segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cosme e Damião e as Crianças na Umbanda



Por volta do século III, nasceram na Arábia dois irmãos gêmeos Cosme e Damião, filhos de família nobre estudaram medicina na Síria e depois foram para Egéia. Não se sabe como e nem em que momento, mas estes tornaram-se discípulos do Cristianismo.

Se utilizando da arte médica, tinham como intenção a conversão religiosa das pessoas, crendo no poder da oração aliado á medicina, conseguiram grandes êxitos pelas curas oferecidas e nunca cobravam por isso. Ganhando assim a simpatia de todos e muitos convertendo.

Chamou atenção dos governantes da época ainda “pagãos” e como provocaram a ira dos mesmos, em especial Diocleciano que os acusou de feitiçaria por não renunciarem a fé cristã, este os sentenciou para receber tormentos bárbaros. Vendo que isto não os abalava então determinou que os decapitassem. Assim Cosme e Damião morreram como mártir em 303 na Egéia.

São Cosme e São Damião são venerados como padroeiros dos médicos e farmacêuticos. Por causa da sua simplicidade e inocência, são invocados também como protetores das crianças.

NA UMBANDA:

São Cosme e São Damião foram sincretizados com a linha de trabalho das Crianças, sem precedente uma vez que no histórico dos mesmos ao contrário do que muitos pensam não eram crianças e não se declinavam especificamente á cuidar de crianças, por fim não se sabe precisar em que momento eles foram associados ás crianças, o fato é que todos nós adoramos a tão esperada festa de Cosme e Damião, comemorada no dia 27 de Setembro.

Doces, bolos, balas, brinquedos e guaraná são alguns dos ingredientes presentes nesta festa, na qual os templos de Umbanda invocam a linha das Crianças.

Quem são estes espíritos infantis?

O primeiro impacto quando alguém se depara com um adulto de chupetas no pescoço e brincando de carrinho ou boneca é gargalhada na certa. Depois vem a pergunta: são espíritos crianças?

Por muito tempo acreditou-se que sim, mas dentro do estudo das condições do espírito humano sabemos que esta idéia não procede de fato.

Existe uma vertente de pensamento que prega ser estes espíritos, seres adultos que tomam a forma infantil para desenvolver entre nós encarnados o propósito do trabalho. Porém fica outra dúvida: se a capacidade curativa e renovadora destes espíritos está na pureza de seu magnetismo, seria um espírito cheio de experiências assim tão puro?

A Ciência Divina, revelada na Teologia de Umbanda Sagrada explica que não. Existem várias dimensões da vida e uma delas chamamos de Encantada, onde lá habitam seres infantis, não que sejam seres de pouca idade, porém infantis quando citamos a pureza, inocência, magnetismo puro é disto que estamos falando.

No livro Arquétipos de Umbanda, de Rubens Saraceni, publicado pela Editora Madras, o autor cita na página 99 o seguinte trecho: “ O arquétipo fundamentou-se nos espíritos ainda infantis regidos pelas mães Orixás, encantadas da natureza, que os acolhem em seus vastos reinos na natureza em seu lado espiritual e os amparam até que cresçam e alcancem um novo estágio evolutivo, já como espíritos naturais” . Saiba que este processo é longo e demorado. Logo, estes espíritos infantis são maduros quando o assunto é Deus, pois da existência Dele não duvidam, é como se vivessem próximos do Criador e justamente esta falta de fé que nós encarnados demonstramos os entristecem.

Temos então na linha das Crianças, espíritos que nunca encarnaram, são “encantados” pois vivem numa dimensão paralela a nossa só que com magnetismos puros de sua natureza individual.

Como atuam?

Quando manifestados, este espíritos promovem profundas renovações magnéticas no complexo energético do encarnado, sutilizando nossas energias e nas suas “brincadeiras” nos ajuda a desbloquear sentimentos negativos, desta forma limpa as pessoas e as aliviam.

Por se manterem com intensa vibração pura é que facilitam as curas tão famosas.

