolação Anunciada do Rosário Nazareno d'Oxum". E como ela sabe jogar os búzios!

No terreiro ela não pode, mas na sua residência ou consultório particular, sim... pode! Ali, na casinha com plaquinha de Umbanda, a mãezinha sacoleja vários búzios e despeja-os sobre uma cestinha de palha.

Um olhar compenetrado... Uma expressão instigante... Um silêncio mortal... e a declaração oriunda do além.

Depois do jogo, tudo pago conforme reza a cartilha, um pequena receita que vai lhe custar uma grande quantia. Mas, não há nenhuma garantia de que tudo vai funcionar. Vai depender do merecimento, ou da fé, ou da Vontade de Zambi, ou do Carma, ou dos Irmãos Espirituais, ou do Exu, ou da Pomba Gira, ou da mente, etc, etc, etc.

Se alguma coisa der errado, não há problema, pois o "pagamento" já foi efetuado através do cartão de crédito ou em espécie. Cheque...?!, Nem pensar!!!

Será que tudo isto foi previsto há Cem Anos atrás?

O chicote do Mestre só serviu para os do Templo de Salomão?

Será que o pagamento pela Escravatura da Colônia está sendo cobrado hoje?

O que mais falta acontecer?!

Ah, sim... Falta pagar o passe!

O passe deixou de ser livre.

Reflitam!

Deus Salve a Umbanda!