sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mestres de Reiki Argentinos Visitam Terreiro de Umbanda

Os Mestres de Reiki Alexei Wayron e Ignácio Gallardo, argentinos da cidade de Mendoza, visitaram a Casa de Caridade Santo Antônio de Pádua nesta Páscoa e ficaram "encantados" com o que viram. Visivelmente emocionados, Alex e Ignácio comportaram-se como dois meninos que acabaram de ganhar um presente. Os representantes da Casa Amarilla del Colibri, de Mendoza, chegaram a Guarapari na tarde de quinta-feira, véspera da Sexta-Feira da Paixão. Na manhã seguinte, às 6:00 horas, acompanharam os médiuns da Casa de Caridade na Procissão dos Sete Passos de Jesus, ritual instituído pelo Caboclo Flecha Dourada cujo objetivo é a meditação sobre a Paixão e Morte do Mestre Jesus Cristo. Durante o ritual participaram da "Cura", uma bebida feita com ervas amargosas e curativas. A Cura é utilizada na cerimônia como alusão ao sofrimento pelo qual Jesus passou durante seus últimos dias em Jerusalém. Muito atentos ao que viam, também estiveram no encerramento da Procissão que aconteceu na mata, onde os presentes participaram da Ceia Pascal com todos os médiuns. Durante os dias em que estiveram em Guarapari, os Mestres Reikistas demonstraram estar bastante interessados em compreender os rituais da Casa de Caridade e, a todo instante, faziam perguntas variadas sobre a Umbanda e toda a simbologia utilizada pelos Terreiros brasileiros. Na segunda-feira, dia 05, conversaram por cerca de meia hora com o Preto Velho Pai Serafim, o qual por sua vez, abençou-os no trabalho de cura que exercem com o Reiki. O Pai Serafim disse também que estavam "levando uma pequena semente para sua terra, a semente da Umbanda". Na terça-feira, os dois mendozinos realizaram o Primeiro Seminário de Reiki da Casa de Caridade. A palestra contou com a presença de oito brasileiros interessados em aprender como fortalecer o trabalho dos Guias com a ajuda do Reiki. Os oito participantes, entusiasmados e felizes, foram iniciados no Primeiro Nível do Reiki. O Presidente Julio Cezar disse que os oito novos iniciados juntar-se-ão para formar o Grupo Colibri de Mendoza. Em seu último dia na cidade, quarta-feira, Alexei e Ignácio também presenciaram todo o trabalho que a Casa realiza na Sala da Cura André Luiz. Observaram as semelhanças com o que fazem na Argentina e viram como são realizadas as Sessões de Cura Espiritual. Em conversa com o Presidente da Casa, os dois reikistas fizeram um retrato falado do que muitos praticam na Argentina como sendo ritual de Umbanda. Disseram estar completamente espantados com tamanha diferença entre o que é feito no Brasil e o que é realizado lá. O Presidente esclareceu que a Casa de Caridade Santo Antônio de Pádua não é a única no Brasil que realiza tratamentos de Cura ou de Mesa Branca, mas que muitos outros terreiros no País também se aprimoraram nesses ritos. Disse ainda que as Giras de Caboclo e Pretos Velhos são as mais comuns nos terreiros do Brasil e enfatizou que a Umbanda tem na Caridade sua maior mensagem. Todos os trabalhos umbandistas devem ser realizados gratuitamente. Ignácio Gallardo e Alexei Wayron (nome xamânico de Alejandro) deixaram a cidade de Guarapari com o coração cheio de alegria, não sem antes convidarem os representantes da Casa a visitarem a cidade de Mendoza, na Argentina.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Os Guias de Umbanda



Na Religião de Umbanda manifestam-se Espíritos cujas atividades diferenciam-se pelas missões que cada um assumiu perante a Coroa Regente Planetária. São Espíritos Humanos que têm o grande papel de conduzir as pessoas no melhor caminho. São os Mentores Espirituais que na Umbanda são chamados de Guias.
Os Guias de Umbanda manifestam-se nos Terreiros seguindo um padrão já estabelecido desde a primeira manifestação através do médium Zélio Fernandino de Morais, jovem carioca que aos 17 anos de idade viu-se “incorporado” pelo Espírito que se identificou como Caboclo das Sete Encruzilhadas, nos idos de 1908. A missão desse Espírito ficou definida desde o início: inaugurar um novo culto em solo brasileiro. Um culto em que diversos outros Espíritos se manifestariam com o propósito de evoluírem e ajudarem os irmãos encarnados em sua caminhada terrena. Assim, aos Mentores Espirituais que se seguiram ao Caboclo das Sete Encruzilhadas, deu-se o nome de “Guias”, uma vez que eles começaram a “baixar” nos Centros de Umbanda trazendo a tarefa de guiarem os encarnados.
Um Espírito que se apresentou como Pai Antônio veio logo a seguir dizendo que era um “Preto-Velho”. Ao lado do Caboclo das Sete Encruzilhadas, o Pai Antônio fortaleceu as bases iniciais da Religião de Umbanda através da mediunidade de Zélio de Morais. Enquanto o Caboclo realizava um trabalho pautado na doutrinação e na sedimentação da Nova Religião, o Preto Velho definia seus trabalhos através de rezas, benzimentos e passes de curas. A partir da anunciação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, outros Espíritos “baixaram” nos centros umbandistas apresentando-se com as mais variadas formas fluídicas.
A Religião logo cresceu e, com ela, ampliou-se também a Corrente de outros Espíritos que encontraram na Umbanda uma oportunidade ímpar de acelerar seu processo evolutivo através da Caridade empregada aos irmãos encarnados e desencarnados. Assim, surgiram diversas outras formas fluídicas nas Giras de Umbanda: Crianças, Exus, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos, etc., cada qual com características próprias, maneirismos peculiares e jeitos particulares de trabalhar. Esses Guias de Umbanda compõem o que hoje é chamado de Linhas de Trabalho. As Linhas de Trabalho identificam o campo de ação de cada Entidade.
As Linhas de Trabalho foram, no início da Religião, confundidas com as Linhas Energéticas, ou Linhas Essenciais, que são pontificadas pelos Sagrados Orixás. É primordial que essa diferença seja bem definida para que não haja mais confusões.
Os Guias participam de agrupamentos afins chamados de Falanges. Os Espíritos que pertencem a uma determinada Falange assumem a identificação de seus Chefes Espirituais, cujos nomes determinam o próprio nome da Falange. Daí, cada Espírito que, por afinidade, participa da Falange de “Pai Antônio”, por exemplo, recebe esse nome. Por isso, há tantos “Pais Antônios” trabalhando nos Terreiros de Umbanda. O mesmo acontece com as demais Linhas de Trabalho.
A afinidade dos Espíritos é o que estabelece a qual linha eles irão pertencer. Não é a nacionalidade ou a raça vivida na última encarnação. Claro é que nem todo Espírito que trabalha na Linha de Preto-Velho (ou Linha das Almas – como é chamada em alguns terreiros) foi, de fato, negro ou velho na última encarnação. Nem todo Caboclo foi, no último encarne, um filho de índia (o) com branco (a). Também é certo que nem todo Boiadeiro viveu nos sertões ou nos campos apascentando rebanhos na encarnação passada. Isso explica também o que acontece na Linha das Crianças. Há Espíritos que compõem essa Linha que sequer tiveram alguma encarnação na Terra. São Espíritos Naturais conhecidos como Seres Encantados da Natureza.

Julio Cezar Gomes Pinto