Incorporados brincam com brinquedos e comem doces em geral.

Oferenda:

Para o dia 27 de Setembro, vá até um jardim limpo, deposite doces, balas, pirulitos, bolo, refrigerante, flores diversas, em círculo acenda 7 azul claro e 7 cor de rosa intercaladas.

Ofereça ás Crianças de Aruanda, faça seus pedidos de paz, prosperidade, alegria e cura.

Reze um pai nosso.

Bem leitor, espero ter contribuído para a compreensão do assunto ou ao menos instigar para a busca do mesmo.

Sobretudo vamos festejar a festa das santas crianças e principalmente cuidar das nossas crianças encarnadas, educar e preparar para que nossa nação possa num futuro ser melhor para todos, com mais honestidade e ética. E você adulto, não esqueça da criança que habita dentro de si, não perca a esperança, a alegria gratuita e a graça de viver. Também não deixe de ser sincero e transparente doa a quem doer, seja puro e viva com ética e faça do dia-a-dia e do seu meio algo mais agradável de viver. Pense nisso e seja feliz!

Abraços Fraterno.

Postado no Blog do Rodrigo Queiroz,  http://rodrigoqueiroz.blogspot.com.br/2007/09/cosme-e-damio-crianas-e-umbanda.html


(contato@tvus.com.br)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Conversa de Exu

“Salve companheiros!

Começaremos este breve comentário lembrando que nós somos seres espirituais encarnados em busca da evolução e aprimoramento da nossa alma. O Ritual de Umbanda Sagrada é uma religião fundamentada nos ensinamentos morais trazidos principalmente pelo Mestre Jesus, onde a lei principal é a Caridade, Amor e Fé.


Na Umbanda, jamais é permitido qualquer tipo de “trabalhinhos” de amarração, maldade, vingança e sentimentos parecidos. Dentro do corpo religioso da Umbanda, temos vários tipos de atuações espirituais, tais como: Caboclos, Preto Velho, Erês, Baianos, etc e Exu.


Muitas religiões atacam Exu como se fossem Demônios. Mas pense bem!


Caboclos, por exemplo, são espíritos que descem até os Templos para vos auxiliarem e vos orientarem para um bom caminho moral. Só que no astral da terra vocês são o tempo todo assediados e cercados de espíritos malignos esperando o momento certo para vos prejudicar. Então é quando os Exus entram em ação, para afastar estes maus espíritos de perto de vocês, claro que isto somente quando são merecedores.


Exu é um espírito comum a todos vocês que vem na Umbanda para fazer o Bem e manter a ordem dos trabalhos. Exu é a Polícia do Astral. Jamais um Exu verdadeiro cobra para fazer trabalhos, ou prejudica alguém, muito menos fazer amarração, nem são porcos e agressivos. Esta mania de Exu e Pomba Gira ficarem falando palavras de baixo calão, ridicularizando as pessoas, bebendo e comendo exageradamente é um perigo. Pois Exu mesmo não está ali, o que tem são espíritos mistificadores e zombeteiros enganando todo mundo para saciar seu ego. Exu verdadeiro (como somos chamados Exu de Lei) jamais aceita estes comportamentos. Cuidado com o seu sentimento irmão, se por acaso você pedir o mal para um Exu de Lei, pode ter certeza que você será encaminhado para prestar contas com a Lei Divina. Não pense que estes espíritos mistificadores fazem o que prometem, é pura farsa, eles estão te enganando para se alimentarem a suas custas, porque eles sabem que todo mundo tem um Exu de Guarda e eles não vão querer enfrentar um Exu.


Então ao invés de olharem para o próprio umbigo, busque Exu para esclarecimentos e auxílio para evoluir. Lembre-se, o Criador é Onisciente e Onipresente, Ele sabe de tudo e está em tudo, não pense que suas ações passarão despercebidas. Exu é o executor da Lei Divina e não faz o que quer.


A que ponto pode chegar à ignorância humana em visualizar estes seres espirituais como meros negociantes ilícitos, fazendo dos terreiros, balcão de negócios, em total dissonância com o bom senso e a Lei Suprema. Exu não é marionete. Exu não é o diabo. Exu é símbolo de dinamismo e aperfeiçoamento espiritual constante.


E você? O que pretende com Exu?"

(Mensagem ditada por
Sr. Tranca Ruas das7 Encruzilhadas
para Rodrigo Queiroz)

sábado, 11 de agosto de 2012

A Linha dos Exus

"Na África, Exu é um Orixá e seu culto difere da forma como são entendidos e tratados os que aqui incorporam em seus médiuns e dão passes e consultas.
Lá, Exu é um mensageiro que leva os pedidos das pessoas até os Orixás e traz as respostas.
Ele sempre é o primeiro a ser servido e a ser despachado, levando embora todos os problemas e perturbações.
É respeitado como um Orixá, nunca como um espírito.
Ele tem sua forma de ser cultuado e oferendado e tem seus sacerdotes, seu Omo-Exu (filhos de Exu) que o tem em grande estima e o trata com o mesmo respeito que dedica a todos os outros Orixás.
Quanto à Umbanda , não há culto aos Orixás sem presença de Exu. Mas ele, diferentemente da África, aqui recebeu uma linha à "esquerda" por meio da qual os espíritos manifestadores dos seus mistérios podem incorporar em seus médiuns e consultar as pessoas, auxiliando-as nas suas necessidades e dificuldades materiais ou espirituais.
Exu, na Umbanda, é uma Linha de trabalhos espirituais que se assenta e atua à esquerda dos seus médiuns.
Eles precisam ser oferendados nos seus campos de ação, tais como: nas matas, nos rios, nas lagoas, à beira-mar, nos cemitérios, nos caminhos, nas encruzilhadas, nas pedreiras, etc.
Os seus nomes simbólicos indicam seus campos de ações e onde devem ser oferendados.
Quando incorporam, são alegres, falantes, galhofeiros, sarcásticos, irônicos e até meio chulos. Tudo isso faz parte do arquétipo marcante que assumiram na Umbanda.
Seus nomes variam desde nomes dados a pessoas (João Caveira) até nomes indígenas (Marabá, Jibóia, Arranca-Tocos, Marambaia, Cipó, Folha-Seca, etc).
Todos são espíritos que já viveram na Terra, têm sua história e se tornaram Exus a duras penas, pois é sob a irradiação do Orixá Exu que estão evoluindo e servindo à Lei Maior.
Médiuns mal orientados ou mal doutrinados dão vazão aos seus recalques ou sentimentos íntimos negativos, e aí o seu "Exu de Trabalho" apresenta-se grosseiro, chulo, desrespeitoso.
Já com médiuns bem doutrinados e preparados, Exu não deixa de ser o que é, mas o é de uma forma agradável e respeitosa.
Cada médium tem um Exu guardião e um Exu de trabalho.
O Exu Guardião é ligado ao Orixá do médium e o Exu de trabalhos espirituais é ligado ao guia chefe ou ao mentor dos seus trabalhos.

Origem Africana

Muitos autores o descrevem como o primeiro Orixá a ser criado por Olorum, fato esse que o torna o primogênito na Teogonia Nagô.
Seu culto está associado à procriação e seu símbolo mais ostensivo é um cetro fálico. Inclusive, em alguns dos seus assentamentos, esse símbolo o identifica de imediato.
Uma das razões de ele ser o primeiro a ser oferendado é que, antes de algo existir no exterior de Olorum, só existia o vazio à volta de sua morada interior. E Exu é o Orixá regente do vazio.
Então, como só existia o vazio e era nele que tudo seria construído, qualquer coisa só poderia ser construída com a anuência de Exu.
Os Orixás concordaram em dar a primazia a primogenitura a ele, senão nada construiriam.
O vazio é anterior a tudo e Oxalá só pôde criar o espaço com a concordância de Exu, pois ele foi criado justamente em cima dos domínios de Exu.
Outro dos mistérios do Orixá Exu rege sobre a reprodução e refere-se a órgão genital masculino e sobre o vigor sexual.
Mas, esse e alguns outros mistérios regidos pro Exu não prosperaram em nossa cultura judaico-cristã que associa o sexo ao pecado original e estigmatiza qualquer alusão nesse sentido à ação do diabo.
Como quem vence e quem manda é a maioria, o melhor a ser feito com Exu era o que já haviam feito com os indígenas: cobri-lo com uma capa, vesti-lo com um calção qualquer e ocultar tão acintosa ascendência dele sobre os seres humanos, que procriam justamente com o auxílio do dito cujo, ostentado por esse enigmático Orixá em seu cetro fálico.
Colocaram na mão dele um novo símbolo: o tridente de Netuno, estigmatizado pelos cristãos novos como símbolo do maligno.
Outro dos mistérios de Exu são as cabaças, que simbolizam o útero e o poder procriador feminino. Se ele rege o mistério da sexualidade masculina, da feminina ele é o guardião.
Exu, de fato e de direito, é o guardião da sexualidade em seu aspecto feminino e sua ascendência é inegável." (1).

"Exu é o orixá da comunicação. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento humano. A palavra Èsù em yorubá significa “esfera” e, na verdade, Exu é o orixá do movimento.
Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Orun  (o mundo material ) e o Aiye (o mundo espiritual) seja plenamente realizada.
Na  época das colonizações, o Exu foi sincretizado erroneamente com o diabo cristão pelos colonizadores, devido ao seu estilo irreverente, brincalhão e a forma como é representado no culto africano, um falo humano ereto, simbolizando a fertilidade.
É comumente confundido com a figura de Satanás, o que é um absurdo na construção teológica yorubá, posto que não está em oposição a Deus, muito menos é considerado uma personificação do mal. Mesmo porque nesta religião não existem diabos ou entidades encarregadas única e exclusivamente de coisas ruins como fazem as religiões cristãs. Estas pregam que tudo o que acontece de errado é culpa de um único ser que foi expulso; pelo contrário, na mitologia yoruba, bem como no candomblé, cada uma das entidades (Orixás) tem sua porção positiva e negativa assim como o próprio ser humano.
Como tudo no universo possui de um modo geral dois lados, positivo e negativo, Exu também funciona de forma positiva e negativa. Daí ser Exu considerado o mais humano dos orixás, pois o seu caráter lembra o do ser humano que é de um modo geral muito mutante em suas ações e atitudes" (2).


Lenda de Exu



"Exu é o cozinheiro de todos os Orixás. Mestre nos temperos, Exu faz de tudo na cozinha: axoxó, benguiri, omolocum, amalá, farofa... Tudo com muita pimenta!
Até que um dia falta pimenta na cozinha e Exu resolve fazer sem pimenta mesmo.
Xangô não gosta nem um  pouco e pede a Exu que pegue o cavalo e traga pimenta.
Enquanto Exu buscava pimenta, os Orixás começaram a comer a comida preparada por Exu, sem pimenta mesmo. E acharam foi bom!
Xangô quando vê a panela vazia, ordena aos Orixás que encham a panela com água.
Exu chega e, furioso ao ver sua panela cheia de água e sem comida, ordena: a partir de agora, Exu é o primeiro a comer e sem a comida de Exu, nenhuma comunicação acontece entre a Terra e os Orixás. No Candomblé, até hoje, toda cerimônia começa com padê, de Exu" (3).


(1) - UMBANDA, Os Arquétipos da, As Hierarquias Espirituais dos Orixás - Rubens Saraceni - 2007, Madras Editora Ltda, in Os Exus na Umbanda, pg 121-124.
(2) Exu (Orixá) - Wikipedia, a enciclopédia livre.
(3) Lenda do Orixá Exu (Esú) - postado no Youtube no canal de Victorcabreu